{"id":647460,"date":"2026-08-14T17:00:00","date_gmt":"2026-08-14T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=647460"},"modified":"2026-08-14T17:00:00","modified_gmt":"2026-08-14T21:00:00","slug":"o-que-impede-o-brasil-de-enriquecer-e-o-sonho-comum-que-temos-de-perseguir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=647460","title":{"rendered":"O que impede o Brasil de enriquecer \u2013 e o sonho comum que temos de perseguir"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>Ao longo das \u00faltimas semanas, al\u00e9m de comentar neste espa\u00e7o os temas importantes do momento, a <strong>Gazeta do Povo<\/strong> tem se dedicado a fazer um diagn\u00f3stico da tr\u00edplice crise que atinge o pa\u00eds, em suas dimens\u00f5es institucional, econ\u00f4mica, e c\u00edvica ou \u00e9tico-moral; tamb\u00e9m temos destacado as mudan\u00e7as que consideramos necess\u00e1rias para a recupera\u00e7\u00e3o do Brasil nessas tr\u00eas frentes. Depois de termos nos debru\u00e7ado sobre a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/opiniao\/editoriais\/medidas-recuperacao-normalidade-institucional-fim-abusos-stf\/\">dimens\u00e3o institucional<\/a> dessa reconstru\u00e7\u00e3o, \u00e9 o momento de analisar a dimens\u00e3o econ\u00f4mica. Trata-se de saber qual \u00e9 exatamente o nosso problema e para onde queremos conduzir o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico, em si, n\u00e3o \u00e9 complicado, e boa parte dos economistas e analistas, de v\u00e1rias vertentes e escolas de pensamento, convergem para um mesmo veredito, o de que o Brasil sofre de duas doen\u00e7as econ\u00f4micas: um Estado que pesa demais e uma economia que produz de menos. S\u00e3o problemas diferentes, mas profundamente interligados.<\/p>\n<p>O Estado brasileiro absorve uma parcela excessiva da riqueza nacional, gasta mal e entrega pouco; assim, ele retira espa\u00e7o daquilo que faz um pa\u00eds prosperar: investimento, inova\u00e7\u00e3o, empreendedorismo e produtividade. A <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/tributacao\/\">carga tribut\u00e1ria<\/a> brasileira atingiu, em 2024, seu maior n\u00edvel hist\u00f3rico, em 32% do <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/pib\/\">PIB<\/a>, um porcentual superior ao de diversos pa\u00edses em desenvolvimento que oferecem servi\u00e7os p\u00fablicos semelhantes, ou mesmo melhores. O gigantismo e a inefici\u00eancia do Estado brasileiro s\u00e3o resultado de d\u00e9cadas de expans\u00e3o cont\u00ednua das despesas obrigat\u00f3rias, de baixa capacidade de planejamento e de uma estrutura administrativa excessivamente complexa.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Uma realidade que resume de forma assustadora nossa estagna\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de muitos pais j\u00e1 n\u00e3o terem a certeza de que seus filhos viver\u00e3o melhor do que eles<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O segundo problema, o baixo crescimento econ\u00f4mico, talvez seja ainda mais grave, pelas consequ\u00eancias que produz ao longo do tempo. H\u00e1 muitos anos o Brasil cresce pouco, e cresce menos do que poderia. A produtividade praticamente estagnou desde o in\u00edcio da d\u00e9cada passada, o investimento perdeu dinamismo e fomos nos acostumando a uma mediocridade que j\u00e1 nem sequer causa espanto. N\u00e3o enfrentamos uma crise passageira; o crescimento med\u00edocre foi normalizado, assim como uma doen\u00e7a cr\u00f4nica, algo que se integrou \u00e0 vida nacional. Ainda que o Brasil n\u00e3o esteja permanentemente \u00e0 beira do colapso, est\u00e1 perdendo lentamente a capacidade de enriquecer \u2013 inclusive desperdi\u00e7ando o b\u00f4nus demogr\u00e1fico, o per\u00edodo em que a popula\u00e7\u00e3o em idade ativa supera a de crian\u00e7as e idosos.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds que deixa de enriquecer compromete todo o resto. Sal\u00e1rios crescem pouco, oportunidades se tornam mais escassas, jovens ficam cada vez mais propensos a buscar perspectivas fora do pa\u00eds, e o Estado vive em permanente dificuldade para financiar boas pol\u00edticas p\u00fablicas. Uma realidade que resume de forma assustadora nossa estagna\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de muitos pais j\u00e1 n\u00e3o terem a certeza de que seus filhos viver\u00e3o melhor do que eles.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Esses dois grandes problemas s\u00e3o agravados por diversos outros fatores, tamb\u00e9m conhecidos: um federalismo frequentemente disfuncional; uma cultura de aus\u00eancia de planejamento; um ambiente regulat\u00f3rio complexo e inseguro; baixa capacidade de inova\u00e7\u00e3o; desaten\u00e7\u00e3o a muitas das nossas riquezas naturais; uma economia excessivamente fechada ao <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/comercio-exterior\/\">com\u00e9rcio internacional<\/a>; e uma inser\u00e7\u00e3o internacional muito aqu\u00e9m do potencial brasileiro. Cada um desses fatores merece aten\u00e7\u00e3o individualizada, mas todos eles convergem para o mesmo resultado: dificultam o aumento da produtividade e reduzem nossa capacidade de crescer de forma sustentada.