{"id":74766,"date":"2025-12-29T14:52:11","date_gmt":"2025-12-29T18:52:11","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=74766"},"modified":"2025-12-29T14:52:11","modified_gmt":"2025-12-29T18:52:11","slug":"de-saida-da-fazenda-haddad-abre-disputa-por-sucessao-e-pode-voltar-as-urnas-mas-nao-quer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=74766","title":{"rendered":"De sa\u00edda da Fazenda, Haddad abre disputa por sucess\u00e3o e pode voltar \u00e0s urnas \u2013 mas n\u00e3o quer"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Com anteced\u00eancia calculada, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/fernando-haddad\/\">Fernando Haddad <\/a>anunciou que deixar\u00e1 o Minist\u00e9rio da Fazenda at\u00e9, no m\u00e1ximo, fevereiro. Uma tentativa de reduzir a incerteza \u2013 algo que n\u00e3o conseguiu entregar ao longo de sua gest\u00e3o. O ministro planeja focar na campanha eleitoral.<\/p>\n<p>Em f\u00e9rias desde 22 de dezembro, Haddad retornar\u00e1 ao trabalho em 12 de janeiro, o que significa que ficar\u00e1 no cargo por apenas algumas semanas at\u00e9 sua sa\u00edda.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/republica\/haddad-confirma-deixara-fazenda-ajudar-lula-campanha-reeleicao\/\">declara\u00e7\u00e3o de que deixar\u00e1 a Fazenda,<\/a> feita em entrevista de fim de ano a jornalistas que cobrem a pasta, deu previsibilidade \u00e0 transi\u00e7\u00e3o, afastou o risco de sobressaltos imediatos no mercado e explicitou o reposicionamento pol\u00edtico do ministro, que confirmou a inten\u00e7\u00e3o de atuar diretamente na campanha do presidente Lula \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda assim, a sucess\u00e3o se imp\u00f5e como um novo teste de credibilidade para o governo. As aten\u00e7\u00f5es se voltam agora para quem herdar\u00e1 um mandato marcado por altos e baixos na rela\u00e7\u00e3o com o Congresso, embates com os pr\u00f3prios correligion\u00e1rios e um arcabou\u00e7o fiscal cumprido aos trancos e barrancos.<\/p>\n<p>A d\u00favida \u00e9 se os nomes naturais da fila \u2013 como o secret\u00e1rio-executivo da Fazenda, Dario Durigan, preferido de Haddad, e o secret\u00e1rio do Tesouro Nacional, Rog\u00e9rio Ceron \u2013 t\u00eam for\u00e7a pol\u00edtica e autonomia suficientes para sustentar o legado de Haddad em um ano eleitoral.<\/p>\n<p>Carlos Henrique, CEO da fintech Sttart Pay, considera que o nome escolhido dar\u00e1 o tom do que esperar da pol\u00edtica econ\u00f4mica. &#8220;Em um Brasil que j\u00e1 definiu suas principais \u00e2ncoras, arcabou\u00e7o fiscal e reforma tribut\u00e1ria, o desafio agora \u00e9 menos formular novas regras e mais executar com consist\u00eancia&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Embora afirme que deixa a pasta tendo entregado o que prometeu, Haddad tem uma avalia\u00e7\u00e3o controversa. &#8220;Seu balan\u00e7o \u00e9 misto: atuou em um ambiente pol\u00edtico complexo, reconstruiu canais com o Congresso, estruturou o arcabou\u00e7o e manteve a pol\u00edtica econ\u00f4mica dentro de limites reconhec\u00edveis para o mercado&#8221;, diz Henrique. &#8220;Mas n\u00e3o \u00e9 um s\u00edmbolo absoluto de ajuste fiscal.&#8221;<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, aponta que a mudan\u00e7a de comando ter\u00e1 impacto nulo na pr\u00e1tica. &#8220;Do ponto de vista econ\u00f4mico, n\u00e3o muda nada.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, transi\u00e7\u00f5es desse tipo costumam elevar ao posto um substituto focado em gerenciar o cotidiano sem grandes rupturas. O novo ministro enfrentar\u00e1 um &#8220;prazo supercurto&#8221; para novas medidas, pois a m\u00e1quina p\u00fablica tende a paralisar devido \u00e0s elei\u00e7\u00f5es. Portanto, o cen\u00e1rio ser\u00e1 de manuten\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 foi contratado.