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China aumenta vigilância e restrições contra católicos, diz HRW

O regime comunista da China ampliou sua pressão sobre as comunidades católicas do país, intensificando o controle ideológico, a vigilância e as restrições de viagem impostas contra cerca de 12 milhões de católicos chineses, informou nesta semana a organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW).

Segundo a ONG, em relatório publicado na quarta-feira (15), as autoridades chinesas têm aumentado a pressão especialmente sobre as chamadas comunidades católicas clandestinas – aquelas que se recusam a jurar lealdade ao Partido Comunista Chinês – para que se integrem à Igreja oficial que, segundo a organização, é controlada pelo Estado, conhecida como Associação Patriótica Católica Chinesa.

O relatório aponta que a repressão contra essa comunidade começou a ser intensificada a partir de abril de 2016, quando o ditador Xi Jinping lançou a campanha de “sinicização” das religiões. A HRW lembra que a iniciativa obriga igrejas e ensinamentos religiosos a refletir a cultura chinesa de matriz han e a ideologia do Partido Comunista. Desde o início desta campanha, centenas de igrejas foram demolidas ou tiveram suas cruzes removidas na China, e fiéis foram impedidos de se reunir em templos não registrados pelo Estado.

A HRW aponta que o regime comunista chinês tem usado o Acordo Provisório de 2018 entre o Vaticano e Pequim sobre a nomeação de bispos como instrumento de repressão contra os católicos. Segundo a organização, o tratado, que já foi renovado três vezes e atualmente é válido até outubro de 2028, tem servido para pressionar as chamadas comunidades católicas clandestinas a aderir à Igreja oficial controlada por Pequim. Conforme relatos colhidos pela ONG, diversos sacerdotes detidos pelo Estado chinês nos últimos anos foram informados pelas autoridades de que “o Vaticano havia ordenado” sua filiação à Associação Patriótica Católica Chinesa.

O relatório também aponta que a vigilância sobre os fiéis católicos também aumentou. De acordo com o documento, autoridades instalaram câmeras dentro de igrejas oficiais, reorganizaram horários de missas para horários inconvenientes e passaram a exigir pré-cadastro para a participação em cultos em algumas regiões. Crianças têm sido sistematicamente impedidas de entrar em igrejas, numa política que, segundo um católico ouvido pela HRW, “visa cortar os laços geracionais dentro da comunidade católica”.

O cerco se estende ainda ao clero. Conforme regulamentação publicada em dezembro de 2025, todos os sacerdotes, bispos, diáconos e freiras são obrigados a entregar seus documentos de viagem ao Estado, que passa a controlar até deslocamentos pessoais ao exterior. Padres são submetidos a sessões de treinamento ideológico com frequência de até duas vezes por semana em algumas localidades, e seus sermões precisam ser aprovados previamente pelas autoridades.

A HRW pede que a comunidade internacional e a Santa Sé pressionem Pequim a encerrar a perseguição às comunidades católicas e que respeite a liberdade religiosa.

“O governo chinês deve parar de perseguir e intimidar fiéis por manterem sua fé de forma independente do controle do Partido Comunista”, afirmou Yalkun Uluyol, pesquisador da organização para a China.

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