A entrada em vigor provisória do acordo entre o Mercosul e a União Europeia marca um momento importante nas relações econômicas entre as duas regiões, com potencial para ampliar comércio, investimentos e inovação.
Esses efeitos são particularmente relevantes para estados com forte base produtiva e exportadora, como o Paraná. Em 2025, apenas cerca de 10% das exportações do estado tiveram como destino a União Europeia, abaixo da média nacional, o que indica um amplo espaço para ampliar essa presença.
O estado já se destaca em setores competitivos. O Paraná é um dos maiores exportadores nacionais de mel, mas menos de 4% desse volume é destinado ao mercado europeu – justamente o maior do mundo para mel e produtos orgânicos. Isso evidencia um potencial significativo para ampliar a presença paranaense em nichos sustentáveis e de alta qualidade, com maior previsibilidade e acesso a um mercado exigente.
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia abre acesso a um mercado de mais de 450 milhões de consumidores e estabelece regras claras e estáveis, reduzindo custos e incertezas para empresas
Há também oportunidades em produtos industriais de maior valor agregado. O estado exportou cerca de R$ 166 milhões em produtos cerâmicos no último ano, mas apenas uma pequena parcela foi destinada à União Europeia. Situação semelhante ocorre com produtos químicos inorgânicos, cuja presença no mercado europeu ainda é limitada, apesar da relevância do setor e de sua capacidade produtiva.
Ao reduzir barreiras e aumentar a previsibilidade, o acordo cria condições para ampliar essa inserção e diversificar a pauta exportadora paranaense. Mais do que aumentar volumes, trata-se de consolidar presença em mercados exigentes, reduzir riscos comerciais e capturar mais valor ao longo das cadeias produtivas.
O Paraná também tem forte vocação industrial em setores como automotivo e máquinas agrícolas, que podem se beneficiar diretamente da maior integração com cadeias europeias. Essa aproximação tende a estimular ganhos de produtividade, adoção de novas tecnologias e maior inserção internacional das empresas do estado, especialmente em segmentos ligados à inovação e à transição tecnológica.
Nesse contexto, o acordo pode impulsionar o desenvolvimento de soluções em agricultura de precisão, biogás e biometano – áreas em que o Paraná já possui vantagens competitivas, base produtiva consolidada e capacidade de expansão, inclusive com potencial de atrair investimentos europeus.
VEJA TAMBÉM:
Essas oportunidades fazem parte de um movimento mais amplo. O acordo entre o Mercosul e a União Europeia abre acesso a um mercado de mais de 450 milhões de consumidores e estabelece regras claras e estáveis, reduzindo custos e incertezas para empresas.
Além disso, cria um ambiente mais favorável para investimentos. A União Europeia já é o principal investidor estrangeiro no Brasil, com presença relevante em setores industriais e de energia. O acordo tende a ampliar esse fluxo, apoiando projetos de longo prazo e a transição para uma economia mais sustentável.
Em um cenário internacional marcado por incertezas, o acordo representa mais do que uma iniciativa comercial: é uma aposta na integração produtiva, na competitividade e no desenvolvimento sustentável, com benefícios concretos para estados como o Paraná e para o Brasil como um todo.
Marian Schuegraf é embaixadora da União Europeia no Brasil.


