{"id":620689,"date":"2026-08-06T07:00:00","date_gmt":"2026-08-06T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=620689"},"modified":"2026-08-06T07:00:00","modified_gmt":"2026-08-06T11:00:00","slug":"o-brasil-ja-convive-com-um-autoritarismo-de-tracos-fascistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=620689","title":{"rendered":"O Brasil j\u00e1 convive com um autoritarismo de tra\u00e7os fascistas"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout-module-scss-module__08MJ-a__postContent\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/05202148\/alexandre-de-moraes-paulo-gonet-960x540.jpg.webp\" \/><span>O ministro do STF Alexandre de Moraes e o procurador-geral Paulo Gonet: Judici\u00e1rio e Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal tornaram-se instrumentos de poder pol\u00edtico. (Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/fascismo\/\">fascismo <\/a>n\u00e3o \u00e9 um fantasma do passado italiano dos anos 1930. \u00c9 uma forma espec\u00edfica de autoritarismo que se instala quando o Estado absorve a sociedade, esmaga a autonomia das institui\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias e exige lealdade ideol\u00f3gica sob a capa do \u201cpovo\u201d, da \u201cjusti\u00e7a social\u201d ou da \u201c<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/democracia\/\">democracia<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Hannah Arendt, em <em>Origens do Totalitarismo<\/em>, estabelece uma distin\u00e7\u00e3o importante: o nazismo alem\u00e3o e o comunismo sovi\u00e9tico foram regimes totalit\u00e1rios \u2013 sistemas que buscavam o controle total da realidade, a destrui\u00e7\u00e3o da esfera privada e a cria\u00e7\u00e3o de um \u201chomem novo\u201d por meio da ideologia. O fascismo italiano de Mussolini, em contraste, foi um regime autorit\u00e1rio: concentrava poder, suprimia a oposi\u00e7\u00e3o, mobilizava as massas e corporativizava a economia, mas n\u00e3o chegou \u2013 nem pretendeu chegar \u2013 \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o completa da sociedade civil e da tradi\u00e7\u00e3o que caracterizou Auschwitz e o Gulag. O fascismo opera pela captura das institui\u00e7\u00f5es existentes, pela expans\u00e3o do Estado sobre a economia e a cultura, e pela intoler\u00e2ncia seletiva contra os inimigos ideol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Sob esse aspecto, \u00e9 precisamente esse padr\u00e3o que se observa no Brasil contempor\u00e2neo. N\u00e3o se trata de exagero ret\u00f3rico, mas do reconhecimento de uma forma espec\u00edfica de autoritarismo de tra\u00e7os fascistas, adaptado \u00e0 linguagem progressista do s\u00e9culo 21: culto ao l\u00edder popular, instrumentaliza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, controle econ\u00f4mico por meio da tributa\u00e7\u00e3o e da regula\u00e7\u00e3o, depend\u00eancia cultural do Estado, toler\u00e2ncia seletiva \u00e0 viol\u00eancia ideologicamente afinada e alian\u00e7as externas com regimes antiliberais.<\/p>\n<blockquote>\n<p>O fascismo opera pela captura das institui\u00e7\u00f5es existentes, pela expans\u00e3o do Estado sobre a economia e a cultura, e pela intoler\u00e2ncia seletiva contra os inimigos ideol\u00f3gicos<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Tra\u00e7os fascistas nas institui\u00e7\u00f5es e na cultura<\/h2>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/judiciario\/\">Judici\u00e1rio <\/a>e o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/ministerio-publico\/\">Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/a> Federal tornaram-se instrumentos de poder pol\u00edtico. Decis\u00f5es monocr\u00e1ticas, inqu\u00e9ritos sem fim, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/censura\/\">censura <\/a>de plataformas, persegui\u00e7\u00e3o a advers\u00e1rios eleitorais e aplica\u00e7\u00e3o seletiva da lei subverteram a fun\u00e7\u00e3o de controle e de freios que a Constitui\u00e7\u00e3o lhes