{"id":618566,"date":"2026-08-05T13:14:55","date_gmt":"2026-08-05T17:14:55","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=618566"},"modified":"2026-08-05T13:14:55","modified_gmt":"2026-08-05T17:14:55","slug":"carlos-maltz-o-incancelavel-roqueiro-de-direita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=618566","title":{"rendered":"Carlos Maltz, o incancel\u00e1vel roqueiro de direita"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>Conheci as m\u00fasicas de Carlos Maltz nos anos 90, nos tempos da Rep\u00fablica da Humait\u00e1, quando \u00e9ramos todos militantes de esquerda. Naqueles dias de vertigem e ilus\u00e3o, o som dos Engenheiros do Hawaii era a trilha sonora de uma gera\u00e7\u00e3o que buscava sentido na poeira da ideologia. Hoje, 40 anos depois, continuo ouvindo o Maltz, mas com uma diferen\u00e7a essencial: tenho o orgulho de cham\u00e1-lo de amigo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/newsletter\/?newsletter=paulo-briguet\"><strong>Receba um e-mail do Briguet: Inscreva-se gr\u00e1tis na Newsletter do Paulo Briguet e ganhe uma cr\u00f4nica exclusiva por e-mail todas as semanas.\u00a0<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Baterista e fundador de uma das bandas mais emblem\u00e1ticas do rock nacional, nascida em Porto Alegre em janeiro de 1985, Maltz ajudou a desenhar o imagin\u00e1rio sonoro do pa\u00eds. Ao lado de Humberto Gessinger, gravou dez discos de ouro e um de platina, arrastando multid\u00f5es por todo o Brasil, pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Estados Unidos e Jap\u00e3o. Nascido no hist\u00f3rico 24 de outubro de 1962 \u2014 dia da crise dos m\u00edsseis em Cuba \u2014, o filho de Le\u00e3o e Marta parece ter trazido do pr\u00f3prio ber\u00e7o o destino de caminhar sob climas tempestuosos.<\/p>\n<p>Homem de fam\u00edlia, casado com Ana, pai de Mariana, Rosana e Larissa, e av\u00f4 de Ant\u00f4nio, Jos\u00e9 e Miguel, Carlos Maltz nunca se deixou aprisionar pelo molde estreito do \u201cex-popstar\u201d. Ao deixar a bateria do trio ga\u00facho nos anos 90, partiu para novas e profundas buscas. Graduou-se em Psicologia em Bras\u00edlia e tornou-se um arguto estudioso da obra de Carl Jung e da astrologia simb\u00f3lica, al\u00e9m de escrever dois romances. Hoje, vivendo na tranquilidade de Joa\u00e7aba, em Santa Catarina, mant\u00e9m o pulso firme no ritmo da vida, tocando com a pr\u00f3pria fam\u00edlia na banda Os Maltz.<\/p>\n<p>No entanto, por ter a coragem de assumir posi\u00e7\u00f5es abertamente conservadoras, Carlos Maltz tornou-se alvo de olhares atravessados, patrulhamentos rasteiros e tentativas de cancelamento por parte de antigos colegas de profiss\u00e3o \u2014 gente que confunde arte com histeria ideol\u00f3gica. Mas quem conhece a trajet\u00f3ria e a honestidade de Maltz sabe que ele prefere o desterro dos r\u00f3tulos \u00e0 subservi\u00eancia do rebanho. A seguir, uma conversa franca com um artista que n\u00e3o vendeu a sua alma:<\/p>\n<p><strong>Paulo Briguet: O que voc\u00ea, um roqueiro de direita, tem a dizer sobre a omiss\u00e3o (quando n\u00e3o a cumplicidade) dos rockeiros de esquerda diante das atrocidades socialistas no Brasil e na Am\u00e9rica Latina nos \u00faltimos 36 anos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Maltz: <\/strong>H\u00e1 uma ideia do cr\u00edtico H. L. Mencken que considero vital para qualquer artista: ele n\u00e3o pode estar a servi\u00e7o de uma ideologia. O artista \u00e9 escravo de si mesmo \u2014 daquilo que Jung chamava de <em>self<\/em>, esse eu superior, essa consci\u00eancia. Se n\u00e3o for fiel ao que os pr\u00f3prios olhos veem e ao que a pr\u00f3pria consci\u00eancia avalia, o artista n\u00e3o serve para nada. E isso vale n\u00e3o s\u00f3 para os roqueiros, mas para qualquer artista: quem vende ou aluga a sua consci\u00eancia \u2014 por dinheiro, por interesse, para ficar bem na foto ou receber aplausos \u2014 comete uma esp\u00e9cie de suic\u00eddio existencial. A partir da\u00ed, deixa de servir para qualquer coisa.