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Como Milei se tornou o maior aliado de Israel na América Latina

O presidente da Argentina, Javier Milei, viajará nesta sexta-feira (17) a Israel para sua terceira visita oficial ao país desde sua posse, em dezembro de 2023 – as viagens anteriores ocorreram em fevereiro de 2024 e junho de 2025.

Em contraponto ao brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chamou a guerra de Israel contra o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza de “genocídio” e foi declarado persona non grata pelo governo israelense, Milei é hoje o grande aliado do governo de Benjamin Netanyahu na América Latina.

Está previsto que na viagem a Israel seja cumprida a promessa de campanha de Milei de transferir a embaixada argentina de Tel Aviv para Jerusalém. O presidente argentino também receberá a Medalha Presidencial de Honra concedida pelo seu homólogo israelense, Isaac Herzog, durante as comemorações oficiais do Dia da Independência de Israel, em 21 e 22 de abril.

“O presidente Milei representa uma liderança ousada e segue uma política clara e inequívoca de apoio ao Estado de Israel, como sionista fervoroso, nos bons e nos maus momentos. Ele nutre um profundo afeto pelo povo de Israel e, por isso, considerei oportuno homenagear todos os seus esforços em nosso nome”, disse Herzog, em comunicado divulgado por seu gabinete na segunda-feira (13).

Milei acumula prêmios por seu apoio a Israel. Em abril de 2024, ele recebeu em Miami uma distinção concedida pela comunidade judaica residente na cidade americana.

Em janeiro de 2025, foi reconhecido com o Prêmio Genesis, o “Nobel Judaico”, que pela primeira vez foi concedido a um chefe de Estado.

Entre as razões para o prêmio, o comitê do Genesis, sediado em Israel, citou a decisão de transferir a embaixada argentina para Jerusalém e a reversão de “anos de votos anti-Israel da Argentina nas Nações Unidas”.

Confira abaixo outras medidas de Milei que o fizeram se tornar o grande aliado latino-americano de Israel.

Abril de 2024: Milei pede prisão de responsáveis por atentado à Amia

O Ministério das Relações Exteriores da gestão Milei pediu a prisão internacional dos responsáveis pelo atentado à sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), ocorrido em Buenos Aires em 1994, e destacou a reivindicação de que fosse detido o então ministro do Interior iraniano, Ahmad Vahidi, hoje comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.

Naquele ano, a Sala II do Tribunal Federal de Cassação Criminal da Argentina atribuiu ao Irã a responsabilidade pelos dois maiores ataques terroristas da história do país sul-americano: o atentado em Buenos Aires que matou 85 pessoas em 1994 na sede da Amia e o ataque à Embaixada de Israel dois anos antes, que havia deixado 29 mortos.

Setembro de 2024: defesa de Israel na ONU

No seu primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU, Milei acusou a organização de votar “sistematicamente contra o Estado de Israel, que é o único país do Oriente Médio que defende a democracia liberal” e de ter demonstrado “uma incapacidade de responder ao flagelo do terrorismo”.

Novembro de 2024: Milei critica mandado de prisão contra Netanyahu

Quando o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra Netanyahu e o ex-ministro da Defesa israelense Yoav Gallant, por acusações de crimes de guerra e contra a humanidade no conflito na Faixa de Gaza, Milei condenou a decisão em comunicado nas redes sociais.

O presidente da Argentina disse que a medida “ignora o direito legítimo de Israel de se defender contra ataques constantes por parte de organizações terroristas como o Hamas e o Hezbollah”.

“Israel enfrenta uma agressão brutal, uma tomada de reféns desumana e o lançamento indiscriminado de ataques contra sua população. Criminalizar a defesa legítima de uma nação enquanto são omitidas essas atrocidades é um ato que distorce o espírito da Justiça internacional”, apontou a nota.

Junho de 2025: Argentina integra Conselho da Paz de Trump

Em discurso no Knesset, o parlamento israelense, na sua segunda visita oficial ao país, Milei criticou a ativista sueca Greta Thunberg, que poucos dias antes havia tentado atracar com um navio com ajuda humanitária na Faixa de Gaza junto de outros manifestantes, mas foi impedida por Israel.

“Um parágrafo separado para a ex-ativista climática que se tornou uma mercenária do ativismo, fazendo tudo o que a esquerda internacional manda em troca de um pouco de imprensa e câmeras”, disse Milei.

“Estou falando de Greta Thunberg, que nos últimos dias fez uma performance de vitimização, fingindo ter sido sequestrada, enquanto dezenas de cidadãos israelenses e do mundo, incluindo argentinos, permanecem sequestrados em condições desumanas”, afirmou o presidente argentino, em referência aos reféns do Hamas que à época permaneciam retidos em Gaza.

No mesmo ano, depois que entrou em vigor um cessar-fogo no enclave palestino, Milei aceitou o convite do presidente americano, Donald Trump, para que a Argentina integrasse o Conselho da Paz, que terá os objetivos de manter a trégua e reconstruir Gaza.

Março de 2026: designação da Guarda Revolucionária do Irã como terrorista

Um dos porta-vozes da presidência, Javier Lanari, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, disse que o governo da Argentina ofereceu enviar esforços militares aos EUA no conflito com o Irã, que desde 28 de fevereiro está em guerra contra os americanos e Israel (atualmente em cessar-fogo).

No dia 31 de março, o governo da Argentina anunciou que passou a designar a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã como organização terrorista.

No comunicado em que divulgou a decisão, a gestão Milei citou os atentados à Amia e à Embaixada de Israel em Buenos Aires nos anos 1990.

“Investigações judiciais e trabalhos de inteligência determinaram que ambos os atentados foram planejados, financiados e executados com a participação direta de altos funcionários do regime iraniano e agentes da Guarda Revolucionária”, afirmou o governo argentino em comunicado.

Abril de 2026: representante do regime do Irã vira persona non grata na Argentina

O governo argentino declarou o representante iraniano no país, Mohsen Soltani Tehrani, como persona non grata. Tehrani deixou o território argentino após cumprir o prazo estabelecido para sua saída.

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