O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, voltou a sofrer pressão em meio a uma onda de renúncias ministeriais nesta terça-feira (12). Ele disse durante uma sessão de gabinete que não tem intenção de deixar o poder, apesar dos crescentes pedidos dentro do Partido Trabalhista para que o faça imediatamente ou ao menos apresente um cronograma para deixar o governo.
Pelo menos três ministros apresentaram sua carta de renúncia do governo nas últimas horas: a ministra do Interior, Jess Phillips; a ministra da Descentralização, Fé e Comunidades, Miatta Fahnbulleh; e o ministro das Vítimas e do Combate à Violência contra Mulheres, Alex Davies-Jones.
Por meio de um comunicado, o gabinete do líder trabalhista disse que o partido dispõe de um mecanismo para contestar a autoridade de uma autoridade e este não foi acionado, uma referência aos 81 parlamentares necessários para forçar eleições primárias dentro da sigla e buscar um substituto.
O primeiro-ministro também citou as consequências econômicas que a instabilidade provocada por sua substituição poderia trazer ao país: “As últimas 48 horas foram desestabilizadoras para o governo e isto tem um custo econômico claro para o país e para as famílias”.
O premiê enfrenta crescente pressão desde os resultados catastróficos obtidos pelo Partido Trabalhista nas eleições da última quinta-feira – municipais na Inglaterra e regionais na Escócia e no País de Gales -, nas quais a legenda perdeu mais de 1.400 cadeiras em conselhos municipais. Por sua vez, o partido de direita Reform UK foi o principal vencedor do novo pleito.
Até o momento, 78 parlamentares pediram a renúncia de Starmer, somando-se a eles a ministra do Interior, Shabana Mahmood, e a das Relações Exteriores, Yvette Cooper, que solicitaram ao primeiro-ministro o estabelecimento de um cronograma claro para sua saída.
Além disso, minutos antes da reunião do gabinete, uma integrante do governo, a secretária de Estado de Habitação, Comunidades e Governo Local, Miatta Fahnbulleh, apresentou sua demissão e instou Starmer a “fazer o que é certo” e também colocar seu cargo à disposição do partido.
Por enquanto, Starmer resiste à pressão, restando apenas um dia para que apresente seu programa de governo no novo período de sessões parlamentares no chamado “discurso do rei” — um pronunciamento feito pelo monarca, mas que reúne os planos do gabinete para os próximos meses.
“O país espera que continuemos governando. É o que estou fazendo e o que devemos fazer como governo”, disse Starmer aos membros de seu gabinete.
VEJA TAMBÉM:


