{"id":649323,"date":"2026-08-15T07:00:00","date_gmt":"2026-08-15T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=649323"},"modified":"2026-08-15T07:00:00","modified_gmt":"2026-08-15T11:00:00","slug":"a-fe-crista-entra-na-campanha-antes-mesmo-de-a-propaganda-comecar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=649323","title":{"rendered":"A f\u00e9 crist\u00e3 entra na campanha antes mesmo de a propaganda come\u00e7ar"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout-module-scss-module__08MJ-a__postContent\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/14171210\/catedral-esplanada-ministerios-960x540.jpg.webp\" \/><span>A Catedral de Bras\u00edlia (\u00e0 direita) e, ao fundo, a Esplanada dos Minist\u00e9rios. (Foto: Jefferson Rudy\/Ag\u00eancia Senado)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p class=\"postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraph postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraphInnerHtml\">No pr\u00f3ximo domingo, 16 de agosto, come\u00e7a oficialmente a propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet. Antes mesmo que os <em>jingles<\/em>, santinhos, v\u00eddeos, promessas e slogans tomem conta do pa\u00eds, uma pergunta j\u00e1 est\u00e1 posta no centro do debate p\u00fablico brasileiro: qual ser\u00e1 o lugar da <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/religiao\/\">religi\u00e3o <\/a>nas elei\u00e7\u00f5es de 2026? A pergunta \u00e9 inevit\u00e1vel. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds profundamente religioso. Suas igrejas, comunidades de f\u00e9, lideran\u00e7as espirituais e cidad\u00e3os <em>crentes<\/em> participam da vida nacional muito antes de qualquer campanha come\u00e7ar. Est\u00e3o nos bairros, nas periferias, nas pequenas e nas grandes cidades, nas universidades, nos pres\u00eddios, nos hospitais, nas comunidades terap\u00eauticas, nos movimentos de assist\u00eancia social e, naturalmente, tamb\u00e9m estar\u00e3o diante das urnas.<\/p>\n<p>Ainda assim, a cada ciclo eleitoral, ressurge a velha tentativa de tratar a presen\u00e7a religiosa na pol\u00edtica como um problema a ser contido, um abuso a ser recha\u00e7ado, especialmente se essa f\u00e9 \u00e9 a crist\u00e3. Se uma lideran\u00e7a religiosa fala sobre vida, fam\u00edlia, liberdade, educa\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a, pobreza, corrup\u00e7\u00e3o ou dignidade humana, logo aparece algu\u00e9m disposto a dizer que isso amea\u00e7a o Estado laico. Como se a laicidade exigisse sil\u00eancio religioso. Como se o cidad\u00e3o religioso tivesse menos direito de participar da <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/democracia\/\">democracia <\/a>do que o militante ideol\u00f3gico, o artista engajado sustentado pelo Estado pro meio das Rouanets da vida, o empres\u00e1rio, o sindicalista, o professor universit\u00e1rio ou o comunicador digital.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, como j\u00e1 falamos dezenas de vezes nesta coluna e nunca nos cansamos de repetir, o Estado brasileiro \u00e9 laico, mas n\u00e3o \u00e9 laicista. A Constitui\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o expulsou Deus, a religi\u00e3o ou as comunidades de f\u00e9 da vida p\u00fablica. Ela separou institucionalmente Estado e religi\u00e3o, mas protegeu a entusiasticamente a liberdade de cren\u00e7a, de culto, de organiza\u00e7\u00e3o religiosa, de assist\u00eancia, de ensino religioso, de express\u00e3o religiosa, de associa\u00e7\u00e3o e de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Em outras palavras: o Estado n\u00e3o tem religi\u00e3o oficial, mas o povo brasileiro tem religi\u00e3o, e esse povo n\u00e3o perde cidadania quando leva sua consci\u00eancia para a arena p\u00fablica.<\/p>\n<p>Por isso, a pergunta s\u00e9ria n\u00e3o \u00e9 se as igrejas podem falar sobre elei\u00e7\u00f5es. Podem. A quest\u00e3o verdadeira \u00e9 em que termos essa participa\u00e7\u00e3o deve ocorrer. Igrejas podem formar consci\u00eancia, orientar moralmente seus fi\u00e9is e discutir os grandes temas p\u00fablicos do pa\u00eds, sem que isso transforme o culto em com\u00edcio ou a lideran\u00e7a espiritual em instrumento partid\u00e1rio. O que a laicidade exige n\u00e3o \u00e9 sil\u00eancio religioso, mas responsabilidade, liberdade e respeito \u00e0 ordem constitucional. Esse \u00e9 um dos grandes temas de 2026.