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Quem vende ou aluga a sua consci\u00eancia comete uma esp\u00e9cie de suic\u00eddio existencial<\/p>\n<p><cite>Carlos Maltz<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Paulo Briguet: \u201cFidel e Pinochet tiram sarro de voc\u00ea que n\u00e3o faz nada.&#8221; Quando ouvi esse verso pela primeira vez, eu era militante de esquerda, e ele me deixou com uma pulga atr\u00e1s da orelha. Como membro dos Engenheiros do Hawaii, voc\u00ea era alvo de patrulhamento mesmo antes de sair do arm\u00e1rio conservador?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Maltz:<\/strong> O primeiro disco dos Engenheiros j\u00e1 tinha essa disposi\u00e7\u00e3o de ser fiel \u00e0 consci\u00eancia e mandar chumbo, doa a quem doer. Logo na primeira faixa, &#8220;Toda Forma de Poder&#8221;, j\u00e1 desc\u00edamos o sarrafo em cima de Fidel e Pinochet \u2014 provavelmente um dos gestos mais ousados que uma banda de rock brasileira j\u00e1 fez. E olha que essa m\u00fasica virou trilha de novela da Globo!<\/p>\n<p>A gente era t\u00e3o outsider, t\u00e3o fora do circuito, que nem chegava a perceber se sofria persegui\u00e7\u00e3o. A m\u00eddia de rock, de modo geral, sempre bateu em n\u00f3s \u2014 pelo menos nos dez anos em que estive na banda. Os Engenheiros n\u00e3o eram uma banda chique nem da moda, n\u00e3o conviv\u00edamos com o pessoal de S\u00e3o Paulo ou do Rio, n\u00e3o \u00e9ramos da turma dos \u201cintelectuais\u201d do rock. E, para piorar (do ponto de vista deles), ainda faz\u00edamos sucesso popular \u2014 discos de ouro, de platina. Esses caras nos detestavam, nos execravam por n\u00e3o fazermos parte da turminha.<\/p>\n<p>Mas isso, do ponto de vista art\u00edstico, era \u00f3timo para n\u00f3s: nos dava uma liberdade enorme para fazer o que bem entend\u00edamos. N\u00e3o dev\u00edamos nada a ningu\u00e9m, n\u00e3o faz\u00edamos parte de sindicato nenhum, atir\u00e1vamos no que quer\u00edamos e fal\u00e1vamos o que pens\u00e1vamos. A cr\u00edtica de rock paulistana batia em n\u00f3s a priori \u2014 descia o cacete antes mesmo de ouvir o disco. Ent\u00e3o sim, fomos discriminados de todas as formas poss\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Paulo Briguet: Uma caracter\u00edstica dos velhos roqueiros \u2014 e tamb\u00e9m dos \u00edcones da MPB \u2014 \u00e9 que quase todos vivem do passado e n\u00e3o produzem nada de novo. Em geral s\u00e3o ex-compositores. Voc\u00ea, ao contr\u00e1rio, criou muita coisa boa e nova, at\u00e9 no campo da literatura. Fale sobre seu trabalho nos \u00faltimos anos. O que mais lhe d\u00e1 orgulho no passado e no presente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Maltz: <\/strong>Acho que houve algo dram\u00e1tico no Brasil, um divisor de \u00e1guas. Muita gente \u2014 n\u00e3o s\u00f3 do rock, mas escritores e artistas em geral \u2014 n\u00e3o percebeu que o sistema muda de lado com rapidez, sem apego, sem \u00e9tica. A maior parte dessas pessoas ficou presa \u00e0 forma, \u00e0 imagem, aos slogans do passado, \u00e0 luta contra a ditadura, \u00e0 esquerda democr\u00e1tica de outrora.