Aproximando-se do fim de abril, o cenário eleitoral brasileiro apresenta uma série de movimentos políticos que ilustram a imprecisão e a indefinição de qualquer tipo de cenário conclusivo acerca de possíveis prognósticos eleitorais. Até aqui, a única certeza é que o voto antipolarização não será hegemônico nas eleições de 2026. A novidade é que o conceito de terceira via se diluiu a ponto de a terceira opção ter que polarizar mais o debate para conseguir espaço.
Trata-se dos casos dos pré-candidatos Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Cada um, ao seu modo, arquiteta um discurso que busca retirar a larga vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) como principal candidato da oposição.
Embora estejam investindo cada vez mais em discursos voltados a atrair os eleitores polarizados e não focar nos votos em Lula nem em Bolsonaro, os principais pré-candidatos enfrentam dificuldades
Romeu Zema tem como principal alvo o Supremo Tribunal Federal (STF), acusando a corte de atuar de forma excessiva e de restringir a liberdade de expressão por meio de investigações, como o inquérito das fake news. Em meio a trocas de declarações com ministros, apontou um distanciamento entre o Judiciário e a população, criticando o que considera uma postura elitista e pouco conectada com a realidade dos brasileiros.
Ronaldo Caiado, por sua vez, aderiu a um discurso em favor de uma anistia voltada para a libertação do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro, como forma de se contrapor às decisões da Suprema Corte, mas sem criar grandes atritos com os ministros, tendo em vista que, como representante do PSD, liderado por Gilberto Kassab, Caiado vem adotando um discurso mais conciliador. Consequentemente, trata-se do pré-candidato com menos visibilidade nas redes, quando comparado com Zema e Renan Santos.
Em uma linha mais polêmica e disruptiva, Renan Santos busca a polarização contra o bolsonarismo. O pré-candidato paulista costuma fazer críticas duras à família Bolsonaro, classificando o ex-presidente como um político tradicional do centrão, sem coerência com o discurso que o elegeu. Ele acusa o ex-presidente de corrupção e de ter atuado para proteger o filho, Flávio Bolsonaro, no caso das “rachadinhas”, inclusive enfraquecendo investigações. Além disso, afirma que Bolsonaro traiu apoiadores ao não assumir liderança após as eleições, evidenciando, segundo ele, falta de firmeza e compromisso político.
Embora estejam investindo cada vez mais em discursos voltados a atrair os eleitores polarizados e não focar nos votos em Lula nem em Bolsonaro, os principais pré-candidatos enfrentam dificuldades para conseguiram reverter tais esforços em resultados. Desse modo, consolida-se novamente a perspectiva de um tira-teima entre bolsonarismo e lulismo.
Victor Missiato é professor de história do Colégio Presbiteriano Tamboré (CPM/Tamboré), doutor em história e analista político.


