O governo de Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (4) a ampliação de uma investigação antitruste contra os quatro maiores frigoríficos dos EUA, incluindo as brasileiras JBS e Marfrig. A suspeita é de formação de cartel e manipulação de preços que ameaçam a segurança alimentar do país.
Quais empresas estão na mira das autoridades americanas?
A investigação foca no grupo conhecido como “Big Four”, que domina 85% do mercado de carne bovina nos Estados Unidos. Fazem parte desse grupo a JBS (através da subsidiária JBS USA), a Marfrig (dona da National Beef), a Cargill e a Tyson Foods. O governo americano aponta que essa concentração excessiva prejudica os pecuaristas, que ficam sem opções para vender seu gado, e os consumidores, que pagam preços mais altos nas prateleiras.
Como o cartel da carne funciona na prática?
Um cartel acontece quando empresas que deveriam ser concorrentes se unem para combinar preços ou controlar a oferta de produtos, eliminando a disputa de mercado. No caso dos frigoríficos, o Departamento de Justiça investiga se elas usaram seu enorme poder para inflar artificialmente os preços da carne bovina no atacado, que registraram alta de quase 20% em um ano, enquanto dificultavam a vida dos produtores rurais locais.
Por que o controle estrangeiro das empresas preocupa os EUA?
O governo Trump destacou que metade das gigantes do setor é controlada por capital brasileiro (JBS e Marfrig). Autoridades como Peter Navarro afirmam que isso é uma questão de segurança nacional. Há o receio de que essas empresas usem sua influência política e comercial para redirecionar o abastecimento de comida dos EUA para outros países, como a China, especialmente após a imposição de tarifas comerciais contra o Brasil.
Quais são as acusações diretas feitas contra a JBS?
Além da suspeita de manipular preços, a JBS foi acusada pelo conselheiro da Casa Branca, Peter Navarro, de tentar interferir no sistema político dos Estados Unidos. Segundo Navarro, a empresa distribui milhões de dólares em doações políticas para ganhar influência. O governo também investiga se a companhia ameaçou a estabilidade do mercado interno em resposta a medidas econômicas adotadas pelo presidente Trump no ano passado.
Como o governo pretende acelerar a coleta de provas?
O Departamento de Justiça anunciou uma medida agressiva: vai oferecer recompensas em dinheiro para delatores. Pessoas que colaborarem com informações comprovadas sobre práticas ilegais no setor de carnes podem receber entre 15% e 30% dos valores recuperados pelo governo. Em casos onde as multas criminais ultrapassarem 1 milhão de dólares, o prêmio para quem denunciar o esquema pode chegar a cifras milionárias.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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