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Voc\u00ea v\u00ea essas pessoas falando hoje como se fossem a mesma pessoa de 40 anos atr\u00e1s, repetindo o discurso dos anos 80<\/p>\n<p><cite>Carlos Maltz<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Considero isso um drama, e inclusive estou come\u00e7ando a escrever um livro de fic\u00e7\u00e3o sobre o fanatismo, cujo personagem principal \u00e9 um f\u00e3 dos Engenheiros do Hawaii que envelhece agarrado \u00e0s ideias daquela d\u00e9cada.<\/p>\n<p>O que posso fazer? Como falei recentemente num v\u00eddeo: continuei vivo e continuo fiel aos meus olhos e \u00e0 minha consci\u00eancia, porque essa \u00e9 a obriga\u00e7\u00e3o do artista \u2014 n\u00e3o digo isso com orgulho, como se fosse um m\u00e9rito especial, mas como o pr\u00f3prio Mencken colocou: \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o. Quando percebi que estava enganado, equivocado, mudei de lado. Vi que estava do lado errado da hist\u00f3ria, que o bonde que eu tinha pegado j\u00e1 tinha parado, e eu achava que ainda estava andando. Desci daquele bonde e peguei outro. O que mais eu poderia fazer?<\/p>\n<p>Os livros que escrevi t\u00eam mais de dez anos, publicados num momento em que depois fiquei parado, precisando reciclar minha forma de ver muita coisa. Agora estou voltando a escrever, j\u00e1 dentro dessa nova perspectiva \u2014 e \u00e9 isso que mais me motiva hoje, o que me d\u00e1 vontade de viver, estudar, ler e escrever, mesmo neste momento t\u00e3o depressivo que estamos vivendo.<\/p>\n<p><strong>Paulo Briguet: Por que voc\u00ea escolheu morar em Santa Catarina?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Maltz:<\/strong> At\u00e9 a pandemia eu morava em Bras\u00edlia, para onde fui no come\u00e7o dos anos 2000 \u2014 mais de 20 anos morando l\u00e1. Na \u00e9poca da pandemia, morava num condom\u00ednio e vi os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios virarem agentes de uma esp\u00e9cie de gestapo sanit\u00e1ria. Foi a\u00ed que disse para a Ana, minha mulher: \u201cmeu bem, temos que nos mandar, isso aqui n\u00e3o tem a menor chance de sobreviv\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Percebi logo que aquela hist\u00f3ria de pandemia era algo fabricado, um teatro, e que n\u00e3o seria um epis\u00f3dio isolado, mas o primeiro de uma s\u00e9rie de acontecimentos que ainda est\u00e3o por vir. Decidimos que precis\u00e1vamos morar numa cidade pequena do interior, onde as pessoas se conhecessem e fosse mais dif\u00edcil transformar a popula\u00e7\u00e3o em coisa \u2014 ou em carcereira de um campo de concentra\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p>A ideia era vir para a regi\u00e3o Sul. Primeiro olhamos o Rio Grande do Sul, mas nenhum lugar nos fez brilhar os olhos. Depois conhecemos Joa\u00e7aba, em Santa Catarina, e gostamos mais. Meus conterr\u00e2neos ga\u00fachos n\u00e3o v\u00e3o gostar dessa resposta \u2014 v\u00e3o me chamar de tra\u00edra, de vendido \u2014 mas sinto muito: quando sa\u00ed do Rio Grande do Sul, na d\u00e9cada de 80, o estado estava muito \u00e0 frente de Santa Catarina. Hoje, Santa Catarina deu pelo menos cinco voltas na pista em rela\u00e7\u00e3o ao Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p><strong>Paulo Briguet: Vamos falar sobre dois de seus mestres? Como Carl Gustav Jung e Olavo de Carvalho entraram na sua vida e o que eles representam para voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Maltz:<\/strong> Daria para passar horas s\u00f3 nessa pergunta, Briguet. Comecei a ler Jung no come\u00e7o dos anos 90, no auge da banda \u2014 e o auge, em geral, vem casado com a crise. Eu vivia uma crise de identidade forte, percebendo que estava deixando de ser uma pessoa para virar um personagem, inclusive para minha pr\u00f3pria fam\u00edlia. Isso mexeu muito comigo e me levou a estudar a psicologia junguiana e, por essa mesma porta, a astrologia simb\u00f3lica.