Dois terços do Senado (54 parlamentares) terão seus mandatos encerrados no fim deste ano. Com o término da atual legislatura, dois partidos do chamado Centrão serão os mais impactados: o PSD, com 11 senadores em fim de mandato, e o MDB, com 10.
Já o PL, de Jair Bolsonaro, é o terceiro que mais perderá membros, com sete senadores, seguido pelo PT, de Lula, com seis. Além das legendas, vale observar o alinhamento político dos parlamentares – alguns deles integram partidos considerados de centro, mas adequam-se a um ou outro espectro, seja por afinidade ideológica ou pragmatismo político.
O bloco de poder com mais senadores em fim de mandato é o centro, com 24 representantes. Já a direita tem 17 parlamentares, e a esquerda, 13.
Apesar disso, a “perda” de senadores pode não se concretizar, já que vários dos que estão concluindo o atual mandato tentarão se reeleger. Jader Barbalho (MDB-PA), por exemplo, está no terceiro mandato como senador e goza de popularidade entre o eleitorado paraense: na última disputa, em 2018, foi o mais votado no estado.
Por outro lado, alguns já anunciaram que não têm planos para permanecer a partir de 2027. Um deles é Eduardo Girão (Novo-CE), uma das vozes mais firmes contra abusos do Supremo Tribunal Federal (STF) na atual legislatura, já que no final de novembro ele lançou a pré-candidatura ao governo do Ceará.
A disputa por vagas no Senado, aliás, é bastante estratégica tanto para a direita, que vê chances de formar maioria capaz de frear a escalada de abusos de ministros do Supremo, quanto para a esquerda, justamente para frear iniciativas do campo oposto. Como de resultado das eleições de 2022 a maioria dos 27 senadores eleitos tem alinhamento à direita – e esses permanecerão ao longo da próxima legislatura –, uma votação expressiva nas urnas em 2026 pode viabilizar processos de impeachment de ministros.
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A lista dos senadores que concluirão o mandato em 2026 com respectivos alinhamentos políticos e aspirações
- Alessandro Vieira (MDB-SE)
Centro-direitaPosicionado como independente, acumulou desgaste com governistas e com a oposição. De um lado, foi um dos principais nomes a favor da instalação da CPI da Lava Toga, buscando investigar o STF; do outro, apoiou pautas governistas, como a legalização da cannabis medicinal e a CPI da Covid. Foi preterido da chapa do governador Fábio Mitidieri (PSD), mas afirma que manterá candidatura à reeleição de forma independente. - Angelo Coronel (Republicanos-BA)
Centro - Carlos Portinho (PL-RJ)
Direita - Carlos Viana (Podemos-MG)
Direita
Vice-líder do governo Bolsonaro durante parte da gestão do ex-presidente, Carlos Viana é um forte crítico do ativismo judicial do STF. Sua atuação incisiva na presidência da CPMI do INSS tem incomodado bastante o governo Lula. Pode migrar para o PSD para disputar a reeleição ao Senado. - Chico Rodrigues (PSB-RR)
Centro - Cid Gomes (PSB-CE)
EsquerdaEx-governador do Ceará e irmão de Ciro Gomes (PSDB), Cid é um dos grandes aliados de Lula na atual legislatura. Chegou a considerar filiar-se ao PT em 2023, mas acabou migrando do PDT para o PSB, ocupando papel de fiel apoiador do governo. Ainda não definiu os planos eleitorais para 2026. - Ciro Nogueira (PP-PI)
Centro-direita
Presidente nacional do partido Progressistas (PP), foi ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro. Voz crítica ao governo no Senado, é uma figura central na articulação da direita e centro-direita no Congresso. Disputará a reeleição. - Confúcio Moura (MDB-RO)
EsquerdaApesar de evitar a polarização, tem alinhamento ao governo do presidente Lula, ao qual costuma fazer frequentes elogios públicos. Vai tentar conseguir a reeleição ao cargo em outubro. - Daniella Ribeiro (PP-PB)
Centro
Senadora do “centro pragmático”, já teve alinhamento com Bolsonaro no passado, mas hoje é vice-líder do governo Lula no Senado. Em agosto de 2025 anunciou que não tentará reeleger-se ao Senado. - Dra. Eudócia (PL-AL)
Centro-direitaApesar de filiada ao PL, foi a única senadora do partido a não assinar o pedido da criação da CPMI do INSS. Também não assinou o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. Ainda não revelou os planos para as próximas eleições. - Eduardo Braga (MDB-AM)
Centro-esquerda - Eduardo Girão (Novo-CE)
