{"id":661334,"date":"2026-11-08T07:44:15","date_gmt":"2026-11-08T11:44:15","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=661334"},"modified":"2026-11-08T07:44:15","modified_gmt":"2026-11-08T11:44:15","slug":"mulheres-negras-e-indigenas-tem-menos-acesso-a-mamografia-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=661334","title":{"rendered":"Mulheres negras e ind\u00edgenas t\u00eam menos acesso \u00e0 mamografia, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/villanews.com.br\/api\/imagem?url=https%3A%2F%2Fstatic.poder360.com.br%2Fuploads%2F2025%2F12%2Fmamografia-Fabio-Rodrigues-Pozzebom-Agencia-Brasil.jpeg&amp;ext=.jpg\" alt=\"Mulheres negras e ind\u00edgenas t\u00eam menos acesso \u00e0 mamografia, diz estudo\" \/><\/p>\n<p>Mulheres negras e ind\u00edgenas t\u00eam menos acesso \u00e0 mamografia, diz estudo<br \/>\nEstudo mostra que 82,2% das mulheres brancas e amarelas com 50 anos ou mais j\u00e1 fizeram o exame, ante 71,9% das pretas, pardas e ind\u00edgenas<br \/>\nA mamografia \u00e9 um exame de imagem que permite visualizar em detalhes o interior da mama e, assim, identificar a exist\u00eancia de n\u00f3dulos, inclusive aqueles ainda t\u00e3o pequenos que sequer s\u00e3o sentidos na palpa\u00e7\u00e3o. Trata-se de um procedimento chave na detec\u00e7\u00e3o precoce do c\u00e2ncer, mas o acesso ainda \u00e9 desigual no pa\u00eds.<br \/>\nSegundo uma pesquisa publicada em junho na revista Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva, 82,2% das mulheres autodeclaradas brancas e amarelas com 50 anos ou mais j\u00e1 haviam feito mamografia pelo menos uma vez na vida, enquanto, entre as mulheres pretas, pardas e ind\u00edgenas, essa propor\u00e7\u00e3o era de 71,9%. Para chegar a essa diferen\u00e7a, a equipe analisou dados da 1\u00aa onda do ELSI-Brasil (Estudo Longitudinal de Sa\u00fade do Idoso Brasileiro), conduzida em 2015 e 2016.<br \/>\n\u201cNa pr\u00e1tica, o resultado evidencia que a realiza\u00e7\u00e3o da mamografia n\u00e3o se d\u00e1 de maneira igualit\u00e1ria e que as desigualdades tamb\u00e9m se refletem no acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade\u201d, explica a economista Alana Ramos da Silva, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em S\u00e3o Paulo, e autora correspondente do estudo.<br \/>\n\u201c\u00c9 um sinal de que precisamos compreender e enfrentar as barreiras que dificultam o acesso ao exame, especialmente entre as mulheres em situa\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade.\u201d<br \/>\nPara entender esse acesso, os pesquisadores avaliaram a inclus\u00e3o dos participantes em plano de sa\u00fade, o n\u00edvel de escolaridade, o estado civil e o n\u00famero de filhos. Dentre eles, ter um conv\u00eanio particular apareceu como a caracter\u00edstica de maior impacto, associada a um aumento de aproximadamente 12,9% na probabilidade de realizar a mamografia.<br \/>\nCom rela\u00e7\u00e3o aos outros fatores, chamou aten\u00e7\u00e3o a associa\u00e7\u00e3o do casamento com um aumento de 6,9%, enquanto a maternidade representava uma redu\u00e7\u00e3o de 1,6% a cada filho. Por fim, tamb\u00e9m se verificou que maior escolaridade estava relacionada a uma maior probabilidade de realizar o procedimento.<br \/>\n\u201cEsses resultados indicam que parte importante da desigualdade no acesso \u00e0 mamografia est\u00e1 relacionada \u00e0s diferen\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas observadas entre os grupos\u201d, diz Silva. A equipe calculou que, se as mulheres pretas, pardas e ind\u00edgenas apresentassem o mesmo conjunto de caracter\u00edsticas observadas nas brancas e amarelas, sua probabilidade estimada de realiza\u00e7\u00e3o do exame seria 5,9% maior.<br \/>\nContudo, mesmo garantindo as condi\u00e7\u00f5es de equidade nos elementos analisados no artigo, as desigualdades n\u00e3o seriam completamente eliminadas. \u201cAinda existiria uma diferen\u00e7a de 4,3% que n\u00e3o \u00e9 explicada pelas caracter\u00edsticas observadas no modelo, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia de investigar outras barreiras ao acesso e de formular pol\u00edticas p\u00fablicas que considerem tanto as condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas quanto as poss\u00edveis dificuldades de acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade\u201d, avalia a autora do estudo.<br \/>\nImport\u00e2ncia do rastreamento<br \/>\nO c\u00e2ncer de mama \u00e9 o 2\u00ba tipo de neoplasia mais frequente entre as mulheres no Brasil: de 2026 a 2028, o pa\u00eds deve registrar aproximadamente 78.610 novos casos desse tipo de tumor a cada ano, segundo o Inca (Instituto Nacional de C\u00e2ncer). A doen\u00e7a tamb\u00e9m representa a principal causa de mortalidade feminina por c\u00e2ncer: a taxa em 2025 foi de 12,58 mortes a cada 100 mil mulheres.