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica econ\u00f4mica para 2026 j\u00e1 est\u00e1 desenhada e aprovada pelo Congresso, lembra Thiago Sbardelotto, analista da XP Investimentos. As regras para programas sociais e as isen\u00e7\u00f5es do Imposto de Renda j\u00e1 est\u00e3o dadas. Mudan\u00e7as significativas na estrat\u00e9gia econ\u00f4mica s\u00e3o improv\u00e1veis ao longo do ano.<\/p>\n<h2>Quem herda a Fazenda em ano eleitoral<\/h2>\n<p>O substituto de Haddad enfrentar\u00e1 uma m\u00e1quina p\u00fablica paralisada pelo processo eleitoral. O prazo para novas medidas ser\u00e1 curto e limitado \u00e0 gest\u00e3o do or\u00e7amento. Nesse cen\u00e1rio, a prud\u00eancia fiscal torna-se um desafio diante das press\u00f5es pol\u00edticas por gastos t\u00edpicas de anos de vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings, exp\u00f5e com clareza sua prefer\u00eancia. &#8220;O perfil de um ministro da Fazenda agora, em que as contas fiscais est\u00e3o nos holofotes h\u00e1 algum tempo, pede algu\u00e9m com uma postura mais fiscalista e com bom, ou o melhor poss\u00edvel, tr\u00e2nsito junto ao Congresso Nacional&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;[Dario] Durigan, que \u00e9 o secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, seria, teoricamente, o primeiro na linha de sucess\u00e3o. Mas, por uma quest\u00e3o de postura mais fiscalista, tem se ventilado tamb\u00e9m a possibilidade, e eu acho que \u00e9 o melhor nome, de Rog\u00e9rio Ceron.&#8221;<\/p>\n<p>Durigan possui perfil jur\u00eddico e atuar\u00e1 como um gerente do cotidiano administrativo. Esse modelo de sucess\u00e3o repete a transi\u00e7\u00e3o de Henrique Meirelles para Eduardo Guardia em 2018. Portanto, o mercado espera uma condu\u00e7\u00e3o estritamente t\u00e9cnica e sem rupturas.<\/p>\n<p>Para o economista Alexandre Manoel, s\u00f3cio da consultoria Global Intelligence and Analytics, a sucess\u00e3o de Haddad n\u00e3o precisa seguir automaticamente a linha hier\u00e1rquica do Minist\u00e9rio da Fazenda. Embora reconhe\u00e7a os nomes de Durigan e Ceron, ele faz ressalvas.<\/p>\n<p>No caso de Ceron, Manoel pondera que o arcabou\u00e7o fiscal, sua principal marca, sofreu sucessivas exce\u00e7\u00f5es e continua sendo flexibilizado, o que poderia exp\u00f4-lo ainda mais caso assumisse o comando da Fazenda. Durigan, por ter sido o n\u00famero dois de Haddad, tenderia, em sua avalia\u00e7\u00e3o, a reproduzir o mesmo grau de depend\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Para Manoel, o crit\u00e9rio central deveria ser o m\u00e9rito. &#8220;Se fosse pegar pelo m\u00e9rito, quem cumpriu o seu papel?&#8221;, questiona. Nesse sentido, ele cita o trabalho do secret\u00e1rio especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, que conseguiu elevar a arrecada\u00e7\u00e3o e executar a pol\u00edtica tribut\u00e1ria definida pelo governo.<\/p>\n<p>Manoel tamb\u00e9m cita o nome do secret\u00e1rio de Reformas Econ\u00f4micas, Marcos Barbosa Pinto, como um candidato com condi\u00e7\u00f5es de atuar como um &#8220;ministro tamp\u00e3o&#8221;. &#8220;Marcos Pinto tem a cabe\u00e7a fiscal organizada, entregou a agenda microecon\u00f4mica ao longo do mandato e conduziu reformas relevantes.&#8221;<\/p>\n<h2>Crit\u00e9rio pol\u00edtico deve prevalecer<\/h2>\n<p>Outro nome lembrado \u00e9 o de Bernard Appy, ex-secret\u00e1rio especial da Fazenda, figura central na aprova\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria. &#8220;Olhando para o est\u00e1gio atual da economia brasileira, entendo que o nome que melhor sintetiza o tipo de sinal de que o pa\u00eds pode se beneficiar em 2026 \u00e9 Bernard Appy&#8221;, afirma Carlos Henrique, da Sttart Pay.