{"id":660676,"date":"2026-10-31T09:44:13","date_gmt":"2026-10-31T13:44:13","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=660676"},"modified":"2026-10-31T09:44:13","modified_gmt":"2026-10-31T13:44:13","slug":"amazonia-emite-mais-co%e2%82%82-do-que-absorve-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=660676","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia emite mais CO\u2082 do que absorve, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/villanews.com.br\/api\/imagem?url=https%3A%2F%2Fstatic.poder360.com.br%2Fuploads%2F2022%2F09%2FAmazonia-Floresta-MeioAmbiente-Agua-Madeira-Desmatamento-Preservacao-22-scaled.jpg&amp;ext=.jpg\" alt=\"Amaz\u00f4nia emite mais CO\u2082 do que absorve, aponta estudo\" \/><\/p>\n<p>Amaz\u00f4nia emite mais CO\u2082 do que absorve, aponta estudo<br \/>\nPesquisa do Inpe publicada na revista Nature analisou 15 anos de dados e identificou as queimadas como principal fonte de emiss\u00f5es de carbono na regi\u00e3o<br \/>\nbilh\u00e3o de toneladas de di\u00f3xido de carbono a mais do que absorveu, em m\u00e9dia, a cada ano entre 2010 e 2024. As queimadas foram a principal fonte, emitiram cerca de 1,47 bilh\u00e3o de toneladas de CO2 por ano, muito acima da capacidade de absor\u00e7\u00e3o da mata, de 300 milh\u00f5es de toneladas ao ano.<br \/>\n\u00c9 o que mostra pesquisa publicada em 21 de outubro de 2026 na Nature, considerada uma das revistas cient\u00edficas mais importantes do mundo. O trabalho, liderado por cientistas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), recebeu financiamento da Fapesp e de outras institui\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais.<br \/>\nCom base na an\u00e1lise de 15 anos de medi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas de carbono, principal g\u00e1s de efeito estufa, o estudo identificou as atividades humanas como fator respons\u00e1vel pelo desequil\u00edbrio. Por isso, ressalta que uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica das queimadas, aliada ao desmatamento zero e \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o florestal, \u00e9 essencial para evitar um ponto de n\u00e3o retorno da floresta, ou seja, que ela atinja um limite a partir do qual perde a capacidade de se manter e se recuperar, dando lugar a outro tipo de vegeta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO alerta \u00e9 particularmente importante em um momento em que os focos de inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia est\u00e3o pr\u00f3ximos do total de 2025. S\u00e3o mais de 41.300 registros em menos de dez meses (58% concentrados em setembro e outubro), contra 43.130 em todo o ano passado, de acordo com dados do Inpe. A fuma\u00e7a densa cobriu munic\u00edpios do Amazonas, especialmente a capital, Manaus, levando \u00e0 suspens\u00e3o de aulas, \u00e0 sobrecarga do sistema de sa\u00fade por problemas respirat\u00f3rios e \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o de crime ambiental, com suspeita de a\u00e7\u00e3o humana deliberada.<br \/>\n\u201cA principal mensagem da pesquisa \u00e9 chocante: o problema da Amaz\u00f4nia \u00e9 a a\u00e7\u00e3o humana. Estamos perdendo a floresta porque o modelo de desenvolvimento da regi\u00e3o tem sido baseado na destrui\u00e7\u00e3o. Precisamos de pol\u00edticas p\u00fablicas que valorizem a floresta em p\u00e9\u201d, diz a cientista do clima Luciana Vanni Gatti, coordenadora do LaGEE (Laborat\u00f3rio de Gases de Efeito Estufa) do Inpe e principal autora do artigo.<br \/>\nAl\u00e9m de identificar os fatores associados \u00e0s emiss\u00f5es, a pesquisa evidencia mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas da regi\u00e3o ao longo das d\u00e9cadas. Ao analisar dados dos \u00faltimos 46 anos, os cientistas apontam que o desmatamento e a degrada\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia reduziram a precipita\u00e7\u00e3o anual em 8% e, no pico da esta\u00e7\u00e3o seca (entre agosto e outubro), em 20%. No mesmo per\u00edodo, a temperatura m\u00e9dia anual aumentou 1,13 \u00b0C; j\u00e1 na esta\u00e7\u00e3o seca, a eleva\u00e7\u00e3o foi de 1,81 \u00b0C.<br \/>\nSegundo Gatti, essas altera\u00e7\u00f5es comprometem as condi\u00e7\u00f5es para a manuten\u00e7\u00e3o da floresta \u00famida e contribuem para um ciclo de retroalimenta\u00e7\u00e3o, em que a perda da vegeta\u00e7\u00e3o reduz as chuvas e eleva as temperaturas, favorecendo novas queimadas e ampliando a degrada\u00e7\u00e3o da floresta remanescente. \u201c\u00c9 um estresse muito grande sobre a floresta que fica\u201d, diz a pesquisadora \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp.