O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu nesta segunda-feira (18) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a inclusão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no inquérito que investiga a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Eduardo é réu por suposta coação no curso do processo em uma ação penal aberta a partir dessa investigação. Em agosto de 2025, a Polícia Federal chegou a pedir o indiciamento de Bolsonaro, mas ele não foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no caso.
Lindbergh aponta que o dinheiro utilizado para financiar o filme Dark Horse, a cinebiografia de Bolsonaro, teria sido para custear uma “ofensiva internacional” contra as instituições brasileiras.
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Ele pede que a investigação apure se os valores destinados ao filme “serviram, total ou parcialmente, como lastro financeiro”, da “campanha internacional conduzida por Eduardo Bolsonaro no exterior contra o Estado brasileiro, suas autoridades constituídas, seu Poder Judiciário, sua soberania jurisdicional e seus setores produtivos”.
Na semana passada, o site The Intercept Brasil revelou que Flávio teria negociado um patrocínio de R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”.
O senador confirmou ter feito o pedido, mas negou qualquer irregularidade. Cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. Eduardo afirmou que não foi o responsável pela gestão do investimento de Vorcaro na produção.
Para Lindbergh, Flávio deve ser incluído no processo como investigado e Bolsonaro como suposto beneficiário.
O petista pediu à Corte que determine uma série de medidas cautelares contra Flávio, como apreensão do passaporte, proibição de deixar o país, bloqueio de bens e valores vinculados ao projeto e a quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático, com preservação de metadados e mensagens.
O pedido também enfatiza a necessidade de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para rastrear fluxos financeiros, supostos pagamentos a lobistas e registros de reuniões de Eduardo em território americano.
Lindbergh destacou que a atuação de Eduardo no exterior coincidiu com medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil em 2025, incluindo, sanções a autoridades e a imposição do tarifaço.
Lindbergh cita “padrão de fuga” de aliados de Bolsonaro
O parlamentar mencionou o que chamou de “padrão de fuga” entre aliados da família Bolsonaro, lembrando das detenções dos ex-deputados Alexandre Ramagem (PL-RJ) nos EUA e de Carla Zambelli (PL-SP) na Itália.
Ramagem foi condenado pela suposta tentativa de golpe de Estado no mesmo julgamento de Bolsonaro, mas deixou o Brasil antes do cumprimento da sentença ser determinado.
O documento cita ainda a tentativa do ex-presidente de violar sua tornozeleira eletrônica em 22 de novembro de 2025. “O dado temporal indicado pelo peticionante possui enorme relevância: a tentativa de violação da tornozeleira teria ocorrido dois dias após a prisão de Daniel Vorcaro”, alega o petista. O banqueiro foi preso pela primeira vez no dia 17 de novembro de 2025.
“A investigação precisa apurar se essa coincidência temporal é meramente casual ou se reflete percepção concreta, por parte do núcleo político beneficiário, de que a prisão de Vorcaro poderia revelar fluxos financeiros, promessas de pagamento, contratos, mensagens, intermediários e destinações de recursos incompatíveis com a versão pública de simples patrocínio privado de obra audiovisual”, disse o deputado.
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