atribui, convertendo essas institui\u00e7\u00f5es em bra\u00e7os de um projeto de poder. Quando magistrados e procuradores passam a definir o que pode ser dito, quem pode ser candidato e quais narrativas s\u00e3o consideradas aceit\u00e1veis, j\u00e1 n\u00e3o estamos diante de um Estado liberal. Estamos diante de um autoritarismo de tra\u00e7os fascistas que se coloca acima da lei e da vontade popular. O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, longe de atuar como guardi\u00e3o da legalidade, frequentemente assume o papel de fiscal ideol\u00f3gico, priorizando pautas de costumes e a chamada \u201cluta contra o discurso de \u00f3dio\u201d, enquanto a criminalidade comum e o narcoterrorismo avan\u00e7am.<\/p>\n<p>No Executivo, a figura do socialista <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/lula\/\">Lula <\/a>evoca deliberadamente a heran\u00e7a pol\u00edtica de Get\u00falio Vargas. Vargas construiu o Estado Novo apoiado no corporativismo trabalhista, no controle sindical, na propaganda de massa e no personalismo. Lula e o lulismo reeditam a mesma l\u00f3gica: o l\u00edder como encarna\u00e7\u00e3o do povo, a CLT como totem intoc\u00e1vel, a ret\u00f3rica do \u201cpai dos pobres\u201d e a mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica permanente. O antissemitismo \u2013 por vezes disfar\u00e7ado de antissionismo, por vezes expresso em declara\u00e7\u00f5es e alian\u00e7as \u2013 tamb\u00e9m \u00e9 apresentado como parte desse quadro. Mussolini igualmente aderiu ao antissemitismo quando a conveni\u00eancia pol\u00edtica assim o exigiu. A afinidade com regimes que negam o direito de exist\u00eancia de Israel e a toler\u00e2ncia a discursos que retratam os judeus como opressores revelariam, nessa perspectiva, uma continuidade cultural, e n\u00e3o uma ruptura.<\/p>\n<p>A estrutura econ\u00f4mica refor\u00e7a esse padr\u00e3o. A elevada carga tribut\u00e1ria, a complexidade do sistema fiscal e a rigidez da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista funcionam como mecanismos de controle. O Estado extrai recursos da sociedade produtiva e os redistribui segundo crit\u00e9rios pol\u00edticos, criando clientelas e rela\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia. As regras trabalhistas herdadas do varguismo e preservadas por sucessivos governos de esquerda protegem o sindicalismo oficial e dificultam a gera\u00e7\u00e3o de empregos formais, sobretudo para os mais pobres. O resultado \u00e9 um mercado de trabalho dual: poucos protegidos e muitos \u00e0 margem. Essa \u00e9 a l\u00f3gica do corporativismo estatal.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>A press\u00e3o por medidas sanit\u00e1rias coercitivas durante a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/pandemia\/\">pandemia <\/a>de <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/covid-19\/\">Covid-19<\/a>, exercida por governos estaduais e municipais, pelo Judici\u00e1rio e por amplos setores da m\u00eddia e da opini\u00e3o p\u00fablica progressista, revelou com clareza o mesmo padr\u00e3o autorit\u00e1rio de substitui\u00e7\u00e3o do consentimento pelo controle. Entre 2020 e 2022, o Estado \u2013 em suas diversas esferas \u2013 arrogou-se o direito de decidir, mediante coer\u00e7\u00e3o, o que cada cidad\u00e3o deveria injetar no pr\u00f3prio corpo. Essa l\u00f3gica colidia frontalmente com o princ\u00edpio do consentimento volunt\u00e1rio e informado estabelecido pelo C\u00f3digo de Nuremberg, elaborado ap\u00f3s os julgamentos dos crimes m\u00e9dicos nazistas. A vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria foi imposta sob amea\u00e7a de exclus\u00e3o social, perda de emprego e restri\u00e7\u00f5es \u00e0 circula\u00e7\u00e3o, enquanto o passaporte sanit\u00e1rio se convertia em instrumento de controle.