Áudios vazados revelaram que senador cobrou dinheiro de banqueiro para bancar filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). (Foto: André Borges/EFE)
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Flávio Bolsonaro vive dias de horror em sua pré-campanha. Na última terça-feira (19), ele teve de deixar uma reunião com aliados para tentar explicar a informação publicada na coluna do jornalista Igor Gadelha de que teria se encontrado com Daniel Vorcaro quando este já usava tornozeleira eletrônica e cumpria pena de prisão domiciliar. “Eu trago aqui para vocês, eu falei lá dentro para os deputados, mas já vi que a imprensa já divulgou”, disse antes de admitir o fato. É o retrato de uma candidatura sem capacidade reação e que se esfacela engolfada pela proximidade com o caso Banco Master.
O clima na coletiva de imprensa era de constrangimento explícito e consternação mal disfarçada. Só o olhar de Sergio Moro, que parecia fitar o além, já valia um estudo de caso em matéria de expressão corporal. Era como se nada habitasse aquele corpo, que apenas estava lá, parado ao lado do filho do ex-presidente com quem ele rompeu ao acusar de interferir na Polícia Federal. Outros tentavam expressar alguma algum ar de dignidade e confiança, mas só conseguiam chegar no nível interpretativo dos coadjuvantes do filme Dark Horse.
Flávio foi sistematicamente desmentido por fatos sobrepostos a novos fatos. Uma sucessão de desmoralizações que raras vezes se viu no debate público e em uma campanha eleitoral
O desconforto generalizado era também resultante de uma inequívoca quebra de confiança interna (não admitida, por óbvio). Nem os aliados mais próximos de Flávio tinha conhecimento de sua proximidade com o banqueiro do Master. Todos foram pegos de surpresa, já que o próprio Flávio enfatizava publicamente que não tinha qualquer relação com Vorcaro, que o escândalo estava longe de sua família. Não há gestão de crise que consiga resolver desgastes novos resultantes da omissão de informações sensíveis.
A situação mudou de forma tão drástica que, em poucas semanas, foi de negar qualquer relação com Vorcaro para admitir que o encontrou pessoalmente já preso. Visita essa, aliás, que Flávio não fez a aliados históricos presos por determinação de Alexandre de Moraes.
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A justificativa apresentada, alias, merece destaque. O pré-candidato do PL afirmou que foi ao encontro do banqueiro para romper o contrato e reclamar que, tivesse sido avisado de sua situação, teria buscado outras fontes de financiamento. É a típica reunião que poderia muito bem ser substituída por um e-mail. Ou pelo envio de um recado via emissário. Mas não. Flávio foi tomar um chá de despedida com o desafortunado investidor cinematográfico.
Flávio foi sistematicamente desmentido por fatos sobrepostos a novos fatos. Uma sucessão de desmoralizações que raras vezes se viu no debate público e em uma campanha eleitoral. Cada versão que apresentou colide com as anteriores e todas as suas com a dos demais personagens envolvidos. Agora ele quer fazer o eleitorado bolsonarista acreditar que realmente foi lá na casa de Vorcaro lhe dar uma carraspana. É mais fácil engolir um litro de detergente.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos
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