DireitaCom mandato marcado por ser um dos críticos mais contundentes em relação a abusos de ministros do STF, em especial de Alexandre de Moraes, Girão não tentará reeleição, mas disputará o governo do Ceará. - Eduardo Gomes (PL-TO)
Direita - Eliziane Gama (PSD-MA)
EsquerdaCPMI do 8 de Janeiro. Nela, ficou marcada por ser uma voz fortemente crítica a Jair Bolsonaro e aliados. Pretende disputar a reeleição a uma cadeira na Casa. - Esperidião Amin (PP-SC)
Direitaem aliança com o PSD após romper com o governador Jorginho Mello (PL-SC), que lançou a dupla Carlos Bolsonaro e Carol de Toni, ambos do PL. - Fabiano Contarato (PT-ES)
Esquerda - Fernando Dueire (MDB-PE)
Centro - Flávio Arns (PSB-PR)
Centro-esquerda
Integra a base do governo, mas tem perfil discreto e mantém neutralidade em temas espinhosos. Evitou, por exemplo, posicionar-se sobre o impeachment de Moraes. Tem dito à imprensa que avalia disputar a reeleição ou se aposentar. - Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Direitanome escolhido por Bolsonaro para disputar a Presidência da República em 2026. - Giordano (MDB-SP)
Centro - Humberto Costa (PT-PE)
Esquerda - Irajá (PSD-TO)
CentroOriundo do agronegócio, tem alinhamento pragmático ao governo Lula. Foi o único senador do Tocantins a declarar voto contrário ao impeachment de Moraes neste ano. Pretende reeleger-se por mais um mandato. - Ivete da Silveira (MDB-SC)
Centro-direitaAssumiu a cadeira após Jorginho Mello deixar o Senado, em 2022, para assumir o governo catarinense. Com perfil discreto, declarou ser favorável ao impeachment de Moraes após pressão de parlamentares do PL. Não deve concorrer à reeleição. - Izalci Lucas (PL-DF)
DireitaAliado de Bolsonaro, deixou o PSDB em 2024 para filiar-se ao Partido Liberal. No Senado, é uma voz firme contra o governo Lula. Como no Distrito Federal há forte disputa interna entre nomes da direita pelas vagas no Senado, Izalci anunciou que pode concorrer ao governo do DF. - Jader Barbalho (MDB-PA)
Centro
Político tradicional do Pará, é uma figura influente no MDB, base do governo, e pai de Jader Filho, ministro das Cidades de Lula. Ainda não confirmou eventual tentativa de reeleição – caso seja reeleito, cumprirá o quarto mandato como senador. - Jaques Wagner (PT-BA)
Esquerda
Ex-governador da Bahia e ex-ministro de Dilma Rousseff (PT), é uma das principais lideranças da esquerda na Casa e o atual líder do governo no Senado. Anunciou que disputará a reeleição em 2026. - Jayme Campos (União-MT)
Centro-direitaDe perfil discreto, prioriza pautas ligadas ao agronegócio, desenvolvimento regional e infraestrutura. É favorável ao impeachment de Moraes. É pré-candidato ao governo do Mato Grosso. - Jorge Kajuru (PSB-GO)
Centro-esquerda
Ex-jornalista esportivo, é marcado por debates acalorados no Parlamento. Apesar de ser o autor da PEC em tramitação que proíbe reeleição para presidentes, governadores e prefeitos, chegou a dizer que avaliava disputar reeleição no Senado. Agora, não deve levar adiante a possibilidade de tentar novo mandato na Casa. Costuma votar de forma alinhada ao governo. - Margareth Buzetti (PP-MT)
DireitaAssumiu o cargo no lugar de Carlos Fávaro, licenciado para ser ministro da Agricultura de Lula. No entanto, rompeu com o partido e passou a integrar a oposição ao governo. Em setembro de 2025 licenciou-se do Senado por 120 dias, com a vaga sendo ocupada temporariamente por José Lacerda (PSD-MT). Vai tentar a reeleição. - Leila Barros (PDT-DF)
Centro-esquerda - Lucas Barreto (PSD-AP)
CentroCom longa trajetória política no Amapá, cumpre o primeiro mandato como senador. Apesar de compor a base governista, tem posicionamento independente. Declarou, por exemplo, ser favorável ao impeachment de Moraes. Pretende concorrer à reeleição. - Luis Carlos Heinze (PP-RS)
DireitaConservador e com forte ligação com o agronegócio, tem atuação firme na oposição ao governo Lula. Anunciou a intenção de tentar se reeleger. - Mara Gabrilli (PSD-SP)
Centro-esquerda
Vice na chapa de Simone Tebet à Presidência em 2022, tem discreto alinhamento com pautas governistas, mas não é apoiadora de Lula. Em junho do ano passado, disse à imprensa que não tentaria se reeleger, e que seu objetivo seria conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo. - Marcelo Castro (MDB-PI)
