O ditador da Rússia, Vladimir Putin, inicia nesta terça-feira (19) uma visita oficial à China, dias após uma visita do presidente dos EUA, Donald Trump. A viagem, prevista para durar até a quinta-feira (21), terá como foco a discussão de “crises-chave” do mundo, segundo o Kremlin, além de temas bilaterais de ordem econômica.
“Temos uma agenda muito ampla para nossas conversas com a China. Isso inclui questões bilaterais e internacionais. Estou confiante de que todas as questões-chave e todas as crises-chave, talvez as mais graves, que o mundo enfrenta atualmente serão abordadas”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Andrei Rudenko, citado pela agência de notícias Tass.
O representante do regime russo acrescentou que, entre outros tópicos, os resultados da visita de Trump na semana passada também poderão ser discutidos no encontro de ditadores. O porta-voz do Kremlin,
Dmitry Peskov, especificou que a viagem permitiria a Moscou receber informações diretas e trocar opiniões sobre as negociações com Washington.
Os regimes fortaleceram significativamente suas relações nos últimos anos. A chegada de Putin coincide com o 25º aniversário do Acordo de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação entre Moscou e Pequim (2001).
Pouco antes do início da invasão russa em larga escala da Ucrânia, em 2022, Xi e Putin proclamaram uma “amizade ilimitada” entre os dois países em Pequim. Desde o início da guerra no leste europeu, o gigante asiático tem mantido uma postura ambígua: por um lado, defende o respeito à soberania de todos os países, referindo-se à Ucrânia, e, por outro, insiste em atender às “legítimas preocupações de segurança” da Rússia.
Uma reportagem da Reuters nesta terça-feira revelou que as forças armadas da China treinaram secretamente cerca de 200 militares russos no final do ano passado e parte deles está lutando na guerra na Ucrânia.
Cooperação energética e nova ordem mundial em foco
Uma das principais frentes que os dois líderes devem discutir envolve a cooperação energética.
A China consolidou-se como o principal destino do petróleo e gás russos, nos últimos anos, enquanto Moscou busca expandir suas exportações de energia para a Ásia. Segundo Moscou, no ano passado foram enviados 101 milhões de toneladas de petróleo e 49 bilhões de metros cúbicos de gás para Pequim.
A imprensa estatal chinesa estimou que o comércio bilateral atingiu US$ 227,9 bilhões em 2025 e teve como destaque a diversificação em setores como máquinas, tecnologia, comércio eletrônico e outras áreas emergentes.
Um dos grandes projetos de Putin é a construção de um gasoduto chamado de Força da Sibéria-2, destinada a transportar gás russo para a China através da Mongólia.
Se os países firmarem novos acordos no setor energético, o regime de Putin pode reativar parcialmente sua economia em dificuldades e, simultaneamente, financiar a máquina de guerra na Ucrânia.
A última visita do russo à China ocorreu em setembro de 2025, e espera-se que ele retorne ao país em novembro para participar da cúpula da APEC em Shenzhen. Ao todo, Putin será acompanhado de 39 pessoas em sua comitiva.
De acordo com o Kremlin, Putin e Xi assinarão cerca de 40 acordos ao final da cúpula, incluindo uma declaração conjunta sobre o fortalecimento de sua parceria e cooperação estratégica, e outra sobre o advento de uma nova ordem mundial e um novo tipo de relações internacionais.
VEJA TAMBÉM:


