Aécio Neves criticou o impeachment de ministros do STF e o relatório da CPI do Crime Organizado. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
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É impressionante a falta de memória dos brasileiros de um modo geral. Triste perceber que ainda há “currais eleitorais” num país que já deveria ter se livrado desse modelo há muito tempo. Politiqueiros que estão na vida pública há muito tempo ainda conseguem ser eleitos, quando deveriam estar mortos politicamente. Tanto já fizeram de errado, tanto deixaram de fazer, e os eleitores ainda digitam o seu número na urna eletrônica, entregando o país a um caos sem fim.
Aécio Neves é hoje um dos maiores exemplos desse descalabro. Deveria estar soterrado, entregue à inexistência política, lembrado apenas como referência negativa, como aquilo de que não precisamos. Em vez disso, anda por aí, confortavelmente, propondo “soluções” para restabelecer a confiança da sociedade no Poder Judiciário… E as últimas falas do deputado federal representam um apoio à tirania que tomou conta do Brasil.
As últimas falas de Aécio Neves representam um apoio à tirania que tomou conta do Brasil
Aécio resolveu criticar, sem nenhum pudor, a abertura de processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. O dispositivo é legal, constitucional, e não faltam razões para o afastamento de alguns magistrados que praticaram abusos, arbítrios e ilegalidades e andam agora envolvidos com o dono de um banco fraudulento. Mesmo assim, o tucano afirma: “O Brasil está precisando de tudo, menos de mais ruptura”. É inacreditável que um deputado federal, mesmo diante de tantas interferências do STF no Legislativo, venha com algo assim. Então, o politiqueiro Aécio, suspeito de corrupção em tantas ocasiões, é contra a ruptura com aquilo que não presta?
O mineiro ainda criticou o relatório não aprovado da CPI do Crime Organizado, que pedia o indiciamento, por crime de responsabilidade, de três ministros do Supremo: Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Aécio achou “frágil” o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e chamou o texto de “peça eleitoral”. E piora: o tucano achou normal a reação dos ministros da corte ao relatório. Gilmar Mendes até pediu investigação contra Alessandro Vieira por possível crime de abuso de autoridade! “Eu entendo, sobretudo alguém com a história, a qualidade intelectual e o espírito público do ministro Gilmar, atacado na sua honra, ter esse sentimento”, disse o deputado.
Aécio também saiu em defesa de Alexandre de Moraes. Para o deputado, o ministro é mesmo uma “muralha em defesa da democracia”: “a marca do ministro Alexandre é de alguém que foi absolutamente firme e determinante para que nós não corrêssemos o risco de perder o nosso mais valioso bem, que são as unidades democráticas, as nossas instituições sólidas e funcionando. Acho que essa foi a grande contribuição que o ministro Alexandre deu, e é essa que eu acho que a história haverá de registrar”.
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Ao mesmo tempo em que critica a indicação de pessoas mais jovens para a corte suprema, ele deseja êxito a Jorge Messias, de 46 anos, que ainda nem passou pela sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O deputado disse que “não há nada que desabone” Messias – um defensor do MST e do assassinato de bebês no ventre das mães –, e que ouviu de outros ministros do Supremo elogios à “qualidade técnica” do indicado por Lula.
Definitivamente, o Brasil não precisa de gente como Aécio Neves, que se considera um “neto da democracia”. O deputado, que já enganou muita gente, é presidente nacional do PSDB – como ele, um partido moribundo. É um defensor da “terceira via”, para o bem do Brasil. Aponta para o que não existe como se fórmula mágica fosse. Nem deveria mais ocupar espaço na mídia. Eu mesmo não gostaria de escrever sobre ele, a não ser uma nota de seu obituário político… Que se retire, e o país ficará bem melhor.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos
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