O governo dos Estados Unidos aplicou nesta segunda-feira (11) uma nova leva de sanções contra três pessoas e nove empresas acusadas de ajudar o Irã a vender e transportar petróleo para a China. Segundo o Departamento do Tesouro americano, a medida mira uma rede usada pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica para driblar sanções, esconder a origem das operações e enviar recursos ao regime iraniano.
A decisão ocorre dias antes da reunião prevista entre o presidente Donald Trump e o ditador chinês Xi Jinping, na qual, segundo a imprensa americana, o republicano deve pressionar Pequim a ajudar a resolver o impasse com o Irã e a reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia.
De acordo com o Tesouro, os alvos da nova rodada incluem quatro empresas sediadas em Hong Kong, quatro nos Emirados Árabes Unidos e uma em Omã. As sanções também atingem três pessoas ligadas à estrutura petrolífera da Guarda Revolucionária, todas acusadas de coordenar pagamentos e operações comerciais para a venda de petróleo iraniano.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que as novas sanções integram a campanha chamada de “Economic Fury”, usada pelo governo Trump para aumentar a pressão financeira sobre Teerã, que segue sem concordar com os termos de paz dos EUA, impedido um cessar-fogo definitivo na guerra no Oriente Médio, que neste momento enfrenta apenas uma trégua tensa.
“Enquanto o Exército do Irã tenta desesperadamente se reagrupar, a Economic Fury continuará privando o regime de financiamento para seus programas de armas, seus proxies terroristas e suas ambições nucleares”, disse Bessent.
Segundo o Tesouro, a Guarda Revolucionária do Irã usa empresas de fachada em países e territórios considerados “mais permissivos” para ocultar seu papel na venda de petróleo e movimentar receitas para fora do Irã. Para Washington, esse dinheiro não é usado para ajudar a população iraniana, mas para financiar programas militares, grupos terroristas aliados no Oriente Médio e forças de segurança responsáveis por reprimir liberdades internas.
“O Tesouro continuará cortando o regime iraniano das redes financeiras que ele usa para realizar atos terroristas e desestabilizar a economia global”, afirmou Bessent, conforme o comunicado americano.
A nova rodada de sanções também mira o uso da chamada “frota sombra”, formada por petroleiros usados para transportar petróleo fora dos canais tradicionais de fiscalização. De acordo com o Tesouro, empresas de Hong Kong, Dubai e Sharjah (nos Emirados Árabes Unidos) e Omã ajudaram a organizar carregamentos de petróleo iraniano em navios já sancionados pelos Estados Unidos.
Entre as empresas citadas estão Hong Kong Blue Ocean Limited, Hong Kong Sanmu Limited, Ocean Allianz Shipping LLC, Atic Energy FZE e Zeus Logistics Group. Segundo o governo americano, essas companhias atuaram na venda, no transporte ou na organização de embarques de petróleo ligados à Guarda Revolucionária.
Segundo o Tesouro, a campanha financeira em curso contra o Irã já interrompeu bilhões de dólares em receitas petrolíferas projetadas para Teerã, levou ao congelamento de quase meio bilhão de dólares em criptomoedas ligadas ao regime e atingiu redes bancárias paralelas usadas pelo Irã.
Além das sanções do Tesouro, o Departamento de Estado anunciou uma recompensa de até US$ 15 milhões por informações que ajudem a desmontar mecanismos financeiros da Guarda Revolucionária.
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