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Mesada, viagens e imóvel de luxo: os benefícios de Vorcaro a Ciro Nogueira, segundo a PF

Na decisão em que determinou busca e apreensão na casa do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça detalhou as conclusões da Polícia Federal (PF) sobre os benefícios que o parlamentar teria recebido do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em troca de sua atuação parlamentar, sobretudo na apresentação da “emenda Master”. As descobertas vieram de dois celulares do banqueiro.

A proposta teria sido redigida pela própria assessoria do Master e entregue em um envelope na casa de Nogueira. Outras minutas também teriam sido encaminhadas, mas recolhidas por ordem de Vorcaro

“Os autos reúnem diversos elementos de prova, dentre os quais se destacam comprovantes bancários de transferências, registros de viagens e mensagens eletrônicas trocadas, em tese, entre integrantes da organização criminosa. Trata-se de elementos que indicam, em status de asserção, a possível prática de atos de corrupção, operações de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e continuidade delitiva”, detalha Mendonça, na decisão desta quinta-feira (7).

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Mesadas de até R$ 500 mil

A decisão aponta para o pagamento inicial de R$ 300 mil mensais, valor que teria subido para R$ 500 mil. A operação seria camuflada sob a forma de uma parceria entre a CNLF Empreendimentos Imobiliários – administrada por Ciro, seu irmão Raimundo e outros três familiares – e a BRGD S.A.

Um agente operacional do esquema, Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, seria o responsável por lavar o dinheiro, por meio de depósitos fracionados em dinheiro vivo, “padrão típico de interposição material voltada à mesclagem de recursos e à mitigação da rastreabilidade da origem ilícita”.

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Participação de R$ 13 milhões vendida por R$ 1 milhão

O ministro cita o “expressivo deságio” caracterizado na venda de 30% da Green Investimentos. O valor de mercado da fatia seria de aproximadamente R$ 13 milhões. Ciro, no entanto, conseguiu adquiri-la por R$ 1 milhão.

A Green possui parte da Trinity Energias Renováveis, fazendo, com isso, jus aos recebimentos. Apenas esta operação faria com que Nogueira recebesse R$ 720 mil em um ano. Em outras palavras, o investimento se pagaria em menos de dois anos, “robustecendo a indicada subvalorização dos papéis transacionados”.

As investigações obtiveram que a ordem para a venda “a preço de banana” teria vindo do próprio Vorcaro e de seu primo, Felipe Cançado Vorcaro, preso temporariamente.

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Financiamento de viagens

O documento cita hospedagens no hotel Park Hyatt New York, cujas diárias chegam a US$ 10 mil, além de despesas em restaurantes de luxo, benefícios que teriam sido destinados tanto a Ciro Nogueira quanto à sua namorada, “Flávia”. Essas despesas contariam com a disponibilização de um cartão de Vorcaro.

“Léo Serrano: ‘Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até Sábado?’; Daniel Vorcaro responde: ‘Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths'”, diz uma conversa interceptada.

O patrocínio a viagens também aparece na relação entre Vorcaro e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. O portal Poder360 revelou que Andrei se hospedou no The Peninsula London, cujas diárias começam em R$ 8 mil, além do patrocínio a uma degustação de uísques de luxo no George Club, com custo aproximado de R$ 3,2 milhões.

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Uso de imóvel

Vorcaro também teria disponibilizado um imóvel de luxo a Ciro Nogueira sem custo. A operacionalização da influência por meio de imóveis já aparece em outro capítulo das descobertas, o que levou à prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Na ocasião, as investigações revelaram que o banqueiro teria negociado a entrega de seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões. Os que teriam sido efetivamente pagos somam R$ 74,6 milhões.

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O que diz a defesa de Ciro Nogueira

Por meio de nota, a defesa repudiou qualquer “ilação de ilicitude”. A defesa diz que o senador está à disposição da justiça para comprovar que não teve qualquer participação nos fatos investigados. Além disso, criticou “medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros”, chamando-as de precipitadas e comparando-as ao “uso indiscriminado de delações premiadas”.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a BRGD e aguarda retorno.

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