<br \/>\nO peso das atividades humanas<br \/>\nOs cientistas compararam per\u00edodos com diferentes condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e de interven\u00e7\u00e3o humana, agrupando os anos em tr\u00eas cen\u00e1rios. Separaram os dados em grupos: anos chuvosos (2011, 2012, 2013, 2014, 2017 e 2018), com baixa intensidade de atividades antr\u00f3picas; anos de baixo estresse clim\u00e1tico (entre 2019 e 2022) e altos \u00edndices de desmatamento (aumento de 97%) e queimadas (crescimento de 25%); e anos quentes e secos (2010, 2015, 2016, 2023 e 2024), em que houve impactos de fen\u00f4menos como o El Ni\u00f1o e o aquecimento do Atl\u00e2ntico tropical norte, associados a um intenso aumento das queimadas (92%).<br \/>\nOs resultados mostraram que, nos anos dos grupos 2 e 3, na m\u00e9dia, a Amaz\u00f4nia mudou de estocadora para fonte de CO2. Isso porque houve super\u00e1vit a favor das emiss\u00f5es no chamado \u201cbalan\u00e7o de carbono\u201d, que leva em conta todos os processos de absor\u00e7\u00f5es e libera\u00e7\u00f5es, naturais ou estimuladas pelo homem.<br \/>\nNo grupo 2, as emiss\u00f5es foram quase quatro vezes maiores do que no grupo 1, alcan\u00e7ando um balan\u00e7o m\u00e9dio equivalente a cerca de 1,58 bilh\u00e3o de toneladas de CO2 por ano. O maior valor foi do grupo 3, em que o balan\u00e7o m\u00e9dio atingiu 1,8 bilh\u00e3o de toneladas de CO2 por ano.<br \/>\nO balan\u00e7o de carbono de uma regi\u00e3o pode ser alterado por fatores naturais e por outros estimulados pelo homem (entre eles a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, como petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e carv\u00e3o mineral). Por\u00e9m, o processo que contribui para a retirada de quantidades significativas de CO2 atmosf\u00e9rico \u00e9 a fotoss\u00edntese das plantas, essencial ao crescimento e \u00e0 sobreviv\u00eancia da vegeta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPor isso, as florestas s\u00e3o vistas como grandes sumidouros de carbono, que volta para a atmosfera quando essa vegeta\u00e7\u00e3o morre ou \u00e9 lentamente decomposta. As queimadas florestais tamb\u00e9m liberam o CO2 presente na biomassa vegetal de maneira abrupta e imediata.<br \/>\nNos tr\u00eas grupos de anos analisados, descontadas as emiss\u00f5es das queimadas, a Amaz\u00f4nia absorveu praticamente a mesma quantidade de CO2 que devolveu \u00e0 atmosfera, ficando a chamada \u201ctroca l\u00edquida de carbono\u201d do bioma pr\u00f3xima da neutralidade. Com isso, sobrou pouca ou nenhuma absor\u00e7\u00e3o para compensar os gases de efeito estufa liberados pelo fogo, refor\u00e7ando o peso das atividades humanas no desequil\u00edbrio.<br \/>\n\u201cN\u00e3o fosse a La Ni\u00f1a, as emiss\u00f5es nos anos do grupo 2 poderiam ter sido ainda piores. Com o fen\u00f4meno, a absor\u00e7\u00e3o de carbono da Amaz\u00f4nia na esta\u00e7\u00e3o chuvosa compensou 75% das emiss\u00f5es no per\u00edodo da seca\u201d, explica Gatti.<br \/>\nAo contr\u00e1rio do El Ni\u00f1o, o fen\u00f4meno La Ni\u00f1a se d\u00e1 quando h\u00e1 o resfriamento das \u00e1guas do oceano Pac\u00edfico equatorial em pelo menos 0,5 \u00b0C abaixo da m\u00e9dia hist\u00f3rica. Os ciclos normalmente duram de 9 a 12 meses e se d\u00e3o entre cada dois e sete anos. Isso tamb\u00e9m provoca uma s\u00e9rie de efeitos clim\u00e1ticos no planeta, sendo que no Brasil h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o das chuvas no Sul e aumento das precipita\u00e7\u00f5es no Norte e Nordeste.<br \/>\nEntre 2020 e 2023, depois de mais de duas d\u00e9cadas, se deu o chamado \u201ctriplo mergulho\u201d da La Ni\u00f1a, que consiste na persist\u00eancia do resfriamento anormal do Pac\u00edfico por tr\u00eas ver\u00f5es consecutivos do hemisf\u00e9rio Sul.<br \/>\nConhecimento ao longo dos anos<br \/>\nPara chegar aos resultados, o grupo utilizou dados coletados entre 2010 e 2024 por meio de voos em avi\u00f5es de pequeno porte e da quantifica\u00e7\u00e3o de CO2 e de mon\u00f3xido de carbono (CO) no Laborat\u00f3rio de Gases de Efeito Estufa do Inpe. As coletas foram realizadas em quatro localidades para abranger todas as regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia (nordeste, sudeste, sudoeste e noroeste).