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Blusinhas, desenrola 2 e subsídios: Lula gasta últimos cartuchos para se reeleger

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nas últimas semanas uma série de medidas econômicas de apelo midiático que são consideradas pela oposição e por analistas como elementos de um derradeiro pacote dedicado à redução de sua elevada rejeição e ao impulso de sua campanha de reeleição.

O movimento eleitoreiro se acelera e ocorre quando pesquisas mostram persistência do desgaste de imagem do governo, sobretudo em temas como deterioração da economia, segurança pública e saúde. A estratégia visa promover, a despeito de agravar as tensões fiscais, a sensação de um alívio no bolso do eleitor.

O levantamento da Genial/Quaest, cujos dados de campo foram coletados entre 8 e 11 de maio com 2.004 eleitores, revelou uma oscilação na rejeição eleitoral direta para 53%, o que representa um recuo frente aos 55% aferidos anteriormente. Flávio Bolsonaro registrou 54% de rejeição em maio.

Os dados possuem margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento foi contratado pelo Banco Genial e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03598/2026.

Logo na sequência, o Datafolha indicou que 47% dos eleitores recusam o nome do atual mandatário de maneira convicta, afirmando que “não votariam de jeito nenhum” nele. Flávio Bolsonaro registrou uma rejeição menor, de 43%.

Realizada nos dias 12 e 13 de maio de 2026, a pesquisa do Datafolha ouviu 2.004 eleitores de 139 municípios de diferentes portes, apresentando também uma margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-00290/2026.

O gesto mais simbólico do pacote de medidas de reelição de Lula foi a derrubada da taxa das blusinhas – o imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 –, que havia se tornado fator de desgaste para o presidente entre jovens e consumidores de baixa renda. A decisão a cinco meses da eleição soou claramente política.

Fim da taxação de importados revela incoerência e prioridade da reeleição

O recuo explícito na taxação de importados – política antes defendida por Lula, sob argumento de arrecadação para equilíbrio das contas públicas e proteção da indústria nacional – deve-se ao fato de que a medida iniciada no ano passado se tornou um símbolo negativo do governo nas redes sociais.

O governo ainda ampliou os mecanismos de amortecimento do preço de combustíveis, reforçando subsídios indiretos via Petrobras, além de evitar reajustes bruscos. A estratégia busca desdobramentos rápidos para conter estragos com a inflação movida a gasolina, diesel e querosene de aviação.

Em paralelo, o Palácio do Planalto divulgou o seu Desenrola 2.0, a nova etapa do programa de renegociação de dívidas lançado em 2023. O objetivo é ampliar o acesso ao crédito, reduzir a inadimplência e devolver a milhões de endividados a capacidade de voltar a tomar novos empréstimos.

Medidas em ritmo acelerado miram maiores fatores de desgaste eleitoral

A toque de caixa, o governo anunciou na semana passada um plano de R$ 11 bilhões voltado ao combate ao crime organizado, que envolve recursos da União e, sobretudo, do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Lula mirou uma das maiores críticas que sofre do público.

A construção civil também é vista como um setor de forte capacidade de geração de empregos rápidos e efeitos multiplicadores na economia. Além de crédito, Lula busca ampliar programas habitacionais e de financiamento imobiliário subsidiado para tentar reativar sensação de mobilidade social.

Lula aposta ainda em ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e outras ações para resgatar o apoio de públicos de renda média e baixa.  Isso porque a percepção geral de perda de poder de compra e de insegurança passaram a pesar mais que os indicadores econômicos positivos oficiais.

Pacote de bondades de Lula pode demorar a dar frutos, ressaltam analistas

Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que o pacote de bondades do governo dificilmente produzirá efeito imediato, capaz de reverter a sua percepção negativa. Eles observam que medidas econômicas geram ganhos eleitorais só se melhorar a percepção do eleitor sobre seu poder de compra.

A dúvida crescente em Brasília é se haverá tempo político suficiente para o governo mudar a curva de má avaliação antes que a campanha presidencial entre de vez nas ruas. O foco do governo segue na classe média baixa, nos trabalhadores informais e na parte do eleitorado sensível ao custo de vida.

Nessa toada, a estratégia petista segue roteiro clássico: ampliar exposição pública, ocupar o noticiário com anúncios positivos e evitar consolidação do desgaste. Para isso, contam ainda com crédito para motoristas de aplicativo, Minha Casa, Minha Vida, empréstimo consignado, entre outros cartuchos.

Estratégia de criar notícias positivas já trouxe resultado, avalia professor

Para Arthur Wittenberg, professor de relações institucionais e políticas públicas do Ibmec-DF, as investidas eleitoreiras de Lula já têm surtido efeito. “O público percebe nos últimos dias notícias sobre o governo mais positivas do que negativas, vindas até mesmo da reunião com Donald Trump”, diz.

Segundo a pesquisa de opinião da Genial/Quaest, o número de pessoas que afirmou ter visto notícias mais positivas sobre o governo Lula cresceu de 23% em abril para 32% em maio.

Segundo o Wittenberg, medidas de combate ao crime organizado, entre outras, podem funcionar para diminuir os altos índices de desaprovação do governo. “Não chegam a ser medidas que empolgam o eleitorado, mas isso não significa que sejam esforços inválidos, que não tragam ganho político”.

Já o conselheiro empresarial Ismar Becker, avalia que, devido à polarização, as recentes iniciativas de Lula para mudar a percepção ruim com a economia não levarão a uma guinada positiva para a imagem do governo. “As medidas são pregação para convertidos, mas podem tocar o eleitor de centro”, diz.

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