{"id":638116,"date":"2026-08-11T10:48:05","date_gmt":"2026-08-11T14:48:05","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=638116"},"modified":"2026-08-11T10:48:05","modified_gmt":"2026-08-11T14:48:05","slug":"divida-do-governo-cresce-mais-que-setor-privado-e-pressiona-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=638116","title":{"rendered":"D\u00edvida do governo cresce mais que setor privado e pressiona economia"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>A d\u00edvida p\u00fablica brasileira chegou a 77,2% do PIB em abril e ultrapassou a d\u00edvida do setor privado, que ficou em 75,7%, segundo estudo do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras (Cefeb), da Fipe, divulgado nesta ter\u00e7a-feira (11) pelo jornal <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>. O avan\u00e7o indica o chamado \u201ccrowding out\u201d, quando o governo absorve uma parcela maior dos recursos dispon\u00edveis e reduz o espa\u00e7o para empresas e fam\u00edlias obterem cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>At\u00e9 o fim de 2025, as d\u00edvidas p\u00fablica e privada avan\u00e7avam praticamente no mesmo ritmo, acompanhando a expans\u00e3o do cr\u00e9dito na economia. Em abril de 2026, por\u00e9m, o cen\u00e1rio mudou e fez a d\u00edvida p\u00fablica disparar para o atual patamar. Como o governo \u00e9 considerado um tomador de menor risco, consegue disputar recursos com o setor privado e influencia o custo do dinheiro.<\/p>\n<p>\u201cO governo demanda mais recursos, e isso eleva o pr\u00eamio de risco e os juros para quem toma financiamento\u201d, afirma Roberto Troster, coordenador do Cefeb, em entrevista ao peri\u00f3dico.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>O estudo encontrou correla\u00e7\u00e3o de 0,97 entre o custo de capta\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica e o custo da d\u00edvida das empresas. Para Troster, isso mostra que o Estado funciona como uma esp\u00e9cie de \u201cpre\u00e7o-\u00e2ncora\u201d do mercado financeiro: quando o governo paga mais para se financiar, as empresas tamb\u00e9m enfrentam custos maiores.<\/p>\n<p>O impacto \u00e9 mais forte sobre as empresas menores, que t\u00eam menos alternativas para captar recursos. Segundo o levantamento, o custo m\u00e9dio das deb\u00eantures chegou a 13,68%, enquanto o cr\u00e9dito banc\u00e1rio para pessoas jur\u00eddicas ficou em 18,40%.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a de 4,53 pontos percentuais entre essas modalidades em abril mostra a dificuldade enfrentada por empresas que dependem dos bancos. \u201cEmitir d\u00edvida a esse custo imp\u00f5e uma linha de destrui\u00e7\u00e3o de valor para a maioria dos setores da economia real\u201d, afirma Troster.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Inadimpl\u00eancia empresarial<\/h2>\n<p>O aperto financeiro aparece tamb\u00e9m na inadimpl\u00eancia empresarial, com uma alta de 4,8% considerada o maior n\u00edvel hist\u00f3rico e alcan\u00e7ando 6% entre micro e pequenas empresas. Nas grandes companhias, o \u00edndice ficou em 0,5%.<\/p>\n<p>O n\u00famero de empresas negativadas tamb\u00e9m subiu de 6,66 milh\u00f5es em janeiro de 2024 para 8,96 milh\u00f5es em abril de 2026, uma alta de 34,5%. Com mais atrasos, os bancos tendem a endurecer as regras de concess\u00e3o, enquanto empresas podem adiar investimentos e priorizar a redu\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, o fen\u00f4meno preocupa ainda mais porque as empresas brasileiras passaram a depender mais do mercado de capitais. A participa\u00e7\u00e3o desse segmento na d\u00edvida das companhias abertas subiu de 14,8% para 22% entre 2022 e 2026, enquanto a fatia do cr\u00e9dito banc\u00e1rio caiu de 38,4% para 31,2%.<\/p>\n<p>O crescimento das despesas obrigat\u00f3rias tamb\u00e9m \u00e9 apontado como um problema, como a pol\u00edtica de reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo com ganho real e a reindexa\u00e7\u00e3o de gastos com sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Especialistas j\u00e1 indicavam que o novo arcabou\u00e7o fiscal do governo poderia influenciar diretamente na trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Governo reconhece dificuldades fiscais<\/h2>\n<p>Ao <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>, o secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio da Fazenda, Rog\u00e9rio Ceron, n\u00e3o comentou especificamente o estudo, mas reconheceu que os juros de longo prazo s\u00e3o influenciados pelas condi\u00e7\u00f5es internacionais, pela pol\u00edtica fiscal brasileira e pelo crescimento da oferta de t\u00edtulos privados isentos de impostos.<\/p>\n<p>\u201cQueremos um pa\u00eds que tenha a taxa de juros menor, isso \u00e9 consenso. Como fazemos isso? Precisamos ir desarmando [os dois componentes sobre os quais temos inger\u00eancia]\u201d, afirmou em refer\u00eancia \u00e0 trajet\u00f3ria da pol\u00edtica fiscal e \u00e0 grande oferta de t\u00edtulos com isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ceron defende mudan\u00e7as para reduzir o pr\u00eamio de risco e controlar a expans\u00e3o dos t\u00edtulos incentivados, como deb\u00eantures, LCIs e LCAs. Para ele, o volume dessas emiss\u00f5es j\u00e1 \u00e9 incompat\u00edvel com a poupan\u00e7a de longo prazo dispon\u00edvel no pa\u00eds e a situa\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o est\u00e1 saud\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Os especialistas ouvidos pelo jornal tamb\u00e9m destacam a pouca margem para cortes no or\u00e7amento brasileiro. Nos Estados Unidos, cerca de 20% das despesas s\u00e3o discricion\u00e1rias, enquanto no Brasil essa parcela n\u00e3o chega a 5%, tornando o ajuste fiscal muito mais complexo do que em outros pa\u00edses.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A d\u00edvida p\u00fablica brasileira chegou a 77,2% do PIB em abril e ultrapassou a d\u00edvida do setor privado, que ficou&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":636128,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-638116","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/638116","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=638116"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/638116\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/636128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=638116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=638116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=638116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}