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Estado-Ladrão: um governo em que roubam até a farmácia

Operação da PF, Receita e CGU mira grupo suspeito de desviar R$ 30 milhões do Farmácia Popular com uso de CNPJs e CPFs para registrar vendas fictícias. (Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil)

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1- Parece cena de filme brasileiro bancado pela Rouanet: uma farmácia de bairro, com portas fechadas e poeira acumulada, de repente ganha vida nos registros eletrônicos do governo. Não há clientes, não há farmacêuticos, não há remédios — mas, nos computadores de Brasília, as vendas pululam como se o povo tivesse descoberto a cura para a morte.

As facções narcoterroristas, com a habitual eficiência criminosa, descobriram que ressuscitar CNPJs falecidos dá mais lucro do que abrir bocas de fumo. Compram a carcaça da farmácia para injetar nela o sangue do dinheiro público. No lugar do farmacêutico zeloso, há o contador do tráfico; em vez de aliviar a dor, financia-se o fuzil das FARC. No Brasil, recordista de mortes empresariais, o narcoterrorismo opera no ramo da necrofilia financeira.

2- Até prova em contrário, não foi o atual governo que roubou a Farmácia Popular. O problema é que, ultimamente, essa prova em contrário sempre vem. Roubaram os velhinhos do INSS, e quem está envolvido até o pescoço? O filho de Lula, o irmão de Lula e os companheiros sindicais de Lula.

Deram o golpe do Master, e quem fez um contrato milionário com o banco? O Imperador Calvo e a Imperatriz Consorte, para não falar do “amigo do amigo do meu pai”. O Estado não rouba no balcão da farmácia; ele permite que as facções o façam no varejo para que ele possa continuar, no atacado, a operar o assalto legalizado no andar de cima.

3- Os brasileiros são hoje escravizados por um Estado-Ladrão, que não apenas permite e estimula o crime, mas o adota como forma de governo. O Brasil não é uma república; é uma cleptocracia. Nosso Estado-Ladrão prefere trabalhar no éter do orçamento e com o carimbo da legalidade: pratica o assalto no atacado, não no varejo.

O roubo maior se esconde sob as formas de impostos criminosos, gastos desenfreados, rombo nas estatais, supersalários e dívida pública. Quando a conta da dívida atinge R$ 10 trilhões, o governo, muito além de administrar mal, está confiscando o trabalho de gerações que ainda nem nasceram. O que é um batedor de carteira diante de um assaltante ubíquo que opera por meio do Diário Oficial e rouba o futuro do país?

4- Como age o Estado-Ladrão no dia a dia? Nesta semana, meu amigo Roberto Motta, colunista da Gazeta, deu um exemplo didático. Tomou o caso de um trabalhador assalariado que ganha R$ 10 mil por mês — e que, portanto, segundo os critérios do atual governo, seria um playboy.

Ao contratar o playboy, o empregador tem que pagar quase o mesmo valor do salário (cerca de R$ 9 mil) a um sócio não solicitado: o governo. Dos R$ 10 mil que recebe, o trabalhador só leva para casa R$ 7 mil, porque R$ 3 mil ficam retidos para pagamento de Imposto de Renda, FGTS e descontos vários.

Dos R$ 7 mil que sobram para ele, cerca de 50% vão embora para pagar os impostos embutidos em tudo o que ele compra. Sobram-lhe R$ 3,5 mil, então? Negativo. Com esse dinheiro, ele precisa pagar outros impostos (como IPTU e IPVA) e gastar com saúde, segurança e outros serviços pelos quais o governo cobrou e não entrega. Assim funciona o Estado-Ladrão. Assim se mantém essa máquina imensa, ineficaz e corrupta que drena todas as forças vitais da sociedade brasileira.

5- Para que o permanente assalto funcione sem sobressaltos, é necessário que os cães de guarda — os Cérberos do sistema — estejam devidamente alimentados. O TCU é o monumento máximo dessa perversão: o órgão que deveria zelar por cada centavo do contribuinte tornou-se um ralo de supersalários e privilégios nababescos que fariam inveja a monarcas absolutistas.

Sete em cada dez servidores do Tribunal de Contas da União recebem salários maiores do que o teto constitucional de R$ 46,3 mil. Entre dezembro de 2023 e o início de 2026, o tribunal destinou R$ 55 milhões apenas para pagamentos que excederam o teto. Além disso, foram registrados casos de salários que atingiram R$ 264 mil em um único mês, turbinados por licenças compensatórias vendidas, ajudas de custo e diárias internacionais.

O TCU é a raposa cobrando aluguel para vigiar o galinheiro, com o requinte de exigir o melhor vinho para acompanhar o banquete

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6- Mas o prejuízo não se resume às moedas que somem ou aos impostos que sufocam o trabalhador. O Estado-Ladrão é ambicioso demais para contentar-se apenas com o seu bolso; ele quer o que você tem de mais sagrado. Ao subverter as leis para proteger companheiros e perseguir desafetos, ele rouba a Justiça.

Ao censurar opiniões, amordaçar o pensamento e banir jornalistas sob o pretexto de defender a democracia, ele rouba a Liberdade. O dinheiro, afinal, foi uma invenção dos homens para facilitar as trocas de mercadorias; é papel que o vento leva ou que a inflação consome.

A Liberdade e a Justiça, por sua vez, são substâncias imateriais, dons criados por Deus para elevar a dignidade humana. Quando o governo avança sobre elas, está cometendo um sacrilégio contra a ordem natural. Sim, o Estado-Ladrão quer roubar sua alma.

7- A tragédia brasileira é que estamos cercados por dois crimes que bebem da mesma fonte amaldiçoada. De um lado, o narcoterrorista que usa a carcaça da farmácia para lavar o dinheiro do tráfico; de outro, o burocrata que usa o Diário Oficial para vampirizar o país. Entre o balcão empoeirado e o mármore de Brasília, o homem comum é o eterno espoliado. Contudo, resta uma certeza que o Estado-Ladrão jamais poderá revogar: a de que o seu poder é temporal e limitado.

O César da vez pode imprimir dinheiro, aumentar a dívida e ditar sentenças, mas nunca poderá criar a Justiça ou conceder a Liberdade — pois o que é de Deus não se sujeita a carimbos nem se rende a cleptocratas.

O Estado-Ladrão não encontrou a arma para confiscar a alma de quem se recusa a ser escravo. Não venda a sua alma, porque, para isso, não há remédio.

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