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IBGE lança mais um mapa múndi invertido com Brasil no centro

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou um novo mapa-múndi com o Brasil no centro e o sul no topo como parte das comemorações pelos 90 anos do instituto. O novo mapa, intitulado “Riqueza de Espécies 2025”, faz parte de uma série lançada com o Brasil no centro do mundo (2024) e com a tradicional orientação Norte–Sul invertida (2025).

Dessa vez, o instituto também reforçou a apresentação dos continentes em proporções consideradas mais próximas da realidade, buscando corrigir distorções comuns em projeções tradicionais. Ao mesmo tempo, rompe deliberadamente com a orientação convencional — que posiciona o norte no topo — ao inverter o mapa e reposicionar o Brasil no centro da imagem.

O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, empossado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023, já vinha promovendo versões semelhantes desde 2024, incluindo uma edição voltada ao G20. Em 2025, o modelo também foi exibido pela ex-presidente Dilma Rousseff durante agenda na China, em apresentação associada à ideia de fortalecimento do chamado “Sul Global”.

De acordo com o instituto, a proposta tem caráter didático e busca estimular novas leituras do espaço global, refletindo mudanças geopolíticas e o maior protagonismo de países do hemisfério sul.  

“Aos 90 anos, o IBGE transforma a cartografia em afirmação política e civilizatória, pois coloca o Brasil no centro, inverte o eixo Norte–Sul e revela os continentes em proporções reais. Por isso, o novo mapa-múndi desafia séculos de visão eurocêntrica e reposiciona o Sul Global no centro do debate sobre biodiversidade, poder e futuro do planeta”, destacou Pochmann.

O IBGE também apresentou o material como uma forma de marcar o Dia Internacional da Diversidade Biológica, celebrado no dia 22 de maio. Sendo assim, o mapa traz informações sobre a biodiversidade ao redor do mundo, por meio do indicador de riqueza de espécies, que mede a quantidade potencial de espécies de anfíbios, pássaros, mamíferos, répteis, crustáceos e peixes de água doce que ocorrem em cada célula de 100 km². Áreas do território brasileiro, incluindo a região Amazônica, aparecem destacadas em verde devido ao elevado número de espécies.

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Série de mapas invertidos gera críticas internas

A série de mapas que apresenta o Brasil ao centro e inverte a posição norte-sul já gerou resistência dentro do próprio instituto. Em 2025, entidades sindicais de servidores afirmaram que o mapa “distorcia a realidade” e classificaram a proposta como uma “encenação simbólica”, sem respaldo nas convenções cartográficas internacionais e potencialmente prejudicial à credibilidade do órgão. 

À época, as críticas ocorreram em um contexto mais amplo de tensão interna no IBGE, com questionamentos à condução da gestão e a decisões recentes na estrutura do instituto.

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