“Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo. Precisamos colocar este mundo em ordem, mas ele está se transformando em uma gigantesca zona de guerra”, declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre seu homólogo americano durante entrevista à revista alemã Der Spiegel, nesta quinta-feira (16).
O petista aproveitou uma viagem oficial à Europa, onde participará de uma cúpula progressista nos próximos dias, para falar com diversos veículos de comunicação sobre sua agenda de política externa.
Para a publicação europeia, ele voltou a defender o multilateralismo como uma “solução” em prol da paz no mundo e também responsabilizou o governo de seu antecessor, Jair Bolsonaro, por uma possível crise de fertilizantes que o Brasil pode sofrer devido à guerra.
Em uma crítica velada a Washington, Lula justificou sua posição em defesa do multilateralismo ao afirmar que a ordem “não funciona quando uma nação usa seu poder econômico, militar e tecnológico para ditar as relações internacionais”. Ele disse que conversou com “amigos” sobre isso, citando os ditadores Xi Jinping e Vladimir Putin.
O líder brasileiro aproveitou a oportunidade de falar ao público alemão para defender pautas antigas, como uma reforma no conselho da ONU. Para ele, é “inaceitável” que a África e o Oriente Médio não tenham um assento permanente no Conselho de Segurança.
Ao falar de gastos militares globais, Lula defendeu que esse dinheiro poderia ser melhor investido no combate à fome ou ao analfabetismo na África ou na América Latina.
Lula comenta sobre tarifas impostas ao Brasil e sugere que conquistou “respeito” de Trump
Ao ser questionado pela revista alemã se teria algum conselho para dar ao chanceler Friedrich Merz para lidar com a política de tarifas do presidente Trump, Lula diz que a universidade da vida lhe ensinou que “ninguém respeita quem não conquista o respeito por si mesmo”.
Ele detalhou um encontro que teve com o líder da Casa Branca na Malásia, no final de outubro de 2025, dizendo que apelou para a idade de ambos. “Veja, eu tenho 80 anos, você fará 80 no dia 14 de junho. Nessa idade, não se brinca no cargo. Você se senta à mesa, olha nos olhos um do outro e faz o que o nosso povo espera de você”, relembrou Lula sobre o diálogo que tiveram.
O petista ressaltou que, independente de diferenças ideológicas, o Brasil continuará buscando manter uma relação produtiva com os EUA. Ele acrescentou que, se Trump não quiser fazer negócios com o país, seu governo encontrará compradores em outro lugar.
Lula critica governo Bolsonaro ao falar sobre impacto da guerra no Irã para o Brasil
O presidente foi questionado sobre o impacto do conflito no Oriente Médio para o Brasil, citando uma possível crise no fornecimento de fertilizantes.
Em resposta, Lula disse que isso ocorre desde o início da guerra na Ucrânia e que o Brasil deveria ter impulsionado a produção nacional de fertilizantes há 20 ou 30 anos. “Em vez disso, o governo do meu antecessor – o ex-presidente Jair Bolsonaro – fechou algumas de nossas fábricas de fertilizantes. Agora estamos tentando reconstruir nossa própria indústria. Não podemos nos tornar dependentes de outros países”.
O petista também falou das intervenções americanas em países da América Latina, condenando a operação de captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Em seguida, disse que os EUA não têm o direito de ameaçar Cuba, vista como o próximo alvo de Trump na região.
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