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Quando uma pessoa defende uma pauta a partir de uma ideologia secular, chamam isso de consci\u00eancia cr\u00edtica. Quando defende uma posi\u00e7\u00e3o a partir da f\u00e9 crist\u00e3, muitos chamam de fundamentalismo<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>E \u00e9 nesse contexto que o lan\u00e7amento do <a href=\"https:\/\/doity.com.br\/7-congresso-brasileiro-de-direito-religioso\">7.\u00ba Congresso Brasileiro de Direito Religioso<\/a>, promovido pelo Instituto Brasileiro de Direito e Religi\u00e3o (IBDR), chega em momento muito oportuno. O evento ocorrer\u00e1 nos dias 26 e 27 de novembro, em Bras\u00edlia, ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, tendo como tema \u201cF\u00e9 e trabalho: laicidade colaborativa, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/liberdade-religiosa\/\">liberdade religiosa<\/a> e desenvolvimento humano\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, algu\u00e9m poderia perguntar: se o congresso ser\u00e1 depois das elei\u00e7\u00f5es, por que relacion\u00e1-lo ao debate eleitoral de agora? A resposta \u00e9 simples. Porque a elei\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas uma das faces da presen\u00e7a p\u00fablica da f\u00e9. O problema brasileiro n\u00e3o come\u00e7a nem termina na urna. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 mais profundo: \u00e9 a forma como o Estado, a sociedade, os tribunais, as universidades, as empresas e o debate p\u00fablico compreendem a religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Elei\u00e7\u00e3o e trabalho pertencem ao mesmo campo da vida moral. Em ambos, a pessoa age a partir de convic\u00e7\u00f5es, valores e uma determinada compreens\u00e3o sobre o bem, a justi\u00e7a e a dignidade humana. A pol\u00edtica revela a vis\u00e3o de mundo que orienta nossas escolhas coletivas; o trabalho manifesta essa mesma vis\u00e3o no cotidiano, nas rela\u00e7\u00f5es profissionais, nas responsabilidades assumidas e no modo como cada pessoa serve \u00e0 sociedade. Por isso, f\u00e9, voto e trabalho n\u00e3o s\u00e3o dimens\u00f5es isoladas da exist\u00eancia, mas express\u00f5es p\u00fablicas de uma mesma consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Por isso, o tema do congresso \u00e9 t\u00e3o relevante. Falar de f\u00e9 e trabalho \u00e9 falar de liberdade religiosa fora dos templos. \u00c9 falar do direito de ser uma pessoa \u00edntegra, sem precisar amputar a pr\u00f3pria consci\u00eancia para caber nos espa\u00e7os profissionais, acad\u00eamicos, institucionais ou pol\u00edticos. \u00c9 falar, tamb\u00e9m, de desenvolvimento humano em sentido pleno, reconhecendo que o ser humano n\u00e3o \u00e9 apenas produtor, eleitor, consumidor ou estat\u00edstica. \u00c9 pessoa dotada de consci\u00eancia, voca\u00e7\u00e3o, dignidade e abertura ao transcendente.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>A laicidade colaborativa brasileira permite exatamente essa compreens\u00e3o. Ela n\u00e3o transforma igrejas em \u00f3rg\u00e3os do Estado, nem o Estado em instrumento de igrejas. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o autoriza que a religi\u00e3o seja confinada ao espa\u00e7o privado, como se fosse uma excentricidade tolerada apenas dentro dos templos. A f\u00e9 tem dimens\u00e3o p\u00fablica porque a pessoa humana tem dimens\u00e3o p\u00fablica. \u00c9 por isso que o Direito Religioso se tornou uma \u00e1rea indispens\u00e1vel para compreender o Brasil contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, tratou-se a liberdade religiosa como um tema secund\u00e1rio, quase ornamental. Algo relevante para pastores, padres, rabinos, l\u00edderes religiosos e pessoas religiosas mais devotas, no entanto distante das grandes quest\u00f5es jur\u00eddicas nacionais. Esse tempo acabou. Hoje, a liberdade religiosa atravessa elei\u00e7\u00f5es, rela\u00e7\u00f5es de trabalho, educa\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/liberdade-de-expressao\/\">liberdade de express\u00e3o<\/a>, imunidade tribut\u00e1ria, terceiro setor, obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, uso de s\u00edmbolos religiosos, ensino confessional, autonomia das organiza\u00e7\u00f5es religiosas, discurso p\u00fablico, redes sociais, intelig\u00eancia artificial, pol\u00edticas p\u00fablicas e, claro, o voto.