{"id":634537,"date":"2026-08-10T17:13:35","date_gmt":"2026-08-10T21:13:35","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=634537"},"modified":"2026-08-10T17:13:35","modified_gmt":"2026-08-10T21:13:35","slug":"por-que-a-colombia-e-a-venezuela-foram-alvos-de-fortes-terremotos-em-poucos-meses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=634537","title":{"rendered":"Por que a Col\u00f4mbia e a Venezuela foram alvos de fortes terremotos em poucos meses"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>A Col\u00f4mbia foi alvo nesta segunda-feira (10) de um terremoto de magnitude 7,4 que provocou mortes, destrui\u00e7\u00e3o e danos em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds. O tremor teve epicentro no departamento de Choc\u00f3, no noroeste colombiano, e ocorreu a cerca de 100 quil\u00f4metros de profundidade. Segundo balan\u00e7o mais recente divulgado pelo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, ao menos 111 pessoas morreram devido ao tremor at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>O desastre ocorreu menos de dois meses depois de a Venezuela tamb\u00e9m ser atingida por dois fortes terremotos, tamb\u00e9m de magnitude superior a 7, que deixaram mais de 6 mil mortos. Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que tanto a Venezuela quanto a Col\u00f4mbia est\u00e3o localizadas em regi\u00f5es de intensa atividade geol\u00f3gica, pr\u00f3ximas aos limites de grandes placas tect\u00f4nicas. Essa caracter\u00edstica torna os dois pa\u00edses mais sujeitos a terremotos, inclusive de grande magnitude, embora os tremores registrados na Venezuela e na Col\u00f4mbia tenham ocorrido por mecanismos diferentes e n\u00e3o haja ind\u00edcios de que um evento tenha provocado o outro.<\/p>\n<p>Segundo os analistas, na Col\u00f4mbia, o terremoto registrado nesta segunda est\u00e1 relacionado ao encontro da placa de Nazca, localizada no oceano Pac\u00edfico, com a placa Sul-Americana. A placa de Nazca avan\u00e7ou em dire\u00e7\u00e3o ao continente e mergulhou sob a placa Sul-Americana, em um processo descrito pelos especialistas como subduc\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na Venezuela, os terremotos est\u00e3o associados principalmente ao movimento entre as placas do Caribe e Sul-Americana.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Alexandre Nogueira, sism\u00f3logo do Centro de Sismologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), explicou \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong> que o norte e o oeste da Am\u00e9rica do Sul, onde est\u00e3o Col\u00f4mbia e Venezuela, ficam em \u00e1reas de contato entre grandes placas tect\u00f4nicas, uma condi\u00e7\u00e3o que favorece uma atividade s\u00edsmica mais intensa e a ocorr\u00eancia de terremotos de maior magnitude. De acordo com o sism\u00f3logo, a parte oeste do continente sul-americano est\u00e1 em contato com a placa de Nazca, enquanto ao norte ocorre o encontro com a placa do Caribe. Nessas regi\u00f5es, o movimento e o atrito entre as placas acumulam tens\u00f5es que podem ser liberadas na forma de terremotos.<\/p>\n<p>O engenheiro ambiental Alessandro Bertolino, doutor em Gest\u00e3o Urbana e professor da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUC-PR), tamb\u00e9m explicou \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong> que os dois pa\u00edses est\u00e3o inseridos em \u00e1reas geologicamente ativas. Segundo ele, embora Col\u00f4mbia e Venezuela estejam sob influ\u00eancia de sistemas tect\u00f4nicos diferentes, as duas regi\u00f5es est\u00e3o sujeitas a movimentos de placas capazes de provocar terremotos de grande magnitude.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o colombiana, conforme Bertolino, a placa de Nazca se desloca em dire\u00e7\u00e3o ao leste e nordeste e mergulha sob a placa Sul-Americana. O processo de subduc\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionado n\u00e3o apenas aos terremotos, mas tamb\u00e9m \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da Cordilheira dos Andes ao longo de milh\u00f5es de anos. Na Venezuela, por outro lado, a placa do Caribe se desloca lateralmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 placa Sul-Americana.<\/p>\n<h2>Terremotos n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o direta<\/h2>\n<p>Apesar de terem ocorrido em pa\u00edses vizinhos e em um intervalo de menos de dois meses, os especialistas descartam, at\u00e9 o momento, uma rela\u00e7\u00e3o direta entre os terremotos da Venezuela e o registrado agora na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem nenhum ind\u00edcio cient\u00edfico que os terremotos que aconteceram na Venezuela e o terremoto agora que aconteceu na Col\u00f4mbia t\u00eam alguma rela\u00e7\u00e3o entre si\u201d, afirmou Nogueira.<\/p>\n<p>Segundo o sism\u00f3logo da USP, os eventos ocorreram em sistemas tect\u00f4nicos diferentes. Na Venezuela, o terremoto foi provocado pelo movimento lateral entre as placas do Caribe e Sul-Americana. Na Col\u00f4mbia, ocorreu o choque entre as placas de Nazca e Sul-Americana, com uma delas avan\u00e7ando por baixo da outra.