O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (RS), utilizou as revelações sobre a relação entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), para reforçar o discurso de que o caso Master seria um “BolsoMaster”, ou seja, majoritariamente associado ao entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Com isso, ele defendeu que se instale tanto uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) quanto uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
“A nova fase da Operação Compliance Zero mostra a intimidade do coração do governo Bolsonaro com o esquema do ‘BolsoMaster’. Banco Central, Fazenda, Casa Civil, Previdência, INSS e até o gabinete da Presidência aparecem cercados por operadores da fraude. É hora de instalar a CPMI no Congresso e a CPI na Câmara”, escreveu em suas redes sociais, em postagem desta quinta-feira (7).
Do outro lado, a oposição fala em “LulaMaster”, destacando sobretudo a reunião entre o presidente Lula (PT) e Vorcaro, com a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Outro ponto destacado é o envolvimento do Master com o governo da Bahia, comandado pelo PT desde 2007. O Master ganhou exclusividade para operacionalizar o crédito consignado do programa CredCesta.
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Ciro Nogueira foi ministro da Casa Civil durante o governo Bolsonaro. Durante as eleições de 2018, porém, seu apoio foi a Lula. “[Bolsonaro] tem um caráter fascista, preconceituoso”, disse à época. Durante sua trajetória política, o parlamentar, tido como pragmático, integrou a base da maioria dos presidentes de ocasião: Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Lula (PT), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB).
Agora, sua posição é majoritariamente crítica ao governo petista. Mesmo assim, há pontos fora da curva, como o apoio à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Outra posição divergente se materializou na recusa a assinar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Ao justificar, ele apontou justamente a seu pragmatismo, dizendo que, de qualquer forma, não haveria maioria para retirar o magistrado do cargo.
Ciro Nogueira é acusado pela Polícia Federal (PF) de assinar projetos redigidos pelo Banco Master em troca de benefícios que incluiriam uma mesada de até R$ 500 mil, viagens com tudo pago e uso de um imóvel de luxo de Vorcaro. A defesa repudia a adoção de “medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros” e diz que está à disposição para todos os esclarecimentos necessários.
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