O regime do Irã desdenhou nesta quarta-feira (22) a extensão indefinida do cessar-fogo com os Estados Unidos e Israel, anunciada na terça (21) pelo presidente americano, Donald Trump, e alegou que a continuidade do bloqueio naval imposto por Washington aos iranianos equivale a um ato de guerra e poderá ser respondida militarmente.
Segundo informações da emissora CNN, Mahdi Mohammadi, assessor sênior do presidente do parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que o anúncio de Trump “não significa nada” e que “o lado perdedor não pode ditar as regras”.
Mohammadi chamou a continuidade do bloqueio americano aos portos iranianos de “cerco”, que “não é diferente de um bombardeio”.
O assessor também alegou que a extensão do cessar-fogo seria uma “estratégia para ganhar tempo para um ataque surpresa” e afirmou que “chegou a hora de o Irã tomar a iniciativa”.
O cessar-fogo dos Estados Unidos e de Israel com o Irã a princípio terminaria na noite de terça-feira, horário de Brasília, prazo que depois foi estendido para quarta, até que Trump anunciou ontem que a trégua foi prorrogada por prazo indefinido.
“Considerando que o governo do Irã está seriamente fragmentado, o que não é surpreendente, e a pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro Shehbaz Sharif, do Paquistão, fomos solicitados a suspender nosso ataque ao Irã até que seus líderes e representantes apresentem uma proposta unificada”, escreveu o presidente americano na rede Truth Social.
“Portanto, ordenei que nossas Forças Armadas continuem o bloqueio e, em todos os outros aspectos, permaneçam prontas e aptas, e, consequentemente, estenderei o cessar-fogo até que a proposta deles seja apresentada e as discussões sejam concluídas, de uma forma ou de outra”, acrescentou Trump.
Apesar do anúncio do presidente americano, a agência Reuters informou nesta quarta-feira que pelo menos três navios com contêiners foram atingidos por disparos iranianos no Estreito de Ormuz, citando autoridades de segurança marítima.
Uma nova rodada de negociações não tem data para ocorrer, após o vice-presidente americano, J. D. Vance, que participaria das conversas, ter cancelado a viagem que faria ao Paquistão, diante da exigência iraniana de só negociar quando o bloqueio naval for levantado.
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