A Justiça do Rio de Janeiro determinou a internação pelo período máximo o adolescente que levou uma estudante para um estupro coletivo em apartamento de Copacabana. Na decisão, foi levada em consideração “gravidade” e a “violência” da conduta, usando a confiança da vítima, com quem tinha intimidade, para planejar a emboscada à jovem de 17 anos.
O adolescente foi condenado a uma internação por período inicial de seis meses. A sentença da juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e Juventude da capital, especifica “que a gravidade da infração e a falha da rede familiar em prover limites adequados justificam a medida extrema”, segundo trecho reproduzido pela Agência Brasil. Outros quatro suspeitos maiores de idade também são investigados pelo estupro.
VEJA TAMBÉM:
A decisão leva especialmente em conta o depoimento da vítima, já que crimes de natureza sexual geralmente ocorrem de forma “clandestina” e “sem testemunhas”. A sentença destacou que o relato da jovem teria sido considerado “coerente, detalhado e corroborado por exames de corpo de delito”, que teriam comprovado o relato de agressões físicas, como socos e chutes dos envolvidos.
A decisão leva em conta ainda o chamado Protocolo para Julgamento sob Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que é usado para auxiliar vítimas de violência sexual para provar a falta de consentimento. O judiciário adotou também uma medida para evitar o trauma da vítima de repetir sua história várias vezes em juízo, tendo sido realizado um único depoimento especial.
O caso
As investigações da Polícia Civil relatam que, em janeiro deste ano, a jovem de 17 anos recebeu o convite de um estudante da mesma escola que ela frequentava, com quem teria tido um relacionamento anterior, para irem juntos à casa de um amigo. Ele pediu que ela levasse uma amiga, mas a jovem disse que não achou nenhuma outra disposta a acompanhar.
Quando chegaram ao prédio, o jovem, de acordo com o relato da vítima divulgado pela polícia, teria dito que fariam “algo diferente”. A adolescente teria recusado, mas concordou em subir para a residência.
No interior do apartamento, a vítima foi a um quarto, onde iniciou atos sexuais com um dos jovens, com quem tinha relacionamento afetivo anterior. Sem o consentimento dela, outros quatro rapazes apareceram e tentaram forçar relações sexuais com ela.
A jovem se recusou, então eles teriam passado a se despir e usar de violência física e psicológica contra ela, segundo seu relato. Após o abuso, a jovem ligou para um irmão, dizendo que tinha sido vítima de um ato que ela acreditava que era estupro.


