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Ninguém engoliu a escolha de André do Prado

Eduardo Bolsonaro manifestou seu apoio a André do Prado, criticado por Ricardo Salles: “pupilo do Valdemar”. (Foto: Matheus Batista/Agência Alesp / Erik S. Lesser/EFE / Vinícius Loures/Câmara dos Deputados)

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“O centrão é pior que a esquerda, pois se finge de direita quando convém, e depois vota com a esquerda quando convém, toma dinheiro, verba e emenda de todo mundo. O centrão é pior que a esquerda.” – Ricardo Salles

Meu público, com muitos bolsonaristas, não caiu na ladainha do Eduardo Bolsonaro sobre essa escolha absurda de André do Prado para o Senado. E pelo visto foi uma reação bem generalizada.

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Alexandre Pittoli, da rádio Auriverde, o espaço mais bolsonarista na imprensa hoje, entrevistou Eduardo para que ele explicasse a decisão. Mas nem Pittoli ficou convencido, e afirmou que faltou convicção ao ex-deputado do PL. “Quando você assiste a entrevista do Eduardo aqui, e eu tenho o Eduardo no meu coração, […] quando Eduardo traz André do Prado como nome pro Senado em SP, eu não consegui enxergar convicção. […] Eu estou dizendo o que penso e vou até o fim. Ainda existe a possibilidade de sonhar com o ideal pra nós. […] Se eu não compro, como vou vender a ideia? Estou falando de um cara que é centrão, do centrão do centrão. Eu estou lutando contra isso todos os dias. Olha o Ciro Nogueira ontem. A gente está errado na luta? É claro que não!”

A menção ao caso de Ciro Nogueira vem bem a calhar. Afinal, o ícone do centrão fisiológico, que já elogiou Lula e chamava Bolsonaro de “fascista”, foi escolhido como chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, que à época afirmou que era também do centrão e entregava a “alma” de seu governo ao centrão. O resultado está aí, desgastando a direita agora.

Concessões pragmáticas são muitas vezes necessárias na política. Mas há limites! A direita tem os votos, e o centrão fica com o poder e os recursos. Esse tipo de ‘acordo’ tem sido prejudicial ao conservadorismo como um todo

Flavia Ferronato publicou em seu X: “A Veja deu, na sua versão escrita, que Bolsonaro não aceita a indicação de André do Prado. Espero, do fundo do coração, que o Carlos Bolsonaro publique a carta com indicações do pai o mais rápido possível, até pra termos uma orientação real”. A nota diz: “Jair Bolsonaro teve uma crise nervosa ao saber da operação de Eduardo Bolsonaro para lançar André do Prado ao Senado em SP. Não vai aceitar”. Se isso for verdade, Eduardo está traindo o próprio pai, além da direita toda. O que Valdemar estaria lhe oferecendo em troca? A coluna está aberta para uma resposta do próprio Eduardo, para ele desmentir a nota e garantir a todos que teve o aval de seu pai para tal escolha.

Concessões pragmáticas são muitas vezes necessárias na política. Mas há limites! A direita tem os votos, e o centrão fica com o poder e os recursos. Esse tipo de “acordo” tem sido prejudicial ao conservadorismo como um todo. Não custa lembrar que Valdemar Costa Neto queria Ciro Nogueira de vice do Flávio Bolsonaro! O risco de abrir tanto as pernas para o centrão é enorme e pode colocar tudo a perder. O PL tem quadros bons para indicar ao Senado em SP, como Mello Araújo. Cacifar um sujeito como André do Prado é um grave erro.

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Infelizmente um erro que o próprio Flávio já cometeu, ao gravar um vídeo o elogiando, pedindo para que o sigam nas redes sociais e afirmando que ele compartilha dos mesmos valores: “Essa grande pessoa, esse grande homem público, que defende os mesmos princípios que nós”. Que princípios seriam esses, senador? Uma rápida lida nos comentários da postagem mostra que quase ninguém engoliu esse discurso. Sempre haverá a turma dos puxa-sacos, claro. Mas quem pensa por conta própria está visivelmente incomodado com isso tudo, e com toda razão.

Chega de diluir o conservadorismo num caldeirão de centrão fisiológico e nacional-desenvolvimentistas infiltrados. “Não é o momento de divisão”, alguns alegam. Quando será? Depois que essa gente estiver no poder no nome da direita? Há eleição de dois em dois anos no Brasil. Depurar a direita, separar o joio do trigo, expor os infiltrados, isso tudo é fundamental para o futuro do conservadorismo no país. Ou a direita será usurpada por oportunistas, esquerdistas e o centrão.

O único “argumento” que tenho visto para rebater minhas críticas é que estou “chato” e “doente”, mas pergunto: o ícone da direita é alguém que elogia Vargas, curte PCO, dá moral para uma turma que odeia o liberalismo do Paulo Guedes, o Banco Central independente que Bolsonaro aprovou e a Lava Jato, além de compartilhar mensagens do comunista Aldo Rebelo, e ainda escolhe um cara do centrão para ser o candidato ao Senado? É para aplaudir, concordar, calar-se?! Isso vai ser agora a representação da direita conservadora no país? Gostaria de entender…

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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