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, a agenda defendida por Anthony Fauci passou a ser contestada \u00e0 medida que audi\u00eancias e documentos p\u00fablicos trouxeram \u00e0 tona controv\u00e9rsias sobre a origem do v\u00edrus, as pesquisas de ganho de fun\u00e7\u00e3o, a efic\u00e1cia das vacinas e a extens\u00e3o de seus efeitos adversos. No Brasil, por\u00e9m, a chamada \u201cci\u00eancia oficial\u201d frequentemente silenciou m\u00e9dicos e cidad\u00e3os dissonantes, tratando a hesita\u00e7\u00e3o vacinal como uma esp\u00e9cie de delito moral. Assim, as medidas sanit\u00e1rias coercitivas n\u00e3o representaram apenas uma resposta emergencial \u00e0 pandemia, mas mais um cap\u00edtulo da substitui\u00e7\u00e3o do consentimento popular pela imposi\u00e7\u00e3o de uma narrativa centralizada \u2013 o oposto dos princ\u00edpios que sustentam o Estado liberal.<\/p>\n<p>A cultura oficial segue o mesmo caminho. Grande parte da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, cinematogr\u00e1fica e acad\u00eamica depende de editais, leis de incentivo e verbas p\u00fablicas. Quem critica o regime ou a ideologia dominante perde acesso; quem adere prospera. O resultado \u00e9 uma \u201carte\u201d de Estado: propaganda revestida de verniz est\u00e9tico. A crescente interven\u00e7\u00e3o na CBF e no futebol brasileiro ilustra essa mesma l\u00f3gica. Em vez de preservar a autonomia de uma das institui\u00e7\u00f5es mais representativas da sociedade brasileira, o poder pol\u00edtico amplia sua influ\u00eancia sobre um patrim\u00f4nio cultural que historicamente desempenhou papel central na identidade nacional. O futebol, assim, deixa de ser apenas um esporte para tornar-se tamb\u00e9m objeto de disputa pol\u00edtica e simb\u00f3lica.<\/p>\n<blockquote>\n<p>As medidas sanit\u00e1rias coercitivas n\u00e3o representaram apenas uma resposta emergencial \u00e0 pandemia, mas a substitui\u00e7\u00e3o do consentimento popular pela imposi\u00e7\u00e3o de uma narrativa centralizada<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A toler\u00e2ncia com o narcoterrorismo \u00e9 igualmente reveladora. Fac\u00e7\u00f5es que controlam territ\u00f3rios, matam e aterrorizam popula\u00e7\u00f5es pobres s\u00e3o frequentemente tratadas sob a linguagem da \u201cvulnerabilidade social\u201d, enquanto o cidad\u00e3o comum que se arma ou se organiza para a pr\u00f3pria defesa \u00e9 criminalizado. Um Estado que n\u00e3o consegue ou n\u00e3o quer impor a lei nos territ\u00f3rios dominados pelo crime demonstra seletividade autorit\u00e1ria: a viol\u00eancia \u00e9 tolerada quando serve \u00e0 narrativa da \u201copress\u00e3o estrutural\u201d e reprimida quando amea\u00e7a o monop\u00f3lio ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p>A imprensa tradicional completa esse quadro. Os grandes jornais e ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, que em outras \u00e9pocas se apresentavam como contrapeso ao poder, tornaram-se, em sua maioria, d\u00f3ceis e funcionais ao projeto pol\u00edtico vigente. A cobertura seletiva, a omiss\u00e3o sistem\u00e1tica de esc\u00e2ndalos que atingem o governo e a amplifica\u00e7\u00e3o de narrativas que criminalizam opositores revelam n\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/jornalismo\/\">jornalismo<\/a>, mas alinhamento. Quando a cr\u00edtica se limita a detalhes de gest\u00e3o e evita questionar as estruturas de poder, o que existe n\u00e3o \u00e9 imprensa livre, mas um aparato de legitima\u00e7\u00e3o. A depend\u00eancia de verbas publicit\u00e1rias estatais, a proximidade ideol\u00f3gica de parte das reda\u00e7\u00f5es e a autocensura preventiva transformaram jornalistas e \u00e2ncoras de programas informativos em ecos dos mesmos discursos que circulam nos tribunais e nos gabinetes. O resultado \u00e9 um ambiente informativo no qual a dissid\u00eancia \u00e9 tratada como anomalia e a narrativa oficial, como senso comum.