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Oscar Schmidt, um herói brasileiro

Talento ajuda, mas é o treino que faz lendas: Oscar Schmidt provou que disciplina supera dom — e que grandeza também é escolher o Brasil. (Foto: Fernando Bizerra Jr. / EFE)

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Oscar significa lança; Schmidt quer dizer ferreiro. Portanto, quando veio ao mundo, Oscar Schmidt já trazia em seu nome um sinal que prenunciava uma vida de trabalho e conquista.

Filho de um militar e de uma dona de casa, Oscar não teve muito tempo para ser pequeno. Aos 12 anos, já era muito maior que os outros meninos. Apaixonado por futebol, o garoto gigante sonhou em tornar-se goleiro, mas era muito desengonçado para a função. Não chegou a trocar os pés pelas mãos (pois goleiros também as usam), mas migrou do futebol para o basquete, mudança de meta que logo se revelaria a melhor decisão de sua vida.

O primeiro técnico, Laurindo Miura, percebeu que aquele varapau tinha uma diferença em relação aos outros jogadores: a fome de repetir. Como um ferreiro que não se cansa de bater em sua bigorna, Schmidt era o jogador que mais tempo ficava em quadra. Depois do treino, quando todos já haviam ido embora, ele permanecia por lá, exercitando arremessos: uma vez, dez vezes, cem vezes — até que um dia se viu fazendo mil arremessos.

Por esse motivo, o maior jogador da história do basquete brasileiro não gostava muito do apelido “Mão Santa”. Ele sempre corrigia: “Mão Santa, não: Mão Treinada!”

De tanto arremessar a sua lança, tornou-se o melhor do planeta no que fazia. Quando se aposentou, em 2003, aos 45 anos, Oscar Schmidt atingira o posto de maior cestinha do basquete mundial, com inacreditáveis 49.737 pontos em 30 anos de carreira.

Oscar está para o basquete brasileiro como Pelé está para o futebol e como Ayrton Senna está para o automobilismo. É um herói nacional. E, se precisássemos escolher um dia para representar esse heroísmo, certamente seria 14 de agosto de 1987, quando ele comandou o que muitos ainda consideram o maior milagre da história do basquete mundial.

Em Indianápolis, no coração do império que inventou o jogo, o Brasil enfrentava os Estados Unidos na final dos Jogos Pan-Americanos.

Os americanos nunca haviam perdido um jogo oficial em casa. O time deles, embora universitário, era uma constelação que contava com futuros astros da NBA, como David Robinson e Danny Manning. No intervalo, o Brasil perdia por 14 pontos (68 a 54), e o Market Square Arena já preparava a festa para os donos da casa.

Foi então que o herói assumiu o comando da narrativa. Oscar anotou 46 pontos, sendo 35 apenas no segundo tempo. O placar final foi de 120 a 115 para o Brasil: a primeira derrota dos EUA em solo americano, selada pelas mãos de um homem que se recusava a aceitar o destino imposto pelas estatísticas.

Ao final do jogo, ele não comemorou com arrogância; desabou em prantos na quadra, um choro que era o desabafo de quem havia forjado aquela vitória em mil arremessos de mil treinos solitários.

Ali, o jogador Oscar deixou de existir para dar lugar ao mito Oscar, admirado por gigantes do basquete mundial como Kobe Bryant, Shaquille O’Neal, Magic Johnson e seu amigo e padrinho Larry Bird.

Mas há outro motivo para considerar Oscar Schmidt um herói nacional. Por seis vezes, ele recusou convites para atuar na maior liga do basquete mundial, a NBA. Na época, se aceitasse jogar na NBA, seria considerado profissional e estaria proibido de defender a Seleção Brasileira. Por amor à camisa, por amor ao Brasil, Oscar recusou a fortuna e a ascensão pessoal, porque a glória ele já tinha.

Vai, Oscar. Vai fazer as suas cestas de três na quadra do Céu.

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