VILLA NEWS

A IA é de Deus ou do diabo?

IAs: maravilhas da engenhosidade humana que podem ser usadas para o bem e para o mal. (Foto: ChatGPT)

Ouça este conteúdo

De um lado temos Richard Dawkins, ateu desavergonhado que trocou um lero com o Claude e ficou todo maravilhado, alardeando por aí e por aqui que a inteligência artificial tem consciência e é incrível e e e. Jordan Peterson vai pelo mesmo caminho em seu “Nós que lutamos contra Deus”, dizendo que a IA é nada mais nada menos do que a materialização do inconsciente coletivo – aquele do Jung.

Na contramão temos Rod Dreher e Paul Kingsnorth. O primeiro é taxativo: IA é coisa do demônio. O segundo faz um monte de volta, evoca imagens do Paraíso, e fala em fim da Cristandade e da Civilização Ocidental para chegar a uma conclusão parecida: a IA é coisa do capeta. Por fim, Byung-chul Han não chega a tanto, mas quase: IA pode até não ser coisa do cramulhão; mas bem para a alma não faz, não. (Rimou).

Livre-arbítrio

Eu, que não sou filósofo e nem quero, mantenho uma relação ambivalente com as IAs – ferramentas que, na falta de um editor, uso para bater papo sobre meus textos, com resultados variáveis. Uma coisa que notei, por exemplo, é que as IAs são teimosas. E meio burrinhas. O Gemini, por exemplo, vive de puxar meu saco. Já o ChatGPT gosta de encontrar defeito em tudo. E o Grok é um tuiteiro meio idiota, mas de vez em quando útil.

Quanto à questão sobre o caráter divino ou demoníaco das IAs, não dá para negar que elas sejam, sim, maravilhas da engenhosidade humana. E, como tal, podem ser usadas para o bem. Como, aliás, qualquer tecnologia, inclusive as redes sociais (por incrível que pareça). Mas, por serem maravilhas da engenhosidade humana, também podem ser usadas para o mal. E algo me diz que serão. Ou melhor, já estão sendo. Mas aí estamos falando de uma escolha individual. No livre-arbítrio – esse de que queremos tanto abdicar.

Você pode se interessar

Encontrou algo errado na matéria?

Comunique erros

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *