{"id":651264,"date":"2026-08-15T10:00:41","date_gmt":"2026-08-15T14:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=651264"},"modified":"2026-08-15T10:00:41","modified_gmt":"2026-08-15T14:00:41","slug":"brasil-deve-superar-eua-e-se-tornar-o-maior-exportador-agricola-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=651264","title":{"rendered":"Brasil deve superar EUA e se tornar o maior exportador agr\u00edcola do mundo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>O Brasil encerrou 2025 apenas US$ 2 bilh\u00f5es atr\u00e1s dos Estados Unidos no ranking dos maiores exportadores agr\u00edcolas do mundo, abrindo uma disputa pela lideran\u00e7a que, at\u00e9 poucos anos atr\u00e1s, parecia distante.<\/p>\n<p>Os americanos exportaram US$ 171 bilh\u00f5es em produtos agr\u00edcolas no ano passado, enquanto o agroneg\u00f3cio brasileiro alcan\u00e7ou US$ 169,2 bilh\u00f5es, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa). <strong>Ou seja, a diferen\u00e7a, que era de US$ 56 bilh\u00f5es em 2021, caiu 97%.<\/strong><\/p>\n<p>Na disputa entre Brasil e EUA, o cen\u00e1rio de 2026 pode ser ainda mais apertado: o governo Trump projeta US$ 177,5 bilh\u00f5es em embarques internacionais, enquanto o Brasil, mantido o ritmo atual, poder\u00e1 fechar o ano com US$ 180 bilh\u00f5es em receitas externas do setor.<\/p>\n<p>Em uma extensa reportagem recente, o jornal brit\u00e2nico<em> Financial Times <\/em>analisa a tend\u00eancia de o Brasil ultrapassar os EUA e a atribui em parte \u00e0s tens\u00f5es comerciais provocadas pelas tarifas americanas, que reduziram a competitividade de produtores dos EUA em mercados como o chin\u00eas.<\/p>\n<p>Mas a aproxima\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses \u00e9 resultado tamb\u00e9m de uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural da agricultura brasileira, que combina expans\u00e3o de \u00e1rea, aumento de produtividade, segunda safra e diversifica\u00e7\u00e3o de produtos e destinos.<\/p>\n<p>O dado mais recente do Mapa mostra a dimens\u00e3o dessa transforma\u00e7\u00e3o. As exporta\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio brasileiro cresceram 3% apenas em 2025, apesar de uma queda de 0,6% nos pre\u00e7os m\u00e9dios. O avan\u00e7o veio principalmente do aumento de 3,6% no volume embarcado. O setor respondeu por 48,5% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior no ano.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o desempenho americano perdeu for\u00e7a. Segundo o Servi\u00e7o de Pesquisa Econ\u00f4mica do USDA (ERS), os EUA exportaram US$ 171 bilh\u00f5es em produtos agr\u00edcolas em 2025, abaixo do pico de US$ 174,8 bilh\u00f5es registrado em 2022.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o aponta como fatores para a retra\u00e7\u00e3o a queda dos pre\u00e7os internacionais, a valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar e mudan\u00e7as na demanda por produtos como milho e soja. As vendas americanas para a China, por exemplo, ca\u00edram 66% em 2025, para US$ 8,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Soja, milho e carnes puxam avan\u00e7o das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras<\/h2>\n<p>O principal motor para a ascens\u00e3o brasileira est\u00e1 no complexo de gr\u00e3os, especialmente na soja. Em 2025, o Brasil exportou volume recorde de 108,2 milh\u00f5es de toneladas da oleaginosa, que geraram US$ 43,5 bilh\u00f5es, uma alta de 9,5% em um ano.<\/p>\n<p>E a tend\u00eancia \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o continue avan\u00e7ando, de acordo com proje\u00e7\u00e3o da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).<\/p>\n<p>A soja responde por boa parte desse crescimento: a produ\u00e7\u00e3o foi estimada em 180,6 milh\u00f5es de toneladas, alta de 5,3%. A estatal projeta ainda exporta\u00e7\u00f5es de 116,3 milh\u00f5es de toneladas de soja na temporada.<\/p>\n<p>Grande parte desse crescimento decorre de uma particularidade do modelo brasileiro, que realiza duas ou, em algumas regi\u00f5es, at\u00e9 tr\u00eas safras no mesmo ano agr\u00edcola. A soja ocupa a \u00e1rea principal durante o ver\u00e3o e, depois da colheita, milho e algod\u00e3o podem ser plantados na mesma \u00e1rea.<\/p>\n<p>No milho, a produ\u00e7\u00e3o brasileira da safra 2025\/26 foi estimada pela Conab em 141,7 milh\u00f5es de toneladas. A escala alcan\u00e7ada transforma o Brasil em fornecedor relevante para mercados que tradicionalmente dependiam mais dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>No primeiro semestre de 2026, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de milho cresceram 20,6% em faturamento em rela\u00e7\u00e3o mesmo per\u00edodo de 2025, de acordo com o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (MDIC).<\/p>\n<p>Na pecu\u00e1ria, o avan\u00e7o \u00e9 ainda mais evidente. O Brasil terminou 2025 com recorde de US$ 17,9 bilh\u00f5es em exporta\u00e7\u00f5es de carne bovina, aumento de 39,9% em valor e de 20,4% em volume.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tamb\u00e9m se tornou, pela primeira vez, o terceiro maior exportador mundial de carne su\u00edna. A produ\u00e7\u00e3o recorde de carnes bovina, su\u00edna e de frango ampliou a quantidade dispon\u00edvel para o mercado externo sem comprometer o abastecimento dom\u00e9stico, segundo o Mapa.<\/p>\n<p>O caf\u00e9 representa outro exemplo de como a for\u00e7a exportadora brasileira n\u00e3o depende de uma ou duas commodities. Em 2025, o pa\u00eds exportou US$ 16 bilh\u00f5es em caf\u00e9, alta de 30,3% em valor. Para 2026, a Conab estima uma safra recorde de 66,2 milh\u00f5es de sacas beneficiadas, 17,1% acima da produ\u00e7\u00e3o de 2025.<\/p>\n<p>O a\u00e7\u00facar completa o quadro. O Brasil j\u00e1 \u00e9 o maior exportador mundial da commodity e responde por aproximadamente 23% da produ\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/08200322\/Josue-Teixeira-1-960x540.jpg.webp\" \/><i>Startups do agroneg\u00f3cio no Paran\u00e1 desenvolvem tecnologias que aumentam a efici\u00eancia no campo. (Foto: Josu\u00e9 Teixeira\/Arquivo Gazeta do Povo)<\/i><\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Brasil ganhou com China, mas abriu centenas de novos mercados<\/h2>\n<p>A diferen\u00e7a entre os dois modelos aparece com nitidez na rela\u00e7\u00e3o com a China. O mercado chin\u00eas foi, durante anos, um dos principais destinos da soja americana, mas a guerra comercial entre Washington e Pequim alterou a estrutura desse com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>O USDA registra que as exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas americanas para a China despencaram em 2025. Enquanto isso, a China comprou US$ 55,3 bilh\u00f5es em produtos agropecu\u00e1rios brasileiros no mesmo ano, equivalente a 32,7% das exporta\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio nacional. O valor cresceu 11% em rela\u00e7\u00e3o a 2024.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 uma mudan\u00e7a de depend\u00eancia. Para o produtor americano, a perda do mercado chin\u00eas significa buscar compradores alternativos para grandes volumes de soja, milho e outros produtos. Para o brasileiro, a disputa comercial abriu espa\u00e7o para ampliar uma rela\u00e7\u00e3o que j\u00e1 havia se tornado estrutural.<\/p>\n<p>A vantagem brasileira, contudo, n\u00e3o se resume \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es para o gigante asi\u00e1tico. O Mapa contabiliza 664 novos mercados abertos para produtos agropecu\u00e1rios brasileiros nos \u00faltimos anos. Com mais pa\u00edses comprando do Brasil, o setor ganhou mais op\u00e7\u00f5es para vender sua produ\u00e7\u00e3o quando algum mercado imp\u00f5e restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O resultado dessa diversifica\u00e7\u00e3o ficou evidente durante o tarifa\u00e7o americano e ap\u00f3s o registro de influenza avi\u00e1ria no Brasil, quando dezenas de pa\u00edses chegaram a suspender temporariamente as compras. Mesmo assim, o agroneg\u00f3cio brasileiro encerrou 2025 com recorde de exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil encerrou 2025 apenas US$ 2 bilh\u00f5es atr\u00e1s dos Estados Unidos no ranking dos maiores exportadores agr\u00edcolas do mundo,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":649754,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-651264","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/651264","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=651264"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/651264\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/649754"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=651264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=651264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=651264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}