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Se tudo parece tão bem, por que a popularidade de Lula vai tão mal?

Mais brasileiros desaprovam trabalho de Lula, aponta Datafolha. (Foto: EFE/André Borges)

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O ministro da comunicação Sidônio Palmeira não deveria, em tese, ter do que reclamar. Mesmo com as contas públicas gerando preocupações, e os juros estando nas alturas como resultado disso, os números gerais da economia durante o governo Lula 3 são positivos.

O índice de desemprego está em 5.8% (o menor da série histórica), a inflação em 2025 fechou em 4.26% (dentro da meta do Banco Central e o menor número nos últimos seis anos), a renda média dos brasileiros chegou a R$ 3.652 em janeiro de 2026 (recorde da série histórica), e a Bolsa de Valores superou os 199 mil pontos (o maior indicador já registrado). Na tabela de Excel, o Brasil não virou a Venezuela.

Mas, se tudo “vai bem”, por que então a avaliação de Lula vai tão mal? É uma dúvida que atormenta petistas e o núcleo duro do governo. Variados institutos mostram uma desaprovação alta e crescente. Segundo a Quaest, o indicador negativo é de 52%. Já o PoderData aponta 61%. Independente da fonte ou do método de avaliação, o que se sabe, e o Palácio do Planalto parece ciente disso, é que o cenário é muito ruim, e não dá sinal de melhor. A preocupação ganha profundidade na medida em que tudo isso se desdobra em ano eleitoral.

Para o cidadão comum, enquanto a elite institucional chafurda tomando uísque no exterior e em verdadeiros bailes fiscais patrocinados por um banqueiro vigarista, a vida passou a ser uma sucessão de boletos pagos e não pagos se acumulando

Há um inequívoco “mal estar” da sociedade. Condição, aliás, que parece emular um pouco do que se ambientou em 2013, na véspera das chamadas “jornadas de junho”. Na época, a maquiagem oficialesca também ostentava números considerados robustos, mas a insatisfação era generalizada, e acabou se materializando numa onda de protestos que mudou os rumos do país, no que, simbolicamente, determinaria o início do processo que levaria ao impeachment de Dilma Rousseff.

O saldo da impopularidade de Lula não pode ser identificado meramente a partir de uma medição da superfície dos resultados macroeconômicos, mas de uma conjuntura mais profunda, que mescla tanto as dificuldades constatadas na economia real quanto a indignação com as forças políticas e institucionais que representam o status quo da República.

O caso Banco Master, por exemplo, reacendeu o sentimento antiestablishment que se mantinha adormecido desde o crepúsculo da Operação Lava Jato. Ainda que o enfoque midiático seja mais no Supremo Tribunal Federal (STF) do que no Legislativo e no Executivo, é impossível que não haja uma associação do que ocorreu com o governo de turno. Lula paga a maior parte de conta, ainda mais considerando que, para boa parte da população, os ministros do STF são seus aliados.

Na seara da chamada “microeconomia”, que passa ao largo da avaliação de parte considerável dos chamados “analistas de mercado”, a realidade da população é bem mais estéril. O endividamento brutal das famílias, que chegou a impressionantes 80% (recorde histórico), asfixia qualquer sensação de bonança.

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Empregados ou não, todos se sentem asfixiados financeiramente.  Não fosse o suficiente, há ainda o impacto da gigantesca fila do INSS, que chegou a 3.1 milhões de pessoas. O que se têm é a falta de perspectiva do cotidiano econômico somada a falta de perspectiva de futuro.

Na última semana, o governo se mobilizou para fazer passar a pauta da escala 6X1 no Congresso. O tema é visto como fundamental para gerar o fato novo capaz de reanimar Lula nas pesquisas. É improvável que qualquer efeito positivo seja sentido antes da eleição, ainda mais considerando que a negociação política prevê um prazo de transição para a efetivação da medida.

Para o cidadão comum, enquanto a elite institucional chafurda tomando uísque no exterior e em verdadeiros bailes fiscais patrocinados por um banqueiro vigarista, a vida passou a ser uma sucessão de boletos pagos e não pagos se acumulando na caixa de correspondência.

Tomar a aprovação do texto da escala 6×1 como “bala de prata” para inversão dos índices de popularidade é só mais um dos sucessivos erros de avaliação dos áulicos do governo, tão grave quanto aquele que imaginou que um desfile de escola de samba protagonizado por Janja da Silva seria bom negócio para a imagem de Lula.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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