<\/p>\n<p>No plano externo, a alian\u00e7a preferencial com a China comunista, a R\u00fassia de Putin e o Ir\u00e3 teocr\u00e1tico n\u00e3o representa um realismo diplom\u00e1tico neutro, mas uma escolha de campo. O Brasil aproxima-se de regimes que rejeitam a ordem liberal ocidental, perseguem crist\u00e3os, negam direitos humanos universais e desafiam a soberania de sociedades abertas. Atacar as sociedades liberais enquanto se cortejam autocracias antiliberais constitui a face internacional do mesmo autoritarismo de tra\u00e7os fascistas que se consolida no plano dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Como resistir<\/h2>\n<p class=\"postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraph postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraphInnerHtml\">Diante desse quadro, o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/cristianismo\/\">crist\u00e3o <\/a>\u2013 cat\u00f3lico ou protestante \u2013 n\u00e3o pode se deixar iludir pela narrativa da \u201cdemocracia plena\u201d. O autoritarismo contempor\u00e2neo de tra\u00e7os fascistas j\u00e1 n\u00e3o precisa de camisas pretas \u2013 embora tenha recorrido aos seus <em>black blocs<\/em> em passado recente. Hoje veste togas, ocupa est\u00fadios de televis\u00e3o, controla editais e impulsiona <em>hashtags<\/em>. A pergunta, portanto, torna-se inevit\u00e1vel: como resistir sem recorrer \u00e0 viol\u00eancia que o pr\u00f3prio Evangelho rejeita?<\/p>\n<p class=\"postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraph postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraphInnerHtml\">A tradi\u00e7\u00e3o puritana, especialmente a obra <em>Lex, Rex<\/em> (1644), de Samuel Rutherford, oferece fundamento teol\u00f3gico e pol\u00edtico s\u00f3lido para a resist\u00eancia civil ordenada. Rutherford, te\u00f3logo escoc\u00eas, afirmou com clareza que a lei \u00e9 rei (<em>lex, rex<\/em>), e n\u00e3o o contr\u00e1rio. O magistrado civil est\u00e1 submetido \u00e0 lei de Deus e ao pacto com o povo. Quando o magistrado civil se torna tirano, violando a justi\u00e7a, a liberdade de consci\u00eancia e a ordem criada, seus atos opressivos o privam de legitimidade. A resist\u00eancia, nesse caso, n\u00e3o \u00e9 rebeli\u00e3o an\u00e1rquica, mas obedi\u00eancia a Deus (\u201c<em>Rebellion to tyrants is obedience to God<\/em>\u201d). Rutherford enfatiza, contudo, que tal resist\u00eancia deve ser de natureza defensiva, proporcional \u00e0 gravidade dos abusos cometidos, preferencialmente mediada por magistrados inferiores e sempre subordinada \u00e0 consci\u00eancia iluminada pela Escritura. N\u00e3o se trata de \u00f3dio revolucion\u00e1rio, mas de recusa firme \u00e0 idolatria do Estado.<\/p>\n<p>S\u00e9culos depois, a experi\u00eancia dos crist\u00e3os no Leste Europeu sob o comunismo confirmou e atualizou essas li\u00e7\u00f5es. Eles n\u00e3o esperaram a queda do Muro para viver a f\u00e9. Criaram sociedades alternativas: semin\u00e1rios clandestinos, editoras <em>samizdat<\/em> (que faziam publica\u00e7\u00f5es independentes e clandestinas que circulavam fora do controle estatal), c\u00edrculos de estudo b\u00edblico, redes de ajuda m\u00fatua e, sobretudo, reuni\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o persistentes. A <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/igreja-catolica\/\">Igreja Cat\u00f3lica<\/a> na Pol\u00f4nia, sob Jo\u00e3o Paulo II, e as comunidades <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/protestantes\/\">protestantes <\/a>na Alemanha Oriental e na Rom\u00eania demonstraram que a resist\u00eancia mais eficaz come\u00e7a na forma\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de verdade e comunh\u00e3o que o Estado n\u00e3o consegue controlar. Ora\u00e7\u00e3o conjunta, educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 das crian\u00e7as fora do sistema ideol\u00f3gico, apoio material entre fam\u00edlias, preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria hist\u00f3rica e recusa de colaborar com a mentira oficial revelaram-se armas poderosas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Cat\u00f3licos e protestantes podem divergir em pontos