<br \/>\nA an\u00e1lise combinou ainda as medi\u00e7\u00f5es de carbono com dados de desmatamento, queimadas, precipita\u00e7\u00e3o, temperatura do ar e indicadores de temperatura da superf\u00edcie do mar.<br \/>\nEssa metodologia, baseada nos dados coletados desde 2010 sobre o balan\u00e7o de carbono, tamb\u00e9m deu origem a outros tr\u00eas artigos liderados por Gatti e publicados na Nature: em 2014, em 2021 e em 2023. Os dois mais recentes j\u00e1 vinham indicando que o bioma estava se tornando fonte de carbono, mas essa condi\u00e7\u00e3o se d\u00e1 particularmente em regi\u00f5es mais desmatadas.<br \/>\nAl\u00e9m desses impactos, a literatura cient\u00edfica tem comprovado que a Amaz\u00f4nia enfrenta com mais frequ\u00eancia per\u00edodos de seca extrema e ondas de calor, como o estudo que detectou um aumento de mais de 3 \u00b0C na temperatura m\u00e1xima durante a esta\u00e7\u00e3o seca at\u00e9 mesmo em \u00e1reas preservadas. Outro trabalho revelou que a seca e o calor extremos do \u00faltimo El Ni\u00f1o podem ser o \u201cnovo normal\u201d nas florestas tropicais se as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa n\u00e3o forem reduzidas.<br \/>\n\u201cVemos a floresta absorvendo cada vez menos carbono. Mas a pergunta \u00e9: isso est\u00e1 acontecendo porque a vegeta\u00e7\u00e3o est\u00e1 fazendo menos fotoss\u00edntese ou sofrendo mais decomposi\u00e7\u00e3o? Al\u00e9m disso, as a\u00e7\u00f5es humanas est\u00e3o superando essa capacidade ou s\u00e3o todos os fatores juntos? Responder a essas quest\u00f5es \u00e9 extremamente importante para saber se as \u00e1rvores est\u00e3o perdendo a condi\u00e7\u00e3o de continuar vivendo naquele ambiente\u201d, destaca Gatti.<br \/>\nSegundo a pesquisadora, para avan\u00e7ar nesse ponto, o grupo est\u00e1 trabalhando em uma nova fase, desde 2022, com an\u00e1lise de dados relativos ao sulfeto de carbonila (COS), considerado uma variante qu\u00edmica do CO2. O COS funciona como um tra\u00e7ador atmosf\u00e9rico da fotoss\u00edntese, uma esp\u00e9cie de marcador molecular que permite medi-la de forma mais precisa para ajudar a buscar respostas para as quest\u00f5es levantadas por Gatti.<br \/>\nO estudo recebeu apoio da Fapesp por meio do Programa de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais e de bolsa para a pesquisadora do Inpe Camilla Lima Cunha, uma das autoras do artigo.<br \/>\nCunha destaca a import\u00e2ncia do financiamento cont\u00ednuo para viabilizar pesquisas de longo prazo, necess\u00e1rias para entender os mecanismos que impactam as florestas tropicais. \u201cInvestimento cont\u00ednuo em ci\u00eancia \u00e9 fundamental para compreender as transforma\u00e7\u00f5es em curso na Amaz\u00f4nia e identificar os fatores que comprometem sua capacidade de absorver carbono. Esse conhecimento \u00e9 essencial para aprofundar a compreens\u00e3o sobre as mudan\u00e7as ambientais, al\u00e9m de contribuir com subs\u00eddios para a tomada de decis\u00f5es e a defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o da floresta\u201d, afirma a pesquisadora.<br \/>\nEste texto foi originalmente publicado pela Ag\u00eancia Fapesp, em 21 de outubro de 2026. O conte\u00fado \u00e9 livre para republica\u00e7\u00e3o, citada a fonte, e foi adaptado para o padr\u00e3o do Poder360.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/poder-sustentavel\/amazonia-emite-mais-co%E2%82%82-do-que-absorve-aponta-estudo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Poder360<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amaz\u00f4nia emite mais CO\u2082 do que absorve, aponta estudo Pesquisa do Inpe publicada na revista Nature analisou 15 anos de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":660677,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-660676","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/660676","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=660676"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/660676\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/660677"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=660676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=660676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=660676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}