O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou uma viagem oficial à Europa nesta semana para criticar adversários políticos e líderes estrangeiros com linhas ideológicas diferentes da sua em pelo menos duas entrevistas à imprensa internacional.
Entre os alvos citados pelo petista estão o presidente dos EUA, Donald Trump, o argentino Javier Milei, e o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
À revista alemã Der Spiegel, Lula voltou a fazer comentários críticos ao chefe da Casa Branca e sugeriu que conquistou o “respeito” do republicano ao não se curvar às demandas políticas do americano no caso das tarifas. “Trump não foi eleito imperador do mundo”, declarou o petista, que também condenou as decisões de Washington de iniciar conflitos com diferentes países.
O presidente brasileiro também falou sobre as eleições de outubro e a expectativa de uma quarta eleição. A revista alemã mencionou sondagens eleitorais que mostram Flávio Bolsonaro, seu principal concorrente, à frente na disputa. Em resposta, Lula disse que prevê uma vitória de sua base, mas apoia qualquer resultado que fortaleça a democracia brasileira.
Apesar do tom inicialmente conciliador, em seguida ele declarou que “não há lugar para fascistas” no Brasil e que a ideologia de direita que domina o mundo “não tem futuro”, pois “em vez de ideias, ela só espalha ódio e mentiras”.
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Em outra entrevista, desta vez ao jornal espanhol El País, Lula se posicionou sobre o atual cenário na América Latina, no qual os EUA mantêm forte influência desde o retorno de Trump ao poder.
Um dos principais aliados do republicano na região, o presidente argentino, Javier Milei, foi um dos alvos de comentários de Lula.
Ao ser questionado se a Argentina cometeu um gesto hostil ao conceder status de refugiado político a uma pessoa condenada pelos atos de 8 de janeiro, o petista respondeu apenas que não possui qualquer relação com Milei e que não tem interesse em cultivar vínculos com o libertário.
“As decisões dele não me incomodam. Ele tem que resolver os seus problemas com o povo argentino. Veremos o que acontece quando o mandato dele terminar e qual será o resultado do que ele semeou na Argentina”, afirmou.
Lula mantém uma relação pragmática com Milei desde que chegou à Casa Rosada, no lugar do antigo aliado peronista do petista Alberto Fernández. Os dois já trocaram farpas em diferentes ocasiões e evitam o diálogo durante eventos internacionais.
Milei já manifestou apoio a Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de outubro, assim como demonstrou em diversas declarações que é um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao jornal espanhol, Lula enfatizou que o bolsonarismo não voltará a governar o Brasil. Ele menosprezou o empate técnico com o principal adversário de direita, dizendo que está se preparando para um quarto mandato e sua reeleição é “plenamente possível”.
Lula comenta sobre Cuba e Venezuela, ditaduras aliadas de seu governo
Ao ser questionado sobre uma possível queda do regime cubano, Lula se esquivou de dar uma resposta direta e disse que, se aqueles que não simpatizam com a ditadura castrista realmente se preocupassem com o povo cubano, não manteriam um bloqueio econômico de setenta anos.
Já à imprensa alemã, o petista afirmou que os EUA não têm o direito de ameaçar Cuba e disse a população da ilha deveria decidir sobre seu futuro político, sem intereferência.
“Não me cabe julgar o regime cubano – assim como não me cabe julgar o governo alemão. O povo alemão votou, e eu respeito isso”, afirmou, comparando a ditadura de Havana à democrata de Berlim.
Sobre a Venezuela, Lula disse que a situação de crise política não é um problema do Brasil. “Mas se eu fosse venezuelano e vice-presidente, e se o que aconteceu tivesse acontecido no meu governo, eu assumiria o cargo e convocaria eleições gerais. É isso que eu faria”.
Ele continuou: “o que não pode acontecer é os EUA acreditarem que podem governar a Venezuela . Isso não é normal, não tem lugar em uma democracia”.
O presidente brasileiro foi um crítico da operação americana que resultou na captura de Nicolás Maduro em janeiro. Na ocasião, ele classificou como “inaceitável” a captura e prisão do ditador.


