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Brasil não é favorito na Copa, diz Gilberto Silva

Ex-volante da seleção avalia cenário para 2026, vê Brasil atrás de rivais como França, Espanha e Portugal e alerta para riscos de convocar jogadores que voltam de lesão, destacando a importância de chegar ao Mundial em plena condição física.

© Getty


05/05/2026 13:00 ‧
há 1 hora
por Folhapress

Esporte


Copa do Mundo

(UOL/FOLHAPRESS) – Pilar do Brasil tetracampeão do mundo em 2002, Gilberto Silva não vê a seleção como favorita em 2026, e aponta alguns rivais que considera estarem melhor preparados para a Copa do Mundo que se aproxima. Lançando a terceira temporada do programa Encontros da Premier League, da ESPN, no qual entrevista jogadores brasileiros que atuam na Inglaterra, o volante concedeu entrevista à reportagem.

 

“Temos seleções que são muito melhores, como a França, que tem um trabalho longevo. Portugal também tem um trabalho bom, a Espanha… Então não vai ser fácil. Não acho que disputa cabeça a cabeça, mas tem chance de competir. Depende de quanto cada um vai estar disposto a se entregar para isso e reverter toda a desconfiança”, afirmou o ex-jogador, que integrou o elenco campeão no Japão e na Coreia do Sul.

A seleção chega ao Mundial enfraquecida por uma série de lesões. Rodrygo rompeu os ligamentos do joelho e está fora da competição. Nas últimas semanas, Eder Militão e Estêvão sofreram lesões musculares graves: o zagueiro do Real Madrid passou por cirurgia e também está descartado. O jovem atacante está em uma queda de braço com seu clube, o Chelsea, e tenta vir ao Brasil para fazer tratamento conservador na esperança de conseguir jogar.

Gilberto diz que entende que o desejo de atuar em uma Copa mundo leve jogadores ao sacrifício, mas faz um alerta: na visão dele, apostar em jogadores vindos de lesão grave, mesmo que recuperados a tempo, traz um risco não só para os atletas, mas para a própria seleção brasileira.

“A Copa do Mundo é muito curta, e quando você precisa de um jogador lá, ele tem que estar 100% à disposição. Você enfrenta os maiores jogadores, com alto nível e intensidade. Mesmo que se recuperem, se não estiverem 100%, vão precisar de mais tempo para estar nivelados”, explica. “Perdem condição e ritmo de jogo, estarão em um ritmo totalmente diferente dos demais. A carga da Copa do Mundo torna a situação arriscada de levar”.

Gilberto ainda falou sobre a sua geração vencedora em 2002, a capacidade do Brasil desde então para seguir produzindo talentos de alto nível, o trabalho de Ancelotti e respondeu às perguntas mais frequentes a ex-atletas nessa reta final pré-Copa: se levaria Neymar e Endrick entre os 26 convocados.

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Confira os principais trechos da entrevista:

PERGUNTA – Você é parte da última geração campeã do mundo, e agora vê o Brasil em risco de superar o maior jejum sem Copas (o recorde de 24 anos entre 1970 e 1994 foi igualado agora). Qual seu diagnóstico?

GILBERTO SILVA – Pra mim o desafio maior é estar do lado de fora e torcer. Está demorando – após 2002, joguei mais duas Copas e a gente parou no meio do caminho. Isso mostra o quanto é difícil ganhar uma Copa, o quanto é trabalhoso. Tem que se esforçar muito, uma dedicação de corpo, alma e coração para entender o que é representar a camisa amarela e a nossa nação. Vai ser difícil novamente em 2026, mas do lado de fora estaremos na torcida para voltar a ser campeão.

P – Você foi parte de uma das maiores gerações da história em 2002. O que você acha da geração atual, dá para comparar?

GS – O Brasil, desde que me entendo por gente, sempre formou muitos talentos. As pessoas olham para 2002 e fazem essas comparações. Imagina quando ganhou em 1994 e as pessoas olhavam para 1970 – também ficamos esse tempo sem ganhar a Copa e aqueles jogadores também ouviram isso. A diferença é que a comunicação nesta segunda-feira (4) é mais rápida e o volume de informação é muito alto. O Brasil tem sim jogadores muito talentosos. Mesmo sem êxito em conquistas de Copa, continuamos formando grandes talentos, que estão nos maiores clubes da Europa. A não conquista gera uma pressão muito maior.