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o por ser o mais \u00f3bvio politicamente, mas por representar uma ancoragem estrutural de longo prazo. Appy carrega credibilidade transversal: \u00e9 respeitado pelo mercado, pelo Congresso e pelo n\u00facleo pol\u00edtico do governo, al\u00e9m de estar diretamente associado \u00e0 reforma mais relevante em curso no pa\u00eds.&#8221;<\/p>\n<p>Para Manoel, no entanto, o crit\u00e9rio pol\u00edtico tende a prevalecer. A decis\u00e3o final vem do Planalto, e o t\u00e9cnico, por mais preparado que seja, depende do respaldo pol\u00edtico para conseguir implementar qualquer medida. &#8220;Mais do que continuidade administrativa, a sucess\u00e3o de Haddad escancara o limite da autonomia t\u00e9cnica no atual governo, em que a palavra final permanece concentrada nas m\u00e3os do presidente Lula&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, faz um contraponto. &#8220;Por pior que seja a postura do ministro Haddad, ele ainda tentou estabelecer algum ajuste fiscal e, por isso, esbarrou muito em aliados do Planalto para conseguir implementar algumas medidas&#8221;, afirma. &#8220;Um nome com menos for\u00e7a pol\u00edtica e muito associado \u00e0 base do governo pode comprometer ainda mais a credibilidade fiscal.&#8221;<\/p>\n<h2>Haddad: indisposi\u00e7\u00e3o para as urnas<\/h2>\n<p>Haddad deixa o cargo apostando que os efeitos da isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda, principal bandeira econ\u00f4mica de Lula para 2026, comecem a aparecer j\u00e1 em janeiro. Embora negue qualquer plano eleitoral pr\u00f3prio, nos bastidores n\u00e3o se descarta que ele acabe convocado a disputar o governo de S\u00e3o Paulo como fiador da campanha presidencial. Apesar do vis\u00edvel cansa\u00e7o ap\u00f3s a empreitada, a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que ele dificilmente negaria um pedido de Lula.<\/p>\n<p>A falta de disposi\u00e7\u00e3o de Haddad se explica n\u00e3o apenas pelo desgaste acumulado \u00e0 frente da Fazenda, mas por uma longa sequ\u00eancia de derrotas eleitorais e embates internos que come\u00e7ou ainda em 2016.<\/p>\n<p>Naquele ano, em meio ao avan\u00e7o da Lava Jato e ao in\u00edcio do colapso do PT, Haddad tentou a reelei\u00e7\u00e3o \u00e0 Prefeitura de S\u00e3o Paulo e obteve apenas 16% dos votos. Jo\u00e3o Doria venceu no primeiro turno, com 53%, em um resultado que escancarou a rejei\u00e7\u00e3o ao petismo na capital.<\/p>\n<p>Dois anos depois, com Lula preso, Haddad virou candidato presidencial quase por in\u00e9rcia partid\u00e1ria. Recebeu a &#8220;b\u00ean\u00e7\u00e3o&#8221; do padrinho pol\u00edtico dentro da cela da Pol\u00edcia Federal, em Curitiba, e entrou na campanha rotulado pelos advers\u00e1rios como o &#8220;poste do Lula&#8221;. Perdeu para Jair Bolsonaro, mas fez algo improv\u00e1vel: levou o PT ao segundo turno apenas dois anos ap\u00f3s o impeachment de Dilma Rousseff e com seu principal l\u00edder na cadeia.<\/p>\n<p>Em 2022, voltou ao campo de batalha, agora na disputa pelo governo de S\u00e3o Paulo. O ambiente seguia hostil, sobretudo no interior do estado. Haddad perdeu para Tarc\u00edsio de Freitas, ex-ministro de Bolsonaro, mas sua candidatura teve papel estrat\u00e9gico na apertada vit\u00f3ria de Lula no plano nacional. O pr\u00eamio veio depois: o comando da Fazenda no terceiro mandato do petista.