teol\u00f3gicos, mas convergem na convic\u00e7\u00e3o fundamental de que o ser humano n\u00e3o pertence ao Estado<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>No contexto brasileiro atual, essa heran\u00e7a \u2013 puritana e do Leste Europeu \u2013 convida os crist\u00e3os a recusar a colabora\u00e7\u00e3o ativa com a mentira institucional, a formar associa\u00e7\u00f5es livres de fam\u00edlias, igrejas e escolas que preservem a verdade, e a usar todos os meios legais e pac\u00edficos dispon\u00edveis para contestar abusos. A ora\u00e7\u00e3o coletiva, a disciplina familiar e eclesi\u00e1stica, a educa\u00e7\u00e3o independente e o apoio m\u00fatuo entre irm\u00e3os tornam-se atos concretos de resist\u00eancia civil. Como Rutherford ensinou, o povo n\u00e3o \u00e9 escravo do governante; o governante \u00e9 ministro de Deus para o bem. Quando deixa de s\u00ea-lo, a fidelidade crist\u00e3 exige testemunho claro, paciente e corajoso \u2013 sem viol\u00eancia, mas sem covardia.<\/p>\n<h2><em>Et si omnes, ego non<\/em><\/h2>\n<p>No Brasil contempor\u00e2neo, isso implica fortalecer as fam\u00edlias e as igrejas locais enquanto c\u00e9lulas de liberdade; desenvolver escolas e iniciativas educacionais independentes do aparato estatal; apoiar a m\u00eddia e a produ\u00e7\u00e3o cultural aut\u00f4nomas; praticar a solidariedade concreta em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 caridade mediada pelo Estado; e cultivar a ora\u00e7\u00e3o como ato pol\u00edtico radical, pois ajoelhar-se diante de Deus constitui, em si, a recusa de ajoelhar-se diante do poder humano. Cat\u00f3licos e protestantes podem divergir em pontos teol\u00f3gicos, mas convergem na convic\u00e7\u00e3o fundamental de que o ser humano n\u00e3o pertence ao Estado e de que a consci\u00eancia formada pelas Escrituras e pela tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 permanece o \u00faltimo basti\u00e3o contra qualquer forma de totalitarismo ou autoritarismo.<\/p>\n<p>A m\u00e1xima \u201cAinda que todos [o fa\u00e7am], eu n\u00e3o\u201d (<em>Et si omnes, ego non<\/em>) n\u00e3o configura um apelo ao isolamento, mas um chamado \u00e0 fidelidade. O Brasil n\u00e3o necessita de um novo golpe militar nem de romantismo revolucion\u00e1rio. Necessita de crist\u00e3os capazes de discernir o tempo presente, de recusar a normaliza\u00e7\u00e3o do abuso de poder e de construir, com paci\u00eancia e firmeza, comunidades que testemunhem uma ordem diversa: aquela em que Cristo, e n\u00e3o o Estado, \u00e9 Senhor. A doutrina puritana de Rutherford e a resist\u00eancia pac\u00edfica dos crist\u00e3os no Leste Europeu n\u00e3o foram atitudes passivas. Representaram a perseveran\u00e7a de quem reconhece que a mentira tem prazo de validade e que a verdade, cultivada no sil\u00eancio, na ora\u00e7\u00e3o e na fidelidade cotidiana, acaba por prevalecer. Que o mesmo ocorra no Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<p>Conte\u00fado editado por: <a title=\"Link para o perfil de Marcio Antonio Campos\" href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/autor\/marcio-antonio-campos\/\">Marcio Antonio Campos<\/a><\/p>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ministro do STF Alexandre de Moraes e o procurador-geral Paulo Gonet: Judici\u00e1rio e Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal tornaram-se instrumentos de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":620690,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-620689","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/620689","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=620689"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/620689\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/620690"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=620689"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=620689"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=620689"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}