<\/p>\n<p>Bertolino fez avalia\u00e7\u00e3o semelhante. Segundo ele, \u00e9 poss\u00edvel relacionar os terremotos apenas de maneira ampla, porque ambos s\u00e3o fen\u00f4menos naturais provocados pelo movimento das placas tect\u00f4nicas. \u201cEm sentido causal direto, se um foi causa do outro, provavelmente n\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>De acordo com Bertolino, os locais dos terremotos est\u00e3o separados por cerca de mil quil\u00f4metros. Embora fa\u00e7am parte do complexo sistema tect\u00f4nico existente no norte e no noroeste da Am\u00e9rica do Sul, eles n\u00e3o est\u00e3o ligados \u00e0 mesma falha nem ao mesmo segmento tect\u00f4nico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de terem origens diferentes, os terremotos da Col\u00f4mbia e da Venezuela tamb\u00e9m apresentaram uma diferen\u00e7a importante na profundidade. O terremoto colombiano ocorreu a aproximadamente 100 quil\u00f4metros abaixo da superf\u00edcie. Na Venezuela, os abalos foram muito mais rasos, com profundidades entre aproximadamente 10 e 20 quil\u00f4metros, segundo Bertolino. As magnitudes, por outro lado, foram semelhantes: ficaram acima de 7 nos dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>A profundidade \u00e9 um dos fatores que ajudam a determinar o potencial de destrui\u00e7\u00e3o de um terremoto. De maneira geral, quanto mais pr\u00f3ximo da superf\u00edcie ocorre um tremor, maior pode ser seu impacto nas \u00e1reas atingidas.<\/p>\n<p>\u201cTerremotos superficiais, como o terremoto da Venezuela, s\u00e3o bem mais destrutivos que terremotos mais profundos\u201d, explicou Nogueira.<\/p>\n<p>Segundo o sism\u00f3logo, o terremoto venezuelano ocorreu nos primeiros quil\u00f4metros da crosta terrestre, enquanto o colombiano teve origem muito mais abaixo da superf\u00edcie. Apesar disso, o terremoto desta segunda-feira provocou destrui\u00e7\u00e3o em diferentes partes da Col\u00f4mbia devido \u00e0 sua elevada magnitude e \u00e0 proximidade de \u00e1reas povoadas.<\/p>\n<h2>Est\u00e3o ocorrendo mais terremotos na Am\u00e9rica do Sul?<\/h2>\n<p>A sequ\u00eancia de terremotos de grande magnitude pode provocar a impress\u00e3o de que a atividade s\u00edsmica est\u00e1 aumentando na Am\u00e9rica do Sul. Os dois especialistas consultados pela reportagem, por\u00e9m, afirmam que n\u00e3o existem elementos suficientes para sustentar essa conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Bertolino ressalta que a ocorr\u00eancia de v\u00e1rios terremotos acima de magnitude 7 em aproximadamente dois meses chama a aten\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o permite afirmar que o continente esteja vivendo uma onda anormal de atividade s\u00edsmica.<\/p>\n<p>\u201cPode assustar, em quest\u00e3o de dois meses, mais ou menos, a gente ter v\u00e1rios eventos desses, uma concentra\u00e7\u00e3o maior do que a gente est\u00e1 acostumado a observar numa regi\u00e3o espec\u00edfica, mas isso n\u00e3o quer dizer que a gente est\u00e1 passando por um per\u00edodo anormal\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo ele, seria necess\u00e1rio analisar uma s\u00e9rie hist\u00f3rica longa, comparando a quantidade, a magnitude e a distribui\u00e7\u00e3o dos terremotos ao longo do tempo, para determinar cientificamente se existe alguma mudan\u00e7a significativa no padr\u00e3o s\u00edsmico da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nogueira tamb\u00e9m afirma que n\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios de que terremotos estejam acontecendo com maior frequ\u00eancia atualmente. Uma das raz\u00f5es para a percep\u00e7\u00e3o de aumento, segundo ele, \u00e9 o avan\u00e7o dos sistemas usados para detectar os tremores.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem nenhum ind\u00edcio que isso possa estar acontecendo. O que acontece hoje \u00e9 que a gente tem instrumenta\u00e7\u00e3o mais sens\u00edvel. Nossas redes sismogr\u00e1ficas s\u00e3o mais sens\u00edveis e tamb\u00e9m a gente as possui em maior quantidade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Com mais equipamentos espalhados pelo mundo e tecnologias capazes de identificar movimenta\u00e7\u00f5es cada vez menores, terremotos que anteriormente poderiam passar despercebidos hoje s\u00e3o registrados e rapidamente divulgados.<\/p>\n<h2>H\u00e1 risco de novos grandes terremotos?<\/h2>\n<p>Os especialistas alertam que os terremotos da Venezuela e da Col\u00f4mbia n\u00e3o permitem prever se novos tremores de grande magnitude atingir\u00e3o mais pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Segundo Bertolino, as placas tect\u00f4nicas est\u00e3o em movimento constante, mas a ci\u00eancia ainda n\u00e3o consegue determinar com precis\u00e3o quando, onde e com qual magnitude ocorrer\u00e1 um terremoto. Atualmente, pesquisadores trabalham principalmente com c\u00e1lculos de probabilidade e modelos de risco para identificar regi\u00f5es mais sujeitas a esses fen\u00f4menos.<\/p>\n<p>Nogueira tamb\u00e9m destaca a dificuldade de realizar previs\u00f5es. Segundo ele, grandes terremotos podem ser seguidos por r\u00e9plicas, geralmente de magnitude inferior \u00e0 do evento principal, embora existam exce\u00e7\u00f5es. \u201cBasicamente \u00e9 imposs\u00edvel prever terremotos\u201d, afirmou o sism\u00f3logo.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Col\u00f4mbia foi alvo nesta segunda-feira (10) de um terremoto de magnitude 7,4 que provocou mortes, destrui\u00e7\u00e3o e danos em&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":634538,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-634537","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/634537","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=634537"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/634537\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/634538"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=634537"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=634537"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=634537"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}