O rapper Mauro Davi Nepomuceno, conhecido como Oruam, teve um habeas corpus revogado nesta semana pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por “desrespeito reiterado” à medida cautelar de uso de tornozeleira eletrônica. Segundo o STJ, o artista teria desligado o aparelho 28 vezes em um intervalo de 45 dias.
A Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) do Rio de Janeiro informou, no entanto, que ele violou o monitoramento 66 vezes desde novembro do ano passado (veja nota completa abaixo). Em uma das ocasiões, o registro foi de “alto impacto” – ou seja, o equipamento foi danificado por uma violenta pancada. No dia 9 de dezembro, o rapper compareceu à SEAP para realizar a troca do equipamento.
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Desde então, as violações persistiram, informou a Seap. Foi constatado que Oruam manteve o aparelho desligado desde o último dia 1º, véspera do dia em que sua prisão preventiva foi decretada. Até o momento, a defesa do cantor não foi localizada para comentar o caso.
Procurado
A polícia do Rio iniciou as buscas por Oruam na terça-feira (3), quando ele passou a ser considerado foragido. As autoridades estiveram em seu endereço declarado, em Jacarepaguá, na capital fluminense, mas não o encontraram. Outras diligências seguiram para localizar o paradeiro do foragido.
A defesa do rapper havia solicitado a prisão domiciliar humanitária, alegando que ele possui “comorbidades no pulmão”, embora não tenham sido especificadas. Os advogados também sustentaram que não houve desligamento intencional, argumentando que o equipamento apresentava “falhas técnicas recorrentes”, como problemas na bateria e interrupções de sinal.
Preso 60 dias
O histórico judicial do cantor inclui uma prisão preventiva em julho de 2025, quando foi acusado de crimes como tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, ameaça e tentativa de homicídio contra policiais.
Após passar mais de 60 dias preso no Complexo de Gericinó, em Bangu, Oruam obteve a liberdade condicional em setembro de 2025. Na ocasião, o STJ substituiu a prisão por restrições que incluíam o uso da tornozeleira, recolhimento domiciliar noturno e apresentações periódicas em juízo.
Oruam é filho de Marcinho VP, apontado pelo Ministério Público como uma das principais lideranças da facção Comando Vermelho. O rapper ganhou grande visibilidade midiática em março de 2024, quando aproveitou sua performance no festival Lollapalooza, em São Paulo, para pedir publicamente a soltura de seu pai, que cumpre pena por crimes como homicídio e formação de quadrilha.
Veja íntegra da nota da Seap
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária informa que Mauro Davi dos Santos Nepomuceno compareceu à Central de Monitoração Eletrônica no dia 09 de dezembro, ocasião em que foi realizada a troca do equipamento.
Após o comparecimento e a substituição do dispositivo, a tornozeleira retirada foi encaminhada à perícia técnica, que constatou dano eletrônico, possivelmente decorrente de alto impacto.
O monitorado utiliza tornozeleira eletrônica desde 30 de setembro e, desde 1º de novembro, passou a apresentar sucessivas violações, totalizando 66 ocorrências, sendo 21 graves somente em 2026, em sua maioria relacionadas à falta de carregamento da bateria.
As violações foram formalmente comunicadas ao Poder Judiciário, com relatórios mensais encaminhados à Terceira Vara Criminal. Após a troca, o novo equipamento voltou a apresentar falhas por ausência de carregamento, e desde 1º de fevereiro permanece descarregado, o que compromete o acompanhamento da medida judicial.


