{"id":653828,"date":"2026-08-15T19:30:05","date_gmt":"2026-08-15T23:30:05","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=653828"},"modified":"2026-08-15T19:30:05","modified_gmt":"2026-08-15T23:30:05","slug":"chinesas-aproveitam-estruturas-de-rivais-e-avancam-na-producao-de-carros-made-in-brazil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=653828","title":{"rendered":"Chinesas aproveitam estruturas de rivais e avan\u00e7am na produ\u00e7\u00e3o de carros made in Brazil"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>A chegada das montadoras chinesas ao mercado brasileiro deixou de se concentrar apenas na importa\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos e come\u00e7a a ganhar espa\u00e7o tamb\u00e9m na produ\u00e7\u00e3o nacional. Al\u00e9m de disputar espa\u00e7o no mercado com ve\u00edculos importados, as empresas asi\u00e1ticas est\u00e3o ocupando f\u00e1bricas e estruturas industriais que j\u00e1 pertenciam a montadoras tradicionais.<\/p>\n<p>Atualmente, 15 marcas chinesas operam no Brasil. BYD, GWM e Caoa Chery j\u00e1 possuem f\u00e1bricas pr\u00f3prias no pa\u00eds, instaladas em estruturas que pertenceram a montadoras tradicionais. Outras marcas, como Geely e Leapmotor, recorrem a parcerias para utilizar instala\u00e7\u00f5es existentes e acelerar a fabrica\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>A GWM, por exemplo, assumiu a f\u00e1brica de Iracem\u00e1polis (SP), que havia pertencido \u00e0 Mercedes-Benz. A unidade come\u00e7ou a produzir ve\u00edculos da marca chinesa em 2025 e atualmente fabrica modelos como Haval H6, Haval H9 e a picape Poer P30.<\/p>\n<p>A BYD, principal marca chinesa em opera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, tamb\u00e9m aproveitou uma estrutura industrial j\u00e1 existente. A empresa assumiu o complexo de Cama\u00e7ari (BA), onde funcionava a antiga f\u00e1brica da Ford, e iniciou a produ\u00e7\u00e3o local em 2025.<\/p>\n<p>Em An\u00e1polis (GO), a Caoa Chery produz ve\u00edculos desde 2017, enquanto a chinesa Changan iniciou em 2026 a fabrica\u00e7\u00e3o do UNI-T na estrutura industrial da Caoa. O movimento amplia o uso de uma unidade que j\u00e1 conta com infraestrutura e cadeia produtiva instaladas.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia tamb\u00e9m aparece em projetos que ainda est\u00e3o em implanta\u00e7\u00e3o. A Geely prepara a produ\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais (PR), utilizando a estrutura da Renault. A Leapmotor, por sua vez, produzir\u00e1 os modelos B10 e C10 no Polo Automotivo de Goiana (PE), da Stellantis, com in\u00edcio previsto para novembro.<\/p>\n<p>No Cear\u00e1, a MG Motor, marca pertencente ao grupo chin\u00eas SAIC, prepara a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos na antiga f\u00e1brica da Troller, em Horizonte. J\u00e1 a GAC dever\u00e1 produzir em Catal\u00e3o (GO), em parceria com a HPE Automotores, enquanto Omoda &amp; Jaecoo t\u00eam produ\u00e7\u00e3o prevista em Itatiaia (RJ), em uma estrutura anteriormente utilizada pela Jaguar Land Rover.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Por que as montadoras chinesas est\u00e3o aproveitando f\u00e1bricas brasileiras?<\/h2>\n<p>Comprar capacidade instalada permite \u00e0s chinesas encurtar em anos o caminho at\u00e9 a produ\u00e7\u00e3o local. Enquanto uma planta constru\u00edda praticamente do zero pode levar de tr\u00eas a cinco anos entre licenciamento, obras e in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o em escala, uma opera\u00e7\u00e3o que aproveita uma estrutura industrial existente permite come\u00e7ar com parte da infraestrutura j\u00e1 pronta. Al\u00e9m dos galp\u00f5es, essas unidades possuem instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas e hidr\u00e1ulicas, licen\u00e7as ambientais, log\u00edstica estruturada e, principalmente, m\u00e3o de obra especializada.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia tamb\u00e9m permite que as fabricantes reduzam riscos durante a entrada no mercado brasileiro. &#8220;Em vez de comprometer bilh\u00f5es de reais antes de saber como o consumidor brasileiro vai receber seus produtos, as empresas come\u00e7am montando ve\u00edculos a partir de grandes kits importados e v\u00e3o aumentando gradualmente a produ\u00e7\u00e3o local conforme as vendas crescem\u201d, explica Ingridhe de Moraes Magalh\u00e3es, professora de economia da PUC-PR.<\/p>\n<p>\u201cEsse modelo reduz o risco inicial e permite ajustar o ritmo de investimento conforme a demanda se confirma&#8221;, prossegue.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Incentivos fiscais favorecem crescimentos das marcas chinesas<\/h2>\n<p>A pol\u00edtica industrial brasileira tamb\u00e9m entrou na equa\u00e7\u00e3o. Um dos principais instrumentos \u00e9 o Mover (Mobilidade Verde e Inova\u00e7\u00e3o), programa federal que substituiu o Rota 2030 e prev\u00ea R$ 19,3 bilh\u00f5es em cr\u00e9ditos financeiros entre 2024 e 2028. Os recursos podem ser utilizados para abatimento de tributos federais, desde que as empresas cumpram contrapartidas relacionadas a pesquisa e desenvolvimento e novos projetos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O desenho \u00e9 mais generoso que o anterior. Cada real investido em P&amp;D gera cr\u00e9ditos financeiros entre R$ 0,50 e R$ 3,20, contra R$ 0,12 de abatimento no Rota 2030. Al\u00e9m disso, o Mover oferece IPI diferenciado para ve\u00edculos sustent\u00e1veis e redu\u00e7\u00e3o do imposto de importa\u00e7\u00e3o para autope\u00e7as sem similar nacional&#8221;, explica Ingridhe.