<\/p>\n<p>Quem ainda trata o Direito Religioso como curiosidade acad\u00eamica est\u00e1 atrasado. O 7.\u00ba Congresso Brasileiro de Direito Religioso nasce precisamente para responder a esse novo momento. N\u00e3o ser\u00e1 um encontro paroquial ou religioso, fechado em interesses internos das igrejas. Ser\u00e1 um evento de grande porte, com voca\u00e7\u00e3o nacional e internacional, reunindo ministros, desembargadores, professores, juristas, l\u00edderes religiosos, pesquisadores, empres\u00e1rios e especialistas que compreendem que a rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9, trabalho, liberdade e desenvolvimento humano \u00e9 uma das grandes fronteiras do debate jur\u00eddico contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a dos ministros Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, do Supremo Tribunal Federal, e Ives Gandra da Silva Martins Filho, do Tribunal Superior do Trabalho, j\u00e1 revela a relev\u00e2ncia institucional do evento. A participa\u00e7\u00e3o de professores espanh\u00f3is, diretamente de uma das principais universidades espanholas, a Universidade Aut\u00f4noma de Madri, como Ricardo Garc\u00eda Garc\u00eda e Rosa Mar\u00eda Tour\u00eds L\u00f3pez, acrescenta densidade internacional ao debate, especialmente pela tradi\u00e7\u00e3o espanhola no estudo do Direito Eclesi\u00e1stico do Estado, da liberdade religiosa e da prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da consci\u00eancia.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Depois das elei\u00e7\u00f5es, quando a poeira da campanha baixar, restar\u00e1 a pergunta mais importante: qual \u00e9 o lugar permanente da f\u00e9 na sociedade brasileira?<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Tamb\u00e9m estar\u00e3o presentes nomes como o ex-ministro da Agricultura Antonio Cabrera, os desembargadores Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, Augusto C\u00e9sar Rocha Ventura e Roberto Carvalho Veloso, os professores Jean Regina, Marcus Boeira e Valmir Nascimento Milomem Santos, al\u00e9m dos pastores JB Carvalho, Davi Charles Gomes e Davi Lago, e dos empres\u00e1rios H\u00e9lio Beltr\u00e3o e Paulo Oliveira, dentre muitos outros. A composi\u00e7\u00e3o mostra que o tema n\u00e3o pertence a uma \u00fanica profiss\u00e3o, igreja ou corrente acad\u00eamica. \u00c9 transversal. E justamente por isso importa.<\/p>\n<p>Quando se fala em f\u00e9 e trabalho, fala-se tamb\u00e9m de economia, voca\u00e7\u00e3o, responsabilidade, produtividade, consci\u00eancia, descanso, miss\u00e3o, fam\u00edlia, \u00e9tica empresarial, liberdade de express\u00e3o e respeito \u00e0s convic\u00e7\u00f5es. O trabalhador religioso n\u00e3o deixa de ser religioso quando entra no escrit\u00f3rio, na f\u00e1brica, no tribunal, na escola, no hospital ou na universidade. Do mesmo modo, o empregador, o professor, o magistrado, o servidor p\u00fablico, o parlamentar e o profissional liberal n\u00e3o se tornam neutros simplesmente porque ocupam uma fun\u00e7\u00e3o social. Ningu\u00e9m vive a partir do nada. Todos atuam a partir de alguma vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que algumas vis\u00f5es de mundo s\u00e3o tratadas como leg\u00edtimas, sofisticadas e p\u00fablicas, enquanto a vis\u00e3o religiosa costuma ser empurrada para o campo da suspeita, principalmente se essa vis\u00e3o \u00e9 cat\u00f3lica ou evang\u00e9lica. Quando uma pessoa defende uma pauta a partir de uma ideologia secular, chamam isso de consci\u00eancia cr\u00edtica. Quando defende uma posi\u00e7\u00e3o a partir da f\u00e9 crist\u00e3, muitos chamam de fundamentalismo. Essa assimetria precisa ser enfrentada com seriedade. \u00c9 aqui que o debate eleitoral e o congresso se encontram.