P – Mesmo com a grande geração, a seleção de 2002 chegou questionada à Copa, assim como a atual. Isso atrapalha ou pode ajudar?

GS – Estar na seleção brasileira é uma pressão muito grande. O Brasil chega numa condição de muita pressão pela dificuldade dentro do ciclo. Mudança de treinadores é algo difícil para a seleção. As eliminatórias foram difíceis lá em 2002, e nesse ciclo também não foi fácil. Mas a diferença é que em 2002 você tinha os melhores jogadores do mundo, os melhores laterais do mundo. Quatro anos antes, a gente tinha chegado na final. Me marcou muito os jogadores que estavam em 1998 dizerem: “não quero chorar de novo, vamos trabalhar duro, sacrificar o que precisar para vencer.” E foi isso que aconteceu. Cada um deixou o ego e o individual de lado.

P – Esse era um traço do trabalho do Felipão, que você viveu. Ancelotti tem um perfil parecido de se aproximar dos jogadores. Como avalia o trabalho e o fato de ser um treinador estrangeiro no comando do Brasil?

GS – Avaliar o trabalho é difícil, o tempo é muito curto. Não é nada muito diferente do que os brasileiros já tiveram – o Felipão foi parecido. Tem a questão da cultura, de ter trabalhado com alguns dos jogadores, o que facilitou bastante. O Ancelotti, pela experiência dele, acredito que tira um pouco da pressão dos jogadores, por tudo que conquistou, pelo perfil, por ser calmo, tranquilo – e isso reflete para os jogadores. Tudo que ele fez até nesta segunda-feira (4) como treinador o credencia para dar essa tranquilidade.

P – Casemiro é o ponto de equilíbrio no meio de campo do Ancelotti, em uma posição que você conhece bem. É possível um jogador de 34 anos carregar essa função uma Copa inteira? Ele tem substituto?

GS – Lógico que é possível. O Modric faz isso com 40 anos e jogando o fino da bola. Eles fazem isso pela qualidade técnica, maturidade e experiência em jogos difíceis, sempre no mais alto nível. Conhecem bem os atalhos do campo, o que diminui o esforço. O Casemiro é um dos poucos jogadores com esse perfil, que fica na frente da zaga para proteger. Torço para que tenhamos outros, porque o jogador não é eterno. Temos poucos perfis para o primeiro volante. Segundo temos vários, mas o primeiro, eu vejo poucos.

P – E o que acha da possibilidade de Neymar ir à Copa?

GS – Até a convocação Neymar tem duas semanas para jogar mais e estar numa condição melhor. Já recuperou bastante e acredito que vai estar em condições de jogar a Copa. Depois da convocação ainda tem mais jogos. Mas a gente não deve esperar o Neymar de 2014, 2018 e 2022 – não pode esperar. Pode esperar um Neymar que vai dar sua contribuição pelo tempo que jogar. Estou super na torcida. É um jogador diferente dos demais.

P – E Endrick? Você esteve com Kaká bem jovem em 2002, acha importante que esses jogadores de grande futuro estejam no grupo?

GS – Vejo como positivo, mas não só pensando nas próximas Copas, pelo presente. O Endrick está fazendo a parte dele bem feita. Tem feito bons jogos e está fazendo por merecer – está correndo contra o tempo. Se for convocado, não vai ser nenhuma surpresa.

P – Ancelotti está em vias finais de renovar o contrato. Manter o treinador por um ciclo completo é importante?

GS – É um sonho. Sempre é um desafio ter continuidade no Brasil. Com Felipão, foi uma pena ele não ter continuado. Tivemos um ciclo com Parreira que foi sensacional – tivemos sucesso, apesar de não ter vencido a Copa, a preparação foi muito boa. O grande desafio que temos é ter essa sequência de trabalho.

P – Alguma mensagem final pros jogadores que forem convocados e que irão disputar a Copa?

GS – Façam o melhor que puderem – estaremos daqui torcendo de verdade. A gente quer ver vocês brilharem, nos representarem da melhor forma. Sucesso para vocês, e vamos juntos com essa corrente positiva para que o Brasil possa voltar de uma forma muito especial. Torcendo para ser campeões, mas se não acontecer, que vocês tenham muito orgulho do que fizeram.

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Folhapress | 06:10 – 05/05/2026

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