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Conselho de Ética aprova suspensão de deputados da oposição que ocuparam Mesa Diretora

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5) o relatório que defende a suspensão dos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Marcos Pollon (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC) pela ocupação do plenário da Casa em agosto de 2025.

Os parlamentares não estão suspensos de forma imediata, pois ainda podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso o recurso seja rejeitado, caberá ao plenário dar a palavra final.

A votação foi individual: Pollon (13 a 4), Van Hattem (13 a 4) e Zé Trovão (15 a 4). Na semana passada, o deputado Moses Rodrigues (União-CE), relator da representação, recomendou a suspensão dos parlamentares por dois meses.

A sessão se estendeu por mais de 8 horas e foi marcada por diversos momentos de bate-boca entre governistas e oposição. “Esta Casa deve impor reprimenda severa, para que fique claro que este Parlamento não tolera o cometimento de infrações dessa natureza”, disse Rodrigues.

Zé Trovão criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e disse estar preocupado com sua equipe, que depende do mandato para se manter.

“O que mais está me doendo hoje — e o que me faz, às vezes, ter vontade de desistir da política — é que não estamos sendo julgados aqui por corrupção, por lavagem de dinheiro ou por desvio de recurso público. Isso aqui é uma perseguição política”, afirmou.

Van Hattem comparou a análise da suspensão ao julgamento dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. O parlamentar disse que é “vítima de perseguição” e que apenas exerceu seu direito de parlamentar “de forma pacífica”.

Pollon disse que a punição é uma forma de “calar aqueles que não se rendem”. “Não será esse revés que vai calar a minha voz”, afirmou.

Protesto durou mais de 30h na Câmara e no Senado

Em agosto de 2025, os deputados da oposição obstruíram fisicamente o funcionamento dos trabalhos da Câmara, ocupando a Mesa Diretora em protesto pela prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O motim durou cerca de 30 horas.

Na ocasião, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), precisaram cancelar sessões e convocaram reuniões de líderes para tentar viabilizar a saída dos parlamentares.

Durante o protesto, Zé Trovão fez uma barreira com a perna na escada que dá acesso à Mesa, impedindo a movimentação de Motta. O impasse durou alguns instantes, até que o deputado do PL liberou a passagem.

Diante da confusão, o presidente da Câmara levou mais de 5 minutos para chegar à Mesa. Van Hattem e Pollon se recusaram a desocupar as cadeiras da presidência e Motta esperou em pé até que outros deputados convencessem os parlamentares da oposição a deixar o local.

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