<\/p>\n<p>Outro fator \u00e9 a pr\u00f3pria pol\u00edtica tarif\u00e1ria, que, segundo a economista, funciona como uma esp\u00e9cie de incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o local. A eleva\u00e7\u00e3o gradual do imposto de importa\u00e7\u00e3o para ve\u00edculos eletrificados at\u00e9 35% aumenta o custo de quem depende exclusivamente de ve\u00edculos importados e favorece as empresas que passam a produzir no pa\u00eds.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Montadoras chinesas concorrem entre si e precisam se adaptar ao Brasil<\/h2>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o local ser\u00e1 um dos principais fatores para definir a perman\u00eancia das montadoras chinesas no pa\u00eds. Com o imposto de importa\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos eletrificados montados chegando a 35%, depender exclusivamente de carros importados tende a reduzir as margens e limitar a capacidade das empresas de competir por pre\u00e7o. A nacionaliza\u00e7\u00e3o, portanto, deixa de ser apenas uma estrat\u00e9gia de expans\u00e3o e passa a ser fundamental para a sustentabilidade das opera\u00e7\u00f5es no Brasil.<\/p>\n<p>Nesse processo, a transi\u00e7\u00e3o da montagem de ve\u00edculos semidesmontados, conhecida como SKD, para uma produ\u00e7\u00e3o mais completa, com etapas como estamparia, soldagem, pintura e fabrica\u00e7\u00e3o de componentes no pa\u00eds, ser\u00e1 um importante indicador do compromisso das fabricantes com o mercado brasileiro. A BYD, por exemplo, prev\u00ea concluir essa transi\u00e7\u00e3o em 2027.<\/p>\n<p>\u201cOutro desafio \u00e9 adaptar os produtos \u00e0s caracter\u00edsticas do consumidor brasileiro. Um dos principais diferenciais do pa\u00eds \u00e9 a ampla utiliza\u00e7\u00e3o do etanol, o que cria espa\u00e7o para tecnologias h\u00edbridas e flex. A GWM, por exemplo, j\u00e1 desenvolve vers\u00f5es flex e h\u00edbridas flex para o mercado nacional\u201d, diz Ingridhe.<\/p>\n<p>A economista destaca ainda que o r\u00e1pido aumento do n\u00famero de fabricantes chinesas tende a provocar uma disputa dentro do pr\u00f3prio grupo. Atualmente, 15 marcas chinesas operam no Brasil, enquanto as dez maiores concentram 84% das vendas do grupo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o haver\u00e1 espa\u00e7o para todas as marcas crescerem simultaneamente. As empresas com maior capacidade financeira, redes de distribui\u00e7\u00e3o mais estruturadas, bom p\u00f3s-venda e capacidade de construir reputa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds tendem a ganhar espa\u00e7o, enquanto outras poder\u00e3o deixar o mercado ou ser absorvidas\u201d.<\/p>\n<p>Para a especialista, a consolida\u00e7\u00e3o do mercado j\u00e1 come\u00e7ou. Em menos de dois anos, as fabricantes chinesas deixaram de ocupar uma posi\u00e7\u00e3o marginal e passaram a representar quase um quarto das vendas de ve\u00edculos leves, al\u00e9m de avan\u00e7arem para segmentos de maior valor.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o, portanto, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas se as montadoras chinesas permanecer\u00e3o no Brasil, mas quais delas conseguir\u00e3o se consolidar e em quais condi\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Quais marcas chinesas despertam mais interesse?<\/h2>\n<p>De acordo com levantamento de dados de busca no <em>Google Trends<\/em> realizado nos \u00faltimos 12 meses (agosto de 2025 a agosto de 2026), a BYD concentra a maior fatia de interesse do consumidor brasileiro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s montadoras chinesas. Ao analisar o volume comparativo do segmento, a marca concentra 78% do total de buscas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A GWM consolida-se na segunda posi\u00e7\u00e3o com 15,6% das pesquisas, enquanto montadoras como JAECOO (2,6%), CAOA Chery (2,6%) e Leapmotor (1,3%) dividem o restante do interesse do p\u00fablico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/14095323\/montadoras-chinesas-carros.jpg.webp\" \/><\/p>\n<p><em>** Esta reportagem faz parte de uma parceria com o Google, que apoia projetos jornal\u00edsticos baseados em dados do Google Trends. A apura\u00e7\u00e3o \u00e9 de responsabilidade exclusiva da Gazeta do Povo, sem qualquer interfer\u00eancia editorial do Google.<\/em><\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A chegada das montadoras chinesas ao mercado brasileiro deixou de se concentrar apenas na importa\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos e come\u00e7a a&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":650918,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-653828","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/653828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=653828"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/653828\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/650918"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=653828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=653828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=653828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}