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Rui Pimenta vira réu por antissemitismo e PCO culpa “lobby sionista”

O presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Pimenta, tornou-se réu em um processo que o denunciou por antissemitismo nas redes sociais, após a Confederação Israelita do Brasil (Conib) ingressar no Ministério Público e, agora, a Justiça acolher a ação. Pimenta e outro dirigente foram enquadrados na Lei de Crimes Raciais. O canal do PCO no YouTube culpou o “lobby sionista” pela ação.

De acordo com a denúncia da Conib, Pimenta e o dirigente do PCO Henrique Áreas manifestaram-se publicamente, em diversas ocasiões, pela destruição do Estado de Israel e a favor do Hamas e de outras organizações terroristas de fundamentação islâmica. Para a Conib, as manifestações feriram os “limites da crítica política legítima”.

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“A crítica a governos, políticas públicas ou decisões de qualquer Estado faz parte do debate democrático. Mas ataques à existência, aos direitos ou à dignidade de um povo ultrapassam a esfera da divergência política e ingressam no terreno da intolerância”, diz a Conib, em trecho que foi integralmente acolhido pela decisão judicial.

A Gazeta do Povo tentou contato com Rui Pimenta e aguarda retorno. A defesa do outro acusado, Henrique Áreas, não foi localizada. O espaço segue aberto para a manifestação de ambos a qualquer momento.

Em um vídeo publicado nas redes sociais do PCO, Pimenta declarou que as ações judiciais teriam a intenção de “proibir o debate”. “Você fala qualquer coisa que não seja a propaganda, você é chamado de ‘antissemita’. Todo mundo sabe disso”, afirmou Pimenta no vídeo.

Nesse mesmo vídeo, ele diz que o Holocausto se tornou uma “indústria”, uma “peça de propaganda” usada para interditar as críticas aos “crimes” de Israel.

Antissemitismo na esquerda

O vínculo com grupos radicais nunca inibiu o apoio de legendas da esquerda brasileira mais radical, como já ocorreu em outros momentos com o PCO e o PSTU. O PCO realizou em março um evento de manifestação contra um suposto “genocídio palestino”, representada por João Pimenta, que é filho e herdeiro político do presidente do partido, Rui Costa Pimenta.

Em seu discurso, Pimenta filho cobrou maior apoio do governo Lula ao regime iraniano e ao que chamou de “Eixo da Resistência” ao imperialismo norte-americano, coalizão dos “mártires” que inclui Irã, Líbano e Palestina. A morte de Ali Khamenei, morto em um ataque aéreo a Teerã, é chamada por ele de “martírio”. O DCO mantém um plantão da guerra ao Irã favorável ao regime dos aiatolás.

“Nesse último mês, eles mostraram que é possível parar a máquina de guerra de Israel. Esses companheiros, tanto do Hezbollah, do Hamas e da Jihad Islâmica, quanto do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, mostraram que não temos que ter medo do imperialismo”, afirmou Pimenta, de acordo com a transcrição publicada pelo jornal Diário da Causa Operária, órgão de comunicação do partido.

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