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Quem é a supersecretária escalada para coordenar a campanha de Tarcísio em São Paulo

Conhecida como “supersecretária” do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Natália Resende costuma ser a única mulher na sala — seja num leilão na B3 (a Bolsa de Valores), seja numa reunião com investidores internacionais. Procuradora federal com perfil técnico e acadêmico, ela comanda desde 2023 a secretaria mais abrangente do governo de São Paulo.

Agora, Natália Resende ganhou mais uma missão: coordenar o plano de governo da campanha de reeleição do governador. O anúncio foi feito pelo próprio Tarcísio durante a realização da 31ª edição do evento agropecuário Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).

“Uma pessoa que está tocando saneamento básico, energia, logística e ainda cuida dos pets, né?”, disse Tarcísio, que a chamou de “supersecretária”. De acordo com o governador paulista, foi a própria Natália quem pediu mais responsabilidades.

“A Natália ainda disse assim: ‘não, eu estou precisando de mais missão, quero ser melhor aproveitada’. Aí vai coordenar ainda o plano de governo, como se não tivesse mais nada para fazer”, brincou.

A assessoria de imprensa da secretaria afirmou que não vai comentar a coordenação da campanha. Pessoas próximas descrevem Natália como metódica — e dizem que ela não deve tratar de política até o início do período eleitoral.

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Secretária reúne quatro temas em uma só pasta

A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo foi criada por Tarcísio no início da atual gestão, em janeiro de 2023, para unificar as antigas três pastas. Natália Resende foi a primeira mulher anunciada para o secretariado.

Sob o comando dela estão quatro subsecretarias — Meio Ambiente; Recursos Hídricos e Saneamento Básico; Energia e Mineração; e Logística e Transporte — além de órgãos como a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), a Cetesb (Companhia Ambiental de São Paulo) e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER).

Formada em Direito, Engenharia Civil e Ciências Contábeis, ela tem doutorado em regulação de infraestruturas de rede pela Universidade de Brasília (UnB), mestrado em tecnologia ambiental e recursos hídricos, pós-graduações em regulação econômica pela Universidade de Londres e pela London School of Economics (LSE), e cursa atualmente um master of laws também na Universidade de Londres. E leciona disciplina de parcerias público-privadas no Mackenzie e na PUC Minas.

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De Formosa a Brasília: a trajetória da secretária

Aos 37 anos, Natália Resende carrega uma história que começa longe dos grandes centros. Nasceu em Uberaba (MG), mas cresceu em Formosa (GO), cidade do interior goiano a 80 quilômetros de Brasília, onde viviam os avós maternos e onde a mãe dela, Mônica, construiu um pequeno negócio.

Em 1992, com o dinheiro da venda de um carro, Mônica abriu uma academia esportiva batizada de MN — as iniciais de mãe e filha. Décadas depois, as duas ainda são sócias. O espaço funciona como um centro de saúde e bem-estar com natação, pilates e outras modalidades.

Foi em Brasília, no entanto, que a trajetória acadêmica dela tomou forma. Em 2005, aos 18 anos, Natália ingressou no curso de Engenharia Civil na UnB — a primeira de três graduações, às quais se somariam Direito e Ciências Contábeis. Estudou para concursos públicos e se tornou procuradora federal. Casada e sem filhos, nunca se filiou a nenhum partido.

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Parceria com Tarcísio começou no governo Temer

Natália Resende e Tarcísio de Freitas se conheceram no Programa de Parcerias e Investimentos do governo Michel Temer (MDB). Na época, ela era procuradora federal e dava consultoria ao programa que Tarcísio coordenava.

Quando o colega foi nomeado ministro da Infraestrutura na gestão Jair Bolsonaro (PL), ela se tornou consultora jurídica da equipe de Tarcísio e, a partir de 2022, passou a representá-lo em seminários sobre concessões de infraestrutura.

A relação de confiança construída ao longo dos anos explica a sequência de escaladas. Foi Natália quem liderou a desestatização da Sabesp — a maior privatização da história do estado de São Paulo, concluída em julho de 2024, que movimentou R$ 14 bilhões e transformou a companhia na maior empresa privada de saneamento básico do mundo.

Natália chegou a ser cogitada nos bastidores para vice na chapa de Tarcísio à reeleição, mas em março de 2025, ela descartou qualquer candidatura. “Não, estou superfeliz nessa parte de gestão pública mesmo, eu adoro”, afirmou em entrevista à CBN São Paulo.

Questionada se aceitaria ser vice de Tarcísio, foi direta: “Não. Ele também tenho certeza que quer que eu fique onde eu estou mesmo, de gestão, que eu acho que é onde eu consigo ajudar.”

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Secretária vai coordenar agenda de obras inacabadas

O papel de Natália inclui participação nas comitivas das missões internacionais conduzidas por Tarcísio para apresentar o portfólio de concessões do estado a investidores — viagens que passaram por países como Dinamarca, Holanda, Noruega e, em 2025, pela Brazilian Week em Nova York.

A agenda das missões cresceu depois que o governador extinguiu, em maio de 2024, a Secretaria de Negócios Internacionais, como parte do plano de enxugamento da máquina pública. As funções da pasta foram distribuídas pela Casa Civil e pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico — mas é Natália quem aparece ao lado de Tarcísio quando os projetos de infraestrutura são apresentados mundo afora.

Em entrevista à Gazeta do Povo em julho de 2024, Natália explicou a lógica das viagens. “Faz muita diferença mostrar o portfólio. Quando a gente fala, mostra que não é um projeto isolado — o investidor vê que tem continuidade, estabilidade e segurança jurídica”, disse.

Segundo ela, o interesse no estado é percebido nas perguntas dos investidores sobre normas ambientais e perspectivas para os próximos anos. “A gente também fazia isso no Programa de Parcerias e Investimentos federal. É uma boa prática fazer o diálogo com os investidores para trazer competitividade.”

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Plano de governo inclui projetos bilionários ainda sem leilão

Com a nova atribuição de coordenadora do plano de governo, Natália Resende passará a estruturar as propostas para um eventual segundo mandato — e a lista de projetos encaminhados, mas ainda não leiloados, é longa. Entre eles, na mobilidade, estão pendentes os trens intercidades dos eixos sul, leste e oeste, além da expansão da rede metroviária.

Na área ambiental e de saneamento, o “IntegraTietê” — programa lançado em março de 2023 com previsão de investimentos de R$ 23,5 bilhões até 2029 para recuperação do principal rio do estado — ainda tem etapas a cumprir. Também aguardam leilão o “UniversalizaSP”, o programa de Conservação e Restauração Vegetal, a Gestão de Resíduos Sólidos e a Gestão de Parques Urbanos.

Já a linha 6-laranja do Metrô e o Trem Intercidades eixo norte estão entre os projetos contratados — leiloados durante o primeiro mandato e em execução. O Centro Administrativo Campos Elíseos também consta como projeto qualificado, ainda pendente de contratação.

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