O dono da agência de publicidade Mithi, que atuou na campanha coordenada em redes sociais envolvendo influenciadores recrutados para falar do caso Master, depôs nesta terça-feira (12) à Polícia Federal (PF). Thiago Miranda negou ter atuado em um ataque coordenado às instituições, em especial o Banco Central (BC).
A atuação de influencers foi descoberta em janeiro, quando surgiu a informação de contratos que chegariam a R$ 2 milhões e previam cláusula de confidencialidade. Os serviços incluíam a publicação de postagens com uma versão favorável a Daniel Vorcaro no caso da liquidação do banco Master. A narrativa era de que o Tribunal de Contas da União (TCU) veria precipitação no encerramento do banco pelo BC.
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Pelos serviços prestados para recuperar a imagem de Vorcaro, o pagamento seria de R$ 3,5 milhões. Segundo Miranda, apenas o primeiro mês desta prestação de serviços foi pago. “Em momento algum (o projeto DV) tinha por objetivo atacar autoridades ou órgãos de estado”, declarou a jornalistas o advogado Rafael Martins, que representa Thiago Miranda, logo após seu depoimento à PF. A versão é a de que Vorcaro queria apenas melhorar sua imagem após a primeira prisão.
No entanto, informações que constam no contrato e nas mensagens veiculadas pelos influenciadores demonstram que a intenção da campanha era influenciar a opinião pública no sentido de comprometer a credibilidade do BC, que seria apresentado como um órgão a serviço de políticos de esquerda e do “Centrão”.
Campanha nas redes
Os alvos preferenciais das postagens, realizadas no final do ano passado após a primeira fase da Operação Compliance Zero, seriam, além do BC, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a Febraban sentiu os efeitos de uma campanha de difamação coordenada desde o final do ano passado. Um levantamento da entidade indicou um pico de ataques em um intervalo de 36 horas, entre os dias 26 e 29 de dezembro, estendendo-se até 5 de janeiro.
O diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, responsável por indeferir a compra do Banco Master pelo BRB, Renato Dias Gomes, foi um dos alvos. Uma das peças de desinformação dizia: “Mais rápido do que uma pizza: Renato Gomes liquida banco em 40 minutos e joga conta bilionária no seu colo”. A narrativa buscava reforçar a ideia de uma decisão precipitada que resultaria em prejuízo aos correntistas do Master e aos cofres públicos.
As postagens da campanha vieram em meio a decisões do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou uma inspeção urgente no BC para apurar a decisão que levou à liquidação extrajudicial do banco de Vorcaro.
A teia de acontecimentos em torno da liquidação do Master teve um importante desdobramento: a descoberta de um contrato da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos, de acordo com as provas recolhidas pela PF no final do ano passado.
Publicitário de Flávio citado
Escolhido para coordenar a campanha de Flávio Bolsonaro rumo à presidência da República, o publicitário Marcello Lopes constaria como um dos estrategistas do Projeto DV, noticiou nesta terça-feira a Folha de S.Paulo. Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, Lopes afirmou que o envolvimento do seu nome foi uma provável adulteração do documento encaminhado ao jornal.
“É uma fake News, o próprio Thiago já desmentiu, é um jogo sujo para me descredenciar. Estou muito tranquilo porque nunca participei disso. A repórter recebeu um documento adulterado, foi induzida”, afirmou.
Vereador gaúcho denunciou
O vereador Rony Gabriel (PL), natural de Erechim (RS), foi o responsável por expor publicamente pela primeira vez o esquema de contratação de influenciadores e páginas de redes sociais para atacar o BC após a liquidação do Banco Master. Ele ganhou projeção nacional e aprofundou a crise institucional em torno do caso.
Com quase dois milhões de seguidores no Instagram, o pré-candidato a deputado federal revelou ter recusado, em dezembro, convite para integrar o chamado “Projeto DV” — que fazia referência às iniciais do banqueiro Daniel Vorcaro — articulado por agências de marketing digital. No início de janeiro, ele passou a denunciar os bastidores da operação, que já vinha sendo monitorada pela PF.
“O Master juntou do PCC ao STF”, disse ele na época com exclusividade à Gazeta do Povo.