EsquerdaAliado próximo de Lula, foi ministro da Saúde de Dilma Rousseff em 2016. Anunciou que disputará a reeleição, com o apoio do presidente petista. - Marcio Bittar (PL-AC)
DireitaUm dos aliados de Bolsonaro no Senado, migrou do União Brasil para o Partido Liberal e é um dos líderes da oposição na Casa. Em 2026, disputará a reeleição. - Marcos do Val (Podemos-ES)
DireitaApesar de se identificar com pautas conservadoras, Marcos do Val acumulou controvérsias ao longo da legislatura. Chegou a dizer que Bolsonaro teria o coagido a tentar dar um golpe de Estado, mas voltou atrás. Anunciou que pretende disputar a reeleição ao Senado. - Marcos Rogério (PL-RO)
Direita - Mecias de Jesus (Republicanos-RR)
Centro-direita
Líder do Republicanos no Senado e vice-presidente nacional do partido, é membro influente na bancada evangélica e tem uma postura crítica ao governo Lula. Tem alinhamento com pautas de direita e apoia Jair Bolsonaro. Renunciou ao cargo de senador e assumiu vaga de conselheiro no Tribunal de Contas de Roraima. - Nelsinho Trad (PSD-MS)
Centro
impeachment de Alexandre de Moraes. Tem planos para disputar a reeleição. - Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)
Centro-direita - Paulo Paim (PT-RS)
EsquerdaSenador com histórico na área sindical e filiado ao PT desde 1985, é um dos nomes mais fortes da esquerda na Casa. Após três mandados consecutivos no Senado, em agosto anunciou que não concorrerá a nenhum cargo eletivo em 2026. - Plínio Valério (PSDB-AM)
DireitaAlinhado ao conservadorismo, é voz de oposição ao governo e crítico de abusos do STF. Em seu mandato, presidiu a CPI das ONGs, ocasião em que confrontou membros da gestão Lula, como Marina Silva, ministra do Meio Ambiente. Confirmou que tentará se reeleger em 2026. - Randolfe Rodrigues (PT-AP)
EsquerdaFoi vice-presidente da CPI da Pandemia, onde se destacou como um dos principais opositores de Bolsonaro e aliados. Líder do governo Lula e figura central na articulação governista no Senado, disputará a reeleição em 2026. - Renan Calheiros (MDB-AL)
Centro-esquerdaEnvolvido em diversas controvérsias ao longo da carreira política, Calheiros é aliado de Lula no Senado. Deve enfrentar seu rival histórico – o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) – na disputa por uma cadeira no Senado. - Rogério Carvalho (PT-SE)
EsquerdaÉ líder do PT no Senado e um dos articuladores governistas. Perdeu a disputa para o governo de Sergipe em 2022 e avalia tentar a reeleição no Senado ou lançar-se novamente candidato ao governo estadual. - Rodrigo Pacheco (PSD-MG)
Centro-esquerda
Foi eleito presidente do Senado em 2023 após vencer Rogério Marinho (PL), o candidato da oposição, contando com forte apoio do governo Lula e da base petista. Anunciou que encerrará sua carreira política ao fim do atual mandato. - Sérgio Petecão (PSD-AC)
CentroUm dos fundadores do PSD, é discreto em posicionamentos e busca manter-se neutro em assuntos sensíveis ou polarizadores. Foi ambíguo em relação ao impeachment de Moraes. Anunciou que disputará a reeleição. - Soraya Thronicke (União-MS)
Centro - Styvenson Valentim (PSDB-RN)
Centro-direitaEx-policial militar, tem atuação focada na segurança pública, no controle de gastos e em pautas regionais. Pende à crítica ao governo Lula, mas não é alinhado a Bolsonaro. Deve tentar a reeleição. - Vanderlan Cardoso (PSD-GO)
CentroApesar de o partido dele integrar a base de Lula, tem uma postura de independência. Tem alinhamento discreto a Bolsonaro e costuma criticar o governo Lula, sobretudo na área econômica. Pretende concorrer à reeleição. - Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)
EsquerdaSenador alinhado à agenda governista e próximo de Lula, teve papel central na articulação para a aprovação do Arcabouço Fiscal, de grande interesse do governo. Pretende disputar a reeleição. - Weverton (PDT-MA)
Esquerda - Zenaide Maia (PSD-RN)
EsquerdaSenadora em primeiro mandato, tem alinhamento à esquerda e apoia a agenda governista no Senado. Declarou voto em Lula nas Eleições de 2022. Tentará se reeleger em 2026. - Zequinha Marinho (Podemos-PA)
Centro-direitaÉ ex-governador do Pará e cumpre o primeiro mandato como senador. Ligado ao agronegócio e membro da bancada evangélica, apoiou Bolsonaro nas eleições de 2022. Pretender concorrer à reeleição.


