O pré-candidato do Novo à presidência da República, Romeu Zema, alfinetou nesta quarta-feira (20) o senador e também presidenciável, Flávio Bolsonaro (PL), e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a Marcha dos Prefeitos, em Brasília.
Sem citar Flávio diretamente, o ex-governador de Minas Gerais disse que é preciso ter “credibilidade” para governar o Brasil. A declaração ocorre na esteira da crise instalada na campanha do PL após o senador admitir que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse.
“Governar, vocês sabem, exige coragem, mas exige, principalmente, credibilidade. Quem quer mudar o Brasil precisa, acima de tudo, ter credibilidade. Credibilidade para liderar, para unir, para tomar decisões difíceis”, disse Zema a prefeitos e vereadores.
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Nesta terça (19), Flávio revelou que se reuniu com Vorcaro um dia após o banqueiro deixar a prisão no ano passado. Após o anúncio do senador, Zema disse que o Partido Novo foi “traído”.
“Ninguém do Novo foi avisado que ele tinha contato com Vorcaro. Todos nós do Novo supúnhamos que isso não existia. Se alguém foi traído nessa história, foi o Partido Novo”, disse Zema a jornalistas em Blumenau (SC).
Na semana passada, o site The Intercept Brasil divulgou uma troca de mensagens de texto e áudio atribuídas a Flávio e Vorcaro, na qual o senador teria negociado um repasse de R$ 134 milhões do banqueiro para financiar a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a publicação, cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos por Vorcaro entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. Em nota, o senador confirmou o pedido, mas negou qualquer irregularidade. Pouco depois, Zema classificou o episódio como “imperdoável”.
“Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, disse o ex-governador, em vídeo publicado nas redes sociais.
Zema rebate ironia de Gilmar Mendes
Durante a Marcha dos Prefeitos, o ex-governador também reforçou o discurso contra autoridades que classifica como “intocáveis” e rebateu uma crítica do ministro Gilmar Mendes.
“O Brasil é roubado todos os dias pelos intocáveis que vivem nessa cidade. O Brasil de verdade não anda em tapete vermelho, nem fala português rebuscado”, enfatizou o presidenciável.
Ele apresentou três compromissos aos gestores municipais, caso seja eleito: apresentar um “plano implacável” para a economia, retomar territórios dominados pelas facções criminosas e “acabar com a farra dos intocáveis”.
No mês passado, o decano comentou sobre o pedido de inclusão de Zema no inquérito das fake news, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. Ele disse esperar que as críticas do político aos ministros fossem apuradas “naquilo que for inteligível”.
“Ele fala um dialeto próximo do português. Muitas vezes, a gente não o entende. Eu estava imaginando que ele fala uma língua lá do Timor-Leste, um tétum ou coisa assim. De qualquer forma, naquilo que for inteligível, é importante que a Procuradoria, a PF e o próprio ministro Alexandre apreciem”, disse Gilmar.
No último dia 15, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Zema por suposta calúnia contra o ministro pela divulgação da série de vídeos intitulada “Os Intocáveis”. Em um dos vídeos, Gilmar e o ministro Dias Toffoli são retratados como fantoches em uma conversa sobre a CPI do Crime Organizado.
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