<br \/>\nA detec\u00e7\u00e3o nos est\u00e1gios iniciais est\u00e1 associada a progn\u00f3sticos mais positivos. \u201cNo est\u00e1gio 1, as chances de cura superam 90%. Por sua vez, no est\u00e1gio 4, o quadro \u00e9 praticamente incur\u00e1vel e apresenta uma taxa de recupera\u00e7\u00e3o inferior a 10%\u201d, explica o oncologista Max Senna Mano, do Einstein Hospital Israelita.<br \/>\n\u201cAl\u00e9m da curabilidade, quanto menor o est\u00e1gio da doen\u00e7a, maiores as chances de receber tratamentos mais brandos. Quando a doen\u00e7a \u00e9 diagnosticada nos est\u00e1gios 2 e 3, praticamente ningu\u00e9m escapa da quimioterapia e\/ou radioterapia.\u201d<br \/>\nO autoexame, por meio da palpa\u00e7\u00e3o mam\u00e1ria, \u00e9 um m\u00e9todo importante para conhecer o pr\u00f3prio corpo e identificar com mais facilidade eventuais altera\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o deve ser tratado como principal forma de rastreio. Esse \u00e9 o papel da mamografia. No Brasil, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade recomenda que as mulheres comecem a fazer o acompanhamento para rastreamento do c\u00e2ncer de mama aos 40 anos. Geralmente, segue-se a regra de repeti\u00e7\u00e3o anual ou bienal do procedimento at\u00e9 a chegada aos 70 anos.<br \/>\nO cuidado preventivo \u00e9 particularmente importante entre pessoas com hist\u00f3rico familiar da doen\u00e7a e quem j\u00e1 tem o diagn\u00f3stico de uma altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que predisp\u00f5e a um risco aumentado de c\u00e2ncer de mama. \u201cNesses casos, a indica\u00e7\u00e3o \u00e9 come\u00e7ar os exames at\u00e9 antes dos 40 anos e repeti-los semestralmente\u201d, diz Mano.<br \/>\n\u201cO mais comum hoje em dia \u00e9 alternar entre a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e, ap\u00f3s seis meses, a mamografia com a ultrassonografia. \u00c9 importante tamb\u00e9m que mulheres de alto risco para a doen\u00e7a tenham acompanhamento especializado, em cl\u00ednicas de alto risco.\u201d<br \/>\nRedu\u00e7\u00e3o das desigualdades<br \/>\nO acesso \u00e0 mamografia passa por desafios que v\u00e3o al\u00e9m da disponibilidade de exames. \u201cPara mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade socioecon\u00f4mica, a preven\u00e7\u00e3o muitas vezes disputa espa\u00e7o com necessidades imediatas, como colocar comida na mesa, custo do deslocamento at\u00e9 o exame, aten\u00e7\u00e3o a outras condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e mesmo pagar as contas\u201d, destaca o oncologista.<br \/>\n\u201cAl\u00e9m disso, a falta de informa\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do rastreamento e a dificuldade de prioriz\u00e1-lo diante de outras urg\u00eancias contribuem para afastar essas mulheres do diagn\u00f3stico precoce.\u201d<br \/>\nMesmo quando a mulher identifica um n\u00f3dulo ou uma altera\u00e7\u00e3o em um exame, o caminho at\u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico pode ser longo. Os custos de deslocamento e a dist\u00e2ncia entre a resid\u00eancia e os servi\u00e7os de sa\u00fade, bem como as dificuldades de agendamento dos exames e consultas especializadas, agravam o problema.<br \/>\nPara reduzir essas desigualdades, o estudo mostra que \u00e9 necess\u00e1rio ampliar a oferta de mamografias, equipamentos e profissionais, sobretudo em regi\u00f5es afastadas dos grandes centros e em localidades com atendimento insuficiente. \u201c\u00c9 importante fortalecer a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, tanto na busca ativa e orienta\u00e7\u00e3o das mulheres quanto no encaminhamento para os servi\u00e7os de diagn\u00f3stico\u201d, destaca Alana Silva.<br \/>\nEste texto foi publicado originalmente pela Ag\u00eancia Einstein, em 30 de outubro de 2026. O conte\u00fado \u00e9 livre para republica\u00e7\u00e3o, citada a fonte, e foi adaptado para o padr\u00e3o do Poder360.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/poder-saude\/mulheres-negras-e-indigenas-tem-menos-acesso-a-mamografia-diz-estudo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Poder360<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres negras e ind\u00edgenas t\u00eam menos acesso \u00e0 mamografia, diz estudo Estudo mostra que 82,2% das mulheres brancas e amarelas&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":661335,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-661334","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/661334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=661334"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/661334\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/661335"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=661334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=661334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=661334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}