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Quem é o chefe do Comando Vermelho preso na Bolívia

A lista é vasta: sequestros de adolescentes e de idosos; homicídios com requintes de crueldade e sessões de tortura em plena luz do dia; extorsão de pequenos e grandes comerciantes, tráfico de drogas e armas variadas; roubos cinematográficos; corrupção de menores e lavagem de dinheiro internacional. Os crimes são atrelados ao nome de Kleber Nóbrega Pereira, conhecido como Kekeu, preso na Bolívia no domingo (10).

Ele é um antigo conhecido da polícia baiana e estava foragido desde 2022. O traficante preso é apontado como um dos chefes do Comando Vermelho em Salvador e em outras cidades da Bahia.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública da Bahia, Kekeu é um dos principais chefes nacionais da facção criminosa carioca fora do Rio de Janeiro. Atualmente, ele seria responsável por enviar drogas e armas para os estados da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco, direto do território boliviano.

Entre 2009 e 2012, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia afirma que Kekeu, na época preso na Penitenciária Lemos Brito, ordenava execuções de inimigos e desafetos, tanto em Salvador quanto em outras cidades como Feira de Santana, no interior da Bahia. Um caso emblemático atribuído pela polícia baiana a Kekeu foi o triplo homicídio de Gilberto Santos Sampaio e Igor dos Santos, ambos de 19 anos, e de Luis Danilo de Oliveira Bispo, de 18. Eles foram localizados dentro de um carro no conjunto Santa Madalena, na Avenida Vasco da Gama em Salvador, no ano de 2012.

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Apontado como um dos chefes do Comando Vermelho, Kekeu planejava sequestros

Em abril de 2022, nas ruas depois de um período na cadeia, Kekeu e outras quatro pessoas envolvidas em um esquema de lavagem de dinheiro tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça a pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco) do Ministério Público da Bahia (MP-BA). Ele foi denunciado à Justiça por ocultação e movimentação de dinheiro oriundo do tráfico de drogas e também teve o patrimônio bloqueado, mas seguia foragido desde então. 

As investigações da polícia apontam que, para manter o domínio do tráfico, Kekeu teria ordenado a prática de crimes de extorsão mediante sequestro, inclusive com mortes, comandando atividades comerciais relativas a drogas, nomeando gerentes e utilizando “laranjas”, sobretudo mulheres, na movimentação financeira da facção.

Em 2009, Kekeu também foi apontado pela polícia como líder de uma quadrilha que realizava sequestros. Na época ele estava preso. Uma das vítimas do grupo foi um adolescente de 15 anos que vivia em Feira de Santana. Os sequestradores exigiam R$ 200 mil da família para libertar o jovem — o cativeiro foi localizado pela polícia em Salvador quatro dias depois e a vítima foi libertada.

Segundo as autoridades, a atuação do grupo está concentrada no bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador, além de municípios das regiões Sul e Sudoeste da Bahia — essas seriam as áreas sob comando de Kekéu. “Mais uma grande ação da polícia da Bahia, contando com total apoio das instituições bolivianas. Mostramos, novamente, que não temos fronteiras para combater o crime organizado. Não mediremos esforços para proteger a população do nosso estado”, afirmou após a prisão, Marcelo Werner, secretário da Segurança Pública da Bahia.

“O trabalho de inteligência é imprescindível para a localização de lideranças e também na desarticulação das estruturas financeiras das facções”, disse o secretário. “Seguiremos firmes, sem dar trégua para as facções”, completou nas redes sociais, onde comemorou a operação que resultou nas prisões.

Esposa de Kekeu também foi presa; casal vivia em mansão na Bolívia

A prisão ocorreu durante a operação Artemis, ação integrada da Secretaria da Segurança Pública da Bahia, polícias Federal e Civil, Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) Bahia e a polícia boliviana (Felcn). O líder do Comando Vermelho foi preso em Santa Cruz de La Sierra junto com a esposa, Micaely Santos Silva, também foragida e acusada de participar da lavagem de dinheiro do crime obtido pela quadrilha do traficante dentro da facção carioca, na função de tesoureira.

Eles viviam em uma mansão avaliada em mais de R$ 6 milhões no bairro de Equipetrol, de acordo com informações do governo baiano — o imóvel foi confiscado pelas autoridades bolivianas. Na Bolívia, o casal se apresentava como uma dupla de empresários e vivia com documentos falsos.

Antes de Santa Cruz de La Sierra, Kekeu e a esposa teriam vivido por algum tempo na capital La Paz, de acordo com informações da polícia local. O casal foi extraditado e levado para um cárcere em Corumbá (MS), onde está sob guarda da Polícia Federal com apoio da PM e à disposição das autoridades baianas.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do estado, com a prisão do casal, são seis os líderes do Comando Vermelho presos na Bolívia apenas em 2026 em operações internacionais deste tipo coordenadas pela Interpol.

A reportagem da Gazeta do Povo tentou localizar os advogados do casal para comentar a prisão dos dois, mas não obteve sucesso. O espaço segue aberto para manifestações das defesas e dos acusados.

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