A cidade de Urupema, na serra catarinense, consolidou-se como a capital nacional do frio, atraindo turistas e novos investimentos. Empreendedores locais estão transformando o clima gelado e fenômenos naturais raros em experiências exclusivas de hotelaria e agronegócio de altitude.
O que torna o clima de Urupema o mais frio do Brasil?
A cidade está localizada a 1.320 metros de altitude e situada em uma espécie de ‘baixada’ cercada por montanhas. Esse relevo funciona como um buraco onde o ar frio desce e fica represado durante a noite. Isso faz com que as temperaturas caiam drasticamente, resultando em madrugadas congelantes e um número elevado de dias com marcas negativas ao longo de todo o inverno.
Como o comércio local está aproveitando as baixas temperaturas?
Empresários estão apostando no ‘turismo de experiência’. Um exemplo é a criação de pousadas boutique integradas à natureza que oferecem vinhedos próprios e chalés exclusivos. O objetivo é atrair casais e famílias que desejam vivenciar o frio extremo, com geadas e neve, mas com o conforto de sistemas sustentáveis de aquecimento e gastronomia local, como a produção de vinhos de altitude e maçãs.
Quais são os principais fenômenos naturais que atraem visitantes?
Além da neve, que causa comemoração semelhante a um gol em final de campeonato, os turistas buscam o ‘sincelo’. Esse fenômeno ocorre quando cristais de gelo em suspensão grudam na vegetação, criando esculturas naturais. Outro ponto famoso é a ‘cascata congelada’ no Morro das Torres, onde a água realmente vira gelo devido às temperaturas que, com a sensação térmica, podem chegar a -22°C.
A cidade oferece atrativos fora da temporada de inverno?
Sim. Urupema busca diversificar seu turismo durante todo o ano. No outono, o destaque é a colheita da maçã e o Festival do Papagaio-charão, que atrai observadores de aves do mundo inteiro. Na primavera, os campos floridos dominam a paisagem, enquanto no verão o clima ameno serve como refúgio para quem deseja fugir do calor intenso das regiões litorâneas e das grandes metrópoles.
Qual é a base da economia do município além do turismo?
Com apenas 2,7 mil habitantes, a base econômica de Urupema ainda é fortemente ligada ao setor rural. A agropecuária é o carro-chefe, com foco na pecuária de corte e na produção de maçãs, que alcança até 30 mil toneladas por ano. O turismo surge como um complemento essencial que tem crescido de forma estruturada, especialmente após a pandemia, com a busca por destinos de isolamento e natureza.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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