(Foto: Reprodução YouTube)
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O cinema brasileiro ganha um novo capítulo com o documentário A colisão dos destinos, dirigido pelo cineasta Doriel Francisco, que concede entrevista à coluna Entrelinhas. A produção percorre a trajetória de Jair Bolsonaro da infância à chegada ao Palácio do Planalto, mas foge do formato tradicional de cinebiografia. Em vez disso, aposta em um retrato construído a partir de lembranças familiares e relatos íntimos, buscando apresentar um lado menos exposto do personagem.
Um retrato pessoal e sem filtros
Sem antecipar momentos-chave da narrativa, Doriel resume a proposta: “A mensagem principal é o Jair, o nosso presidente Jair Messias Bolsonaro, como ele de fato é”, explica. A construção desse retrato passa, sobretudo, por quem conviveu com ele ao longo da vida. “É um documentário que mostra o presidente numa perspectiva bem familiar, numa perspectiva íntima de quem mais o conhece”, comenta, citando as irmãs, o irmão e os filhos como vozes centrais da obra.
O diretor ressalta que o material reúne conteúdos inéditos e emocionalmente carregados. “A gente traz depoimentos sensíveis, mas verdadeiros, e você percebe como essa família é unida”, observa. As primeiras exibições já indicam uma boa conexão com o público: “O filme está gostoso de ver, e a reação de quem assistiu tem sido muito positiva”.
Produção independente e barreiras no mercado
A realização esteve longe de ser simples. Sem apoio financeiro externo, o projeto foi viabilizado de forma independente. “O filme não tem um real de patrocínio. Todo o investimento é nosso”, pontua. A escolha da equipe também seguiu um critério específico. “Busquei profissionais alinhados com os valores do presidente”, relata.
As dificuldades se intensificaram na etapa de distribuição, especialmente diante do cenário cultural brasileiro, que o cineasta enxerga como predominantemente alinhado à esquerda. Segundo ele, houve resistência por parte de grandes empresas do setor. “Quando a gente apresentou o projeto, houve interesse inicial, mas, na hora de avançar, muitas portas se fecharam”, conta. Em alguns casos, a desistência teria sido motivada por receio de repercussões. “Existe um medo real dentro do setor”, avalia.
Esse contexto levou a equipe a assumir também a distribuição do filme. “Foi uma necessidade. A gente percebeu que, se não fizesse isso, o filme simplesmente não chegaria ao público”, comenta. Para ele, há uma barreira estrutural que dificulta a entrada de produções com posicionamento político diferente do predominante no meio cultural. “É um ambiente muito restrito, que não abre espaço com facilidade”, analisa.
O desafio de retratar uma história recente
Outro ponto delicado foi lidar com a proximidade temporal dos acontecimentos retratados. A solução envolveu pesquisa extensa e um processo de gravação progressivo. “A gente mergulhou em materiais, histórias e relatos antes de começar a filmar”, explica.
O próprio Bolsonaro foi entrevistado apenas na fase final. “Deixar o presidente por último acabou sendo uma vantagem, porque já existia uma base sólida de conteúdo”, lembra. Isso permitiu uma abordagem mais espontânea durante a conversa. “A conversa fluiu de forma leve, respeitando o jeito dele”, completa.
Repercussão e reação da família
A recepção entre familiares também foi marcante. De acordo com o diretor, houve emoção e reconhecimento ao assistir ao resultado final. “Eles disseram que o resultado superou as expectativas e que o filme traduz bem a história que viveram”, relata.
Estreia e expectativa do público
Com pré-estreias realizadas e outras programadas, o longa se prepara para o lançamento nacional. “Dia 14 de maio o filme entra em cartaz no Brasil inteiro”, informa. Ao mesmo tempo, ele incentiva o público a participar ativamente desse processo. “Se o filme não estiver disponível na sua cidade, vale questionar e demonstrar interesse”, sugere.
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