A escolha de André do Prado (PL) para disputar o Senado por São Paulo não foi pensada apenas para beneficiar Eduardo Bolsonaro — e sim para conquistar o maior colégio eleitoral do país para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) em 2026.
Prado tem acesso direto a centenas de prefeitos paulistas, uma máquina eleitoral que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) consideram indispensável para “fechar São Paulo para Flávio”. A prioridade, segundo refletem pessoas próximas a Eduardo Bolsonaro, é a candidatura presidencial de Flávio neste ano.
O raciocínio é simples: o PT não tem prefeituras relevantes em São Paulo. O controle dessa rede passa pelo PSD de Gilberto Kassab, pelo PL e pelo Republicanos, partido do governador Tarcísio de Freitas. Prado, com 32 anos de vida pública e presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alesp) desde 2023, tem diálogo direto com centenas de prefeitos de diferentes partidos — e isso, na lógica eleitoral do grupo, vale mais do que um nome de forte apelo ideológico.
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André do Prado influencia rede de prefeitos em São Paulo
Para pessoas próximas a Eduardo, a força de Prado está na capilaridade: quando o prefeito de uma cidade faz campanha para um candidato, movimenta a Câmara Municipal, os diretórios e toda a máquina partidária local em favor da chapa.
A ligação de Prado com a família Bolsonaro não é nova. Ele é amigo de décadas de Renato Bolsonaro, irmão mais novo de Jair Bolsonaro. “André do Prado é um amigo de longa data e com experiência comprovada de trabalho em nosso estado”, escreveu Renato Bolsonaro no Instagram ao anunciar o apoio ao pré-candidato.
O próprio Eduardo listou publicamente as razões da escolha: 32 anos de vida pública, ficha limpa, capacidade de articulação na Alesp e, principalmente, “capilaridade em todo o estado, com diálogo direto com centenas de prefeitos de diferentes partidos, isso dá musculatura política e fortalece o projeto Flávio Bolsonaro 2026”, escreveu.
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Jair Bolsonaro preferia a candidatura de Mello Araújo ao Senado
A decisão para compor a chapa anunciada para concorrer ao Senado pelo estado de São Paulo não foi simples e, entre os nomes cogitados estavam:
- Mário Frias (PL)
- Gil Diniz (PL)
- Sonayra Fernandes (PL)
- Paulo Mansur (PL)
- Rosana Valle (PL)
- Ricardo Mello Araújo (PL).
O vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo, era o candidato preferido de Jair Bolsonaro, mas Eduardo e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, optaram por Prado. Em nota divulgada em abril, a presidente do PL Mulher e ex-primeira dama Michelle Bolsonaro reforçou que “sempre esteve muito claro” que a decisão sobre o candidato ao Senado seria de Jair.
“A minha única atuação em relação à disputa ao Senado pelo estado de São Paulo ocorreu há muito tempo, quando pedi a inclusão do nome da deputada federal Rosana Valle nas pesquisas contratadas pelo Partido Liberal”, escreveu.
Salles acusa Eduardo de receber dinheiro para apoiar Prado
A escolha de Prado acirrou a disputa dentro da direita paulista. O deputado federal Ricardo Salles (Novo), que também quer disputar o Senado, acusou Eduardo de ter recebido entre R$ 20 milhões e R$ 60 milhões para negociar a candidatura de Prado — acusação que Eduardo negou publicamente na segunda-feira (11).
“Ele começou partindo para a calúnia, dizendo que sou bandido, que sou corrupto, que estou aceitando dinheiro em troca do voto”, disse Eduardo em vídeo no YouTube. “Eu quero que você prove, Salles, que tem algum acordo financeiro entre eu e o André do Prado.”
Salles, por sua vez, disse que só abrirá mão da pré-candidatura própria se o nome dele for substituído pelo de Mello Araújo. “Para o André do Prado, pupilo do Valdemar, não abro mão de jeito nenhum. Porque ele é Centrão. Nunca foi, jamais será de direita”, afirmou.
Para o cientista político Leandro Consentino, do Insper, a briga reflete uma tensão estrutural dentro do campo de apoiadores de Bolsonaro. “A gente vai assistir muito isso durante o processo eleitoral: idas e vindas de um elemento mais ideológico para tentar cativar os apoiadores mais radicais e, de certa forma, uma aproximação com a ala mais pragmática para tentar angariar mais votos”, disse.
Para ele, a aliança com o Centrão é inevitável. “Acho que é inescapável para Flávio buscar esse apoio.”
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Eduardo pretende assumir suplência na chapa enquanto está nos EUA
Com dificuldades políticas e jurídicas para disputar diretamente uma eleição no Brasil, Eduardo Bolsonaro (PL), que está nos Estados Unidos há mais de um ano após perder o mandato, anunciou que entrará na chapa que vai concorrer em São Paulo como primeiro suplente de Prado.
O outro concorrente pela chapa é Guilherme Derrite (PP). Neste ano, os eleitores vão votar em dois candidatos para o Senado — são duas cadeiras em jogo para cada estado da federação.
“Eu sentei e conversei com várias pessoas e tomei uma decisão […]. Fiz um vídeo ao lado do André do Prado porque não é um apoio tímido, que eu tenho vergonha; é uma pessoa que está junto comigo em um projeto”, disse Eduardo em vídeo.
A reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com André do Prado, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem — o espaço segue aberto para a manifestação do pré-candidato.
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