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de 2026 colocar\u00e1 novamente os religiosos, especialmente os crist\u00e3os, sob intenso escrut\u00ednio p\u00fablico. Candidatos buscar\u00e3o dialogar com o eleitorado evang\u00e9lico, cat\u00f3lico e de outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas; analistas tentar\u00e3o interpretar o comportamento das igrejas enquanto setores do sistema pol\u00edtico procurar\u00e3o instrumentalizar a f\u00e9; e parte do debate p\u00fablico, como de costume, tentar\u00e1 silenci\u00e1-la em nome de uma compreens\u00e3o empobrecida de laicidade. No meio desse ambiente tensionado, milh\u00f5es de cidad\u00e3os religiosos ser\u00e3o chamados a exercer o voto com liberdade, prud\u00eancia, responsabilidade e plena consci\u00eancia de sua participa\u00e7\u00e3o leg\u00edtima na vida democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Depois das elei\u00e7\u00f5es, quando a poeira da campanha baixar, restar\u00e1 a pergunta mais importante: qual \u00e9 o lugar permanente da f\u00e9 na sociedade brasileira? N\u00e3o apenas durante a campanha, mas no trabalho, na cultura, na universidade, na empresa, na pol\u00edtica p\u00fablica, na assist\u00eancia social, no sistema de Justi\u00e7a e na vida comum.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o congresso de novembro chega na hora certa. Ele acontecer\u00e1 depois das elei\u00e7\u00f5es justamente para ajudar o Brasil a pensar al\u00e9m da elei\u00e7\u00e3o. Para lembrar que a liberdade religiosa n\u00e3o \u00e9 um tema sazonal, acionado apenas quando h\u00e1 disputa por votos. \u00c9 uma quest\u00e3o estrutural da democracia.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o precisa de igrejas caladas, mas de igrejas conscientes de sua responsabilidade p\u00fablica; n\u00e3o precisa de cidad\u00e3os religiosos domesticados pelo medo da opini\u00e3o p\u00fablica, mas de pessoas capazes de participar da vida comum com coragem, prud\u00eancia e respeito \u00e0 ordem constitucional. Tamb\u00e9m n\u00e3o precisa de um Estado que trate a religi\u00e3o como amea\u00e7a, e sim de um Estado suficientemente maduro para reconhecer que as comunidades religiosas integram de modo leg\u00edtimo e essencial a sociedade civil, contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o moral, a solidariedade social e a vitalidade democr\u00e1tica do pa\u00eds.<\/p>\n<blockquote>\n<p>O Congresso Brasileiro de Direito Religioso acontecer\u00e1 depois das elei\u00e7\u00f5es justamente para ajudar o Brasil a pensar al\u00e9m da elei\u00e7\u00e3o, e para lembrar que a liberdade religiosa n\u00e3o \u00e9 um tema sazonal<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O lan\u00e7amento do <a href=\"https:\/\/doity.com.br\/7-congresso-brasileiro-de-direito-religioso\">7.\u00ba Congresso Brasileiro de Direito Religioso<\/a> \u00e9, portanto, mais do que a abertura das inscri\u00e7\u00f5es para um evento. \u00c9 um sinal institucional. Mostra que a discuss\u00e3o sobre religi\u00e3o no espa\u00e7o p\u00fablico amadureceu. Mostra que a liberdade religiosa deixou de ser pauta defensiva e passou a ser tema central para pensar desenvolvimento humano, trabalho, democracia e laicidade.<\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras do in\u00edcio da propaganda eleitoral, conv\u00e9m lembrar: a f\u00e9 n\u00e3o entra na vida p\u00fablica apenas quando come\u00e7a a campanha. Ela j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1. Est\u00e1 no cidad\u00e3o que vota, no trabalhador que serve, no empres\u00e1rio que emprega, no professor que ensina, no juiz que decide, no parlamentar que legisla, no pastor que orienta, na fam\u00edlia que educa e na comunidade que acolhe.<\/p>\n<p>Em um Estado verdadeiramente laico, a religi\u00e3o n\u00e3o governa o Estado, mas tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser governada pelo sil\u00eancio; ela participa da vida comum, ilumina consci\u00eancias, educa para a responsabilidade, trabalha pelo bem do pr\u00f3ximo, serve \u00e0 sociedade e, quando chega a hora decisiva da democracia, tamb\u00e9m comparece livremente \u00e0s urnas.<\/p>\n<\/div>\n<p>Conte\u00fado editado por: <a title=\"Link para o perfil de Marcio Antonio Campos\" href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/autor\/marcio-antonio-campos\/\">Marcio Antonio Campos<\/a><\/p>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Catedral de Bras\u00edlia (\u00e0 direita) e, ao fundo, a Esplanada dos Minist\u00e9rios. 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