<\/p>\n<p>Corrigir distor\u00e7\u00f5es pontuais, no entanto, n\u00e3o basta se o pa\u00eds n\u00e3o souber qual \u00e9 sua grande ambi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, para onde deseja ir, um sonho compartilhado por todos. Se ao longo de boa parte do s\u00e9culo 20 os brasileiros acreditavam que seus filhos viveriam melhor do que eles, em algum momento, como j\u00e1 afirmamos, essa confian\u00e7a se perdeu e passamos a discutir apenas como administrar dificuldades, equilibrar contas ou repartir uma riqueza que cresce pouco. Pulamos de paliativo em paliativo, deixando de lado os grandes objetivos que unem e entusiasmam uma na\u00e7\u00e3o inteira e que, uma vez estabelecidas, permitem encontrar e hierarquizar as melhores medidas para atingi-las.<\/p>\n<p>Dias atr\u00e1s, mostramos que ainda hoje \u00e9 poss\u00edvel transformar um pa\u00eds de renda m\u00e9dia em um pa\u00eds de renda alta dentro de uma gera\u00e7\u00e3o, como fez a Costa Rica em 20 anos. Um sonho ambicioso, mas n\u00e3o irreal. O Brasil pode seguir esse exemplo, tornando-se n\u00e3o apenas um pa\u00eds rico, mas uma economia de fato produtiva e inovadora, capaz de gerar riqueza de forma sustentada, sem depender de ciclos de commodities. Ao lado desse grande horizonte, propomos dois \u201cobjetivos irm\u00e3os\u201d: reduzir drasticamente a pobreza e tornar a mis\u00e9ria um fen\u00f4meno residual, ligado a situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de vulnerabilidade, e n\u00e3o a uma falha estrutural do sistema econ\u00f4mico; e aliviar a ang\u00fastia quanto ao futuro, assegurando a todos uma previd\u00eancia digna e sustent\u00e1vel. Acreditamos que brasileiro nenhum, independentemente de tend\u00eancia pol\u00edtica, perfil socioecon\u00f4mico e faixa et\u00e1ria, discordaria de que vale a pena ter essa ambi\u00e7\u00e3o de um Brasil rico, sem mis\u00e9ria e capaz de garantir um envelhecimento digno a todos.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Um Brasil rico, leve no Estado, livre na economia, respons\u00e1vel nas contas, cuidadoso com o territ\u00f3rio e integrado ao mundo \u00e9 um Brasil que vale a pena construir<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para chegar l\u00e1, julgamos necess\u00e1rio perseguir alguns objetivos mais espec\u00edficos, dos quais destacamos quatro. Em primeiro lugar, um Estado do tamanho certo: leve, moderno, eficiente, digital, gerido por indicadores, com uma tributa\u00e7\u00e3o que, ao longo de poucos anos (no m\u00e1ximo uma d\u00e9cada), convirja para no m\u00e1ximo 30% do PIB e, em um horizonte um pouco maior, de talvez 20 anos, para 25% ou ainda menos. Em segundo lugar, uma economia genuinamente livre e competitiva, que figure entre as 30 mais livres economicamente do mundo (o que hoje est\u00e1 longe de ser o caso), com a recupera\u00e7\u00e3o do grau de investimento. Em terceiro lugar, uma pol\u00edtica ambiental baseada em evid\u00eancias, n\u00e3o em ideologias, capaz, ao mesmo tempo, de inverter decisivamente a curva de desmatamento e garantir \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es a possibilidade de fruir de riquezas naturais inigual\u00e1veis por meio de um equil\u00edbrio entre conserva\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o inteligente, respons\u00e1vel e produtiva. E, em quarto lugar, um Brasil mais aberto ao mundo: um parceiro democr\u00e1tico, confi\u00e1vel e economicamente integrado, com peso internacional compat\u00edvel com seu tamanho e seu potencial.<\/p>\n<p>Um <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/brasil-rico\/\">Brasil rico<\/a>, leve no Estado, livre na economia, respons\u00e1vel nas contas, cuidadoso com o territ\u00f3rio e integrado ao mundo \u00e9 um Brasil que vale a pena construir. A discuss\u00e3o sobre os caminhos para essa constru\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feita nas pr\u00f3ximas semanas; basta-nos, por ora, ressaltar a import\u00e2ncia da defini\u00e7\u00e3o de um sonho comum. Se quisermos voltar a acreditar no Brasil, precisamos voltar a acreditar que ele pode enriquecer, oferecer oportunidades aos seus cidad\u00e3os e ocupar seu devido lugar entre as grandes democracias do mundo.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo das \u00faltimas semanas, al\u00e9m de comentar neste espa\u00e7o os temas importantes do momento, a Gazeta do Povo tem&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":647461,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-647460","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/647460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=647460"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/647460\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/647461"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=647460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=647460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=647460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}