<\/p>\n<h2>Uma miss\u00e3o ingl\u00f3ria na Fazenda<\/h2>\n<p>Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, Haddad ocupou a cadeira mais sens\u00edvel da Esplanada. Tocou uma agenda econ\u00f4mica que nunca empolgou o mercado, mas foi tratada como exitosa pelo Planalto. Governou sob fogo cruzado: enfrentou resist\u00eancias no Congresso, cr\u00edticas da milit\u00e2ncia e, dentro do pr\u00f3prio governo, teve em Rui Costa, da Casa Civil, seu antagonista mais frequente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m virou alvo do PT. Sob a presid\u00eancia de Gleisi Hoffmann, o partido chegou a classificar como &#8220;austeric\u00eddio&#8221; a pol\u00edtica de reequil\u00edbrio fiscal defendida pelo ministro, com metas de d\u00e9ficit zero e conten\u00e7\u00e3o de gastos. Hoje \u00e0 frente do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, Gleisi mudou o discurso e passou a operar a favor dele.<\/p>\n<p>Haddad tamb\u00e9m acabou assumindo papel de articulador pol\u00edtico. Tornou-se interlocutor da C\u00e2mara quando Arthur Lira rompeu com Alexandre Padilha e, mais recentemente, ajudou a reaproximar Lula de Hugo Motta, o que destravou vota\u00e7\u00f5es da agenda econ\u00f4mica no fim do ano.<\/p>\n<p>No caminho, atravessou crises como a do Pix, a derrubada do decreto do IOF e ataques vindos de todos os lados, do mercado ao PT. Viu ainda esfriar a rela\u00e7\u00e3o com Gabriel Gal\u00edpolo, seu ex-n\u00famero dois, hoje presidente do Banco Central, em raz\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o dos juros elevados.<\/p>\n<p>Apesar disso, deixou marcas: armou o arcabou\u00e7o fiscal, aprovou a reforma tribut\u00e1ria, garantiu a isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda para quem ganha at\u00e9 R$ 5 mil e, nos estertores do ano legislativo, emplacou o aumento da taxa\u00e7\u00e3o das bets e das fintechs dentro de um projeto que corta 10% dos benef\u00edcios fiscais. O resultado \u00e9 um governo que entra em 2026 sem grandes bombas econ\u00f4micas no Congresso.<\/p>\n<h2>S\u00e3o Paulo: o ped\u00e1gio eleitoral<\/h2>\n<p>A d\u00edvida p\u00fablica ainda assusta a Faria Lima e a fama gastadora do PT persiste. Mas o desemprego est\u00e1 no menor patamar da hist\u00f3ria recente, a infla\u00e7\u00e3o voltou para dentro da banda da meta e o pre\u00e7o dos alimentos deixou de corroer a popularidade do presidente. S\u00e3o esses trunfos que Lula pretende levar para a campanha da reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A press\u00e3o para voltar \u00e0s urnas em S\u00e3o Paulo cumpre v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es. O palanque paulista em 2026, seja como candidato ao Pal\u00e1cio dos Bandeirantes, seja ao Senado, atende \u00e0 necessidade de uma chapa forte no estado e pode incluir, conforme o cen\u00e1rio, o reposicionamento de Geraldo Alckmin nesse tabuleiro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, coloca Haddad como plano B do governo. Se a sa\u00fade de Lula, hoje aos 80 anos, sofrer uma reviravolta inesperada, Haddad \u00e9 o nome pronto no banco de reservas.<\/p>\n<p>Na \u00faltima entrevista coletiva do ano, o presidente afirmou que Haddad &#8220;tem maioridade e biografia&#8221; para decidir seu futuro. Em seguida, deixou clara sua prefer\u00eancia: &#8220;Eu gostaria que ele fosse candidato.&#8221;<\/p>\n<p>Nos bastidores de Bras\u00edlia, circula ainda um cen\u00e1rio alternativo: Haddad fora do governo agora e de volta em 2027 como chefe da Casa Civil, em um eventual Lula 4. Seria o trampolim definitivo para a sucess\u00e3o presidencial em 2030. Mas, para chegar l\u00e1, muitos avaliam que ele ainda ter\u00e1 de pagar mais uma vez o ped\u00e1gio e encarar outra pedreira eleitoral em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com anteced\u00eancia calculada, Fernando Haddad anunciou que deixar\u00e1 o Minist\u00e9rio da Fazenda at\u00e9, no m\u00e1ximo, fevereiro. 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