Talvez Flávio Bolsonaro tenha vendido a sua esperança, que também era a minha, por R$134 milhões. Uma pechincha. (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)
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Croniquemos, pois: Flávio Bolsonaro foi pego com a boca na botija, pedindo milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro. A produtora nega, mas o dinheiro seria usado para fazer aquela porcaria de filme sobre Jair Bolsonaro. Antes de a bomba estourar e o áudio com o pedido de grana ser divulgado, Flávio disse que era tudo mentira. Mas depois disse que era tudo verdade e que não havia crime nenhum em pedir milhões a um banqueiro trambiqueiro, que ele tratava pelo DDD21íssimo pronome de tratamento “mermão”.
O que vai acontecer daqui para a frente eu não sei. Ninguém sabe e se alguém disser que sabe está mentindo. E não falo apenas da questão político-eleitoral, não. Porque há muita paixão envolvida nessa história. Teve gente que empenhou sua palavra, que jurou lealdade ao bolsonarismo, que brigou com a família e os amigos e que ainda agora está lá, dando mil e uma piruetas na tentativa de justificar para si mesmo o apoio incondicional a Flávio Bolsonaro. Apesar dos milhões, de Vorcaro e do “Dark Horse”. Tem gente que ainda acredita, porque é difícil abandonar o grupo. Mesmo diante de indícios incômodos.
Até quando?
Aí eu estava aqui pensando: o que a gente pode aprender com esse caso? Com esse banho de água fria, gélida, congelante em quem via Flávio Bolsonaro como uma esperança imperfeita e sub-ideal, mas ainda assim uma esperança. Não só de livrar o Brasil do petismo como também do STFismo. Tem que ter uma oportunidade aí, no meio de toda essa indignação, decepção e até revolta. Procurei, procurei, minha mulher reclamou que eu estava me mexendo demais na cama, continuei procurando. Até que lá pelas 5h da manhã encontrei.
A oportunidade (não me vá desperdiçá-la, hein!) está em reconhecer, em entender, em aceitar de uma vez por todas que a política é feita por pessoas. E a natureza humana, mermão, é falha. Por isso os homens cedem assim, facinho-facinho, à tentação do dinheiro e do poder. Da vaidade. Infelizmente não há santos nesse meio que deveria ser ocupado justamente pelos homens mais honrados e honestos. Do tipo que dedica e sacrifica a vida pelo bem-comum. Daí porque jurar fidelidade ou se apegar emocionalmente a nomes ou sobrenomes é um erro que insistimos em cometer. Até quando?
O estrago está feito
A questão, aqui, é se vamos exigir o máximo de honradez dos nossos homens públicos. Ou se vamos continuar baixando o sarrafo, a ponto de termos de optar sempre pelo menos pior. Pelo menos corrupto. Pelo que pediu menos milhões ao empreiteiro ou banqueiro. Vamos nos contentar com a mediocridade, com o que é mais fácil e tem mais chance de sucesso a curto prazo? Ou vamos cobrar, cobrar, cobrar, cobrar mais quem nos promete excelência e honestidade, mas nos entrega vulgaridade, mesquinhez e corrupção?
Por falar em cobrar, agora é que são elas. Flávio Bolsonaro tem que vir a público, expor valores, mostrar recibos, ser transparente até a medula e reconhecer que mentiu e errou, errou e mentiu. Tem que pedir desculpas, mas tem que ser desculpas sinceras, hein! Por fim, tem que saber que nem mesmo todas essas medidas são garantia de perdão. O estrago está feito. Flávio Bolsonaro vendeu a sua esperança, que também era a minha esperança, por 134 milhões de reais. Uma pechincha.
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