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A “lavagem cerebral” de Haddad e a empáfia da esquerda

Responsável pela equipe econômica, Haddad foi apelidado de “Taxad” pela oposição. Estudo mostra que tentativa de estimular consumo interno com taxação não surtiu o efeito desejado. (Foto: Andre Borges/EFE)

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No Dia do Trabalho, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, expôs de forma explícita a visão distorcida que ele, o PT e a esquerda de forma geral têm sobre si mesmos e sobre seus críticos e adversários.

Ao comentar o resultado das últimas pesquisas eleitorais, Haddad não disfarçou o desprezo que eles costumam dedicar a quem não reza pela cartilha do grupo. Ou a quem simplesmente não acredita que Lula deva ser reconduzido ao Planalto nas eleições de outubro.

“É inadmissível o que está se vendo nas pesquisas. O contraste é tão grande que só uma lavagem cerebral coletiva explica uma comparação impossível entre esses dois personagens na história do Brasil”, afirmou o ex-ministro Haddad, com sua fala mansa e seu ar professoral, em evento realizado no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.

Como se fosse o detentor do monopólio da virtude e estivesse acima do bem e do mal, Haddad tratou quem não apoia Lula como um bando de seres hipossuficientes, incapazes de escolher seus representantes de forma racional e consciente – e não por manipulação ou ignorância. Só faltou ele recorrer à velha máxima de Pelé e dizer que “o brasileiro não sabe votar”.

Hoje, quem está na posição de vidraça é Flávio, mas o adversário poderia ser qualquer outro que o discurso provavelmente seria o mesmo, com as devidas adaptações. Na verdade, a afirmação de Haddad não foi um caso isolado. Ela reflete a velha crença marxista de que eles são os “legítimos” representantes dos trabalhadores e quem não os reconhece como tais é “alienado”, “massa de manobra da burguesia” e “lacaio de patrão”.

Para o ex-ministro e sua turma, parece impossível aceitar que grande parte dos brasileiros esteja simplesmente cansada de Lula, do PT e do jeito deles de fazer política. Não aguenta mais vê-los falar dos problemas do país como se o PT não tivesse ocupado o Palácio do Planalto por quase 18 anos desde 2003 e como se muitas das dificuldades do Brasil hoje não fossem resultado das políticas equivocadas que implementaram. Inclusive na atual gestão.

É difícil para eles entender que, de repente, a maioria da população esteja farta dos escândalos de corrupção em escala industrial que marcam os governos petista e das benesses em série concedidas a seus apaniguados na arena empresarial, como o empresário Joesley Batista, do grupo J&F.

Em 2022, muita gente caiu na lorota do frentão “pela democracia” e acabou relevando o petrolão, o mensalão e a prisão do demiurgo petista e de seus principais aliados por corrupção. Acreditou que, desta vez, seria diferente e fez o L no embalo da onda. Mas, agora, diante dos escândalos do Banco Master e das fraudes do INSS, parece que a ficha caiu, como se dizia nos tempos dos velhos orelhões que se espalhavam pelo país.

“Descondenado”

Apesar de o STF (Supremo Tribunal Federal) ter “descondenado” Lula e  seus colaboradores mais próximos e anulado multas bilionárias impostas às empresas e aos empresários que impulsionavam a bandalha, os malfeitos ainda estão presentes na memória de uma parcela considerável dos eleitores. Não há dúvidas de que é principalmente a economia que move o voto, mas a corrupção continua a ser, conforme as pesquisas, uma das grandes preocupações dos brasileiros na hora de ir às urnas.

Quem votou em Lula de nariz tampado em 2022 imaginando que ele faria um governo ecumênico, que honraria a aliança heterogênea que o elegeu, também ficou a ver navios. A tal da frente ampla que viabilizou sua eleição se revelou um verdadeiro estelionato eleitoral. Desde o princípio, Lula e o PT procuraram governar de forma hegemônica, como sempre fizeram, confinando os parceiros eleitorais de conveniência a posições secundárias na Esplanada dos Ministérios e reservando os postos-chaves para as lideranças do partido.

Além disso, o Lula e o PT se mostraram incapazes de admitir que não tinham maioria no Congresso e passaram a “pedir água” ao STF, de forma direta ou por meio de prepostos, sempre que seus projetos eram rejeitados pela maioria dos parlamentares. Numa exemplo emblemático da parceria firmada entre o presidente e o STF, Lula chegou a afirmar certa vez, ao ser questionado sobre a prática sistemática do governo de recorrer à corte: “Se eu não recorrer ao Supremo, não consigo governar”.

No fim, em vez do alegado fortalecimento da democracia que sua eleição representaria, o que se viu foi que as restrições impostas à liberdade de expressão e a perseguição deflagrada contra a direita e até a centro-direita desde antes da última campanha se intensificaram – muitas vezes à revelia da Constituição, dos códigos legais e dos ritos processuais. Um contingente significativo de brasileiros que se identificam mais com as ideias conservadoras foi demonizado e marginalizado da vida política nacional.

Tudo isso pode parecer perfumaria para Haddad, mas é esta a avaliação que muitos eleitores estão fazendo hoje, ao buscar alternativas ao lulopetismo e ao consórcio Lula-STF que assumiu o comando do país nos últimos anos.  É isso que explica, em boa medida, a queda de Lula e a ascensão de Flávio nas pesquisas mais recentes.

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Taxa das blusinhas

Na economia, não é diferente. Não precisa ser um Prêmio Nobel de Economia para se dar conta de que a gastança sem lastro realizada pelo atual governo foi o que levou os juros à estratosfera, para que o  Banco Central pudesse manter a inflação sob controle.

Também não é preciso ser um gênio da economia para saber que foi isso que turbinou o endividamento recorde das famílias e das empresas, enquanto Lula e a primeira-dama Janja da Silva viajam pelo mundo, hospedando-se nos hotéis mais caros com suas entourages ilimitadas. Nem para saber que foi o governo Lula que impôs a chamada “taxa das blusinhas”, penalizando principalmente a população de renda mais baixa, e aumentou de forma generalizada os impostos, prejudicando os negócios e os cidadãos.

Qualquer brasileiro sabe, ainda, quem é que passa pano para a bandidagem e trata os criminosos como vítimas da sociedade – e não há propaganda oficial capaz de mudar essa percepção forjada em quase duas décadas de governos petistas. Não é à toa que Lula e o PT fazem de tudo para fugir do debate sobre a segurança pública. O mesmo se pode dizer em relação à ligação do presidente e do partido com o regime tirânico dos aiatolás, com o ex-ditador Nicolás Maduro, da Venezuela, e com a ditadura cubana.

Apesar de dizer que teme a “interferência externa” nas eleições deste ano no Brasil, Lula não se sentiu constrangido de enviar seu marqueteiro para tentar ajudar – sem sucesso – seus amigos peronistas nas eleições da Argentina, em 2023. Nem de trabalhar, também sem sucesso, pela liberação de um empréstimo do Banco do Brics, dirigido pela ex-presidente Dilma Rousseff, meses antes do pleito no país vizinho. Ou de gravar um clipe para a campanha de Maduro, em 2013.

Neste cenário desolador, de deterioração econômica, leniência com o crime, asfixia das liberdades e proximidade com ditadores, atribuir o crescimento da oposição a uma “lavagem cerebral”, como fez Haddad, vai além até da empáfia clássica do PT e da esquerda em relação aos que não os apoiam. É um caso exemplar de autoengano deliberado que nem os psicólogos e os psiquiatras conseguiriam explicar.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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