<\/p>\n<p>Para mim, Jung ainda est\u00e1 \u00e0 frente do que se faz na psicologia hoje, que seguiu um rumo extremamente materialista \u2014 o estudo do c\u00e9rebro, da sociedade, sempre em busca de uma causa externa, de um culpado. Jung est\u00e1 fora disso: vem do s\u00e9culo XIX numa busca pelo que se poderia chamar de esp\u00edrito. Ao romper com Freud, ele inaugura uma investiga\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 eminentemente psicol\u00f3gico na psique \u2014 n\u00e3o o c\u00e9rebro, n\u00e3o a sociedade, n\u00e3o o rem\u00e9dio psiqui\u00e1trico, mas algo pr\u00f3ximo do que chamamos de alma.<\/p>\n<p>Conheci Olavo de Carvalho tardiamente, em 2015 \u2014 comprei <em>O Imbecil Coletivo<\/em> e depois li, quase em sequ\u00eancia, <em>Nova Era e a Revolu\u00e7\u00e3o Cultural<\/em> e <em>O Jardim das Afli\u00e7\u00f5es<\/em>, j\u00e1 no come\u00e7o de 2016. N\u00e3o lembro exatamente o que me levou a comprar o primeiro livro \u2014 talvez algum v\u00eddeo dele na internet \u2014, mas tive a sorte de perceber logo a genialidade do autor.<\/p>\n<p>Olavo \u00e9 raro: um g\u00eanio da filosofia, uma esp\u00e9cie de S\u00f3crates contempor\u00e2neo, algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 especialista em nada e, ainda assim, consegue trazer uma vis\u00e3o clara e abrangente do todo. Tenho quase certeza de que ele ser\u00e1 reconhecido mundialmente como um g\u00eanio da nossa \u00e9poca. Por ter se envolvido diretamente com os acontecimentos do Brasil, acabou respingado pela polariza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u2014 e acho que muita gente ainda n\u00e3o percebe sua grandeza.<\/p>\n<p>Jung e Olavo t\u00eam em comum essa liberdade de estudar o que bem entendem, sem se enquadrar em escolas ou dogmas, seguindo apenas a pr\u00f3pria consci\u00eancia \u2014 indiv\u00edduos no sentido mais elevado da palavra. Cada um, a seu modo, trouxe uma renova\u00e7\u00e3o para o cristianismo, o que n\u00e3o \u00e9 para qualquer um: exige uma amplitude de vis\u00e3o capaz de ligar assuntos t\u00e3o dispares. S\u00e3o dois generalistas, capazes de contextualizar a cultura de sua \u00e9poca dentro do universal \u2014 pessoas totalmente fora da curva.<\/p>\n<p>N\u00e3o tive a sorte de conhecer Olavo pessoalmente, nem cheguei a explorar seu pensamento astrol\u00f3gico na \u00e9poca em que estudava o tema \u2014 algo que estou fazendo agora. E \u00e9 a mesma sensa\u00e7\u00e3o: onde quer que ele entre, seu olhar \u00e9 genial, livre de qualquer teoria prisioneira, como se enxergasse o mundo pela primeira vez.<\/p>\n<p><strong>Paulo Briguet: Voc\u00ea tem esperan\u00e7a, Maltz?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Maltz:<\/strong> Sempre. N\u00e3o somos algo que aconteceu por acaso: fomos criados por Deus para chegar \u00e0 vit\u00f3ria, \u00e0 gl\u00f3ria, \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, para nos reunirmos com Ele novamente um dia. N\u00e3o tem como n\u00e3o ter esperan\u00e7a, aconte\u00e7a o que acontecer, passemos pelo que tivermos que passar. Acho que o Criador gosta dos dramas da vida \u2014 quer nos ver vivos, lutando, vencendo. Ele n\u00e3o entrega na bandeja, gosta de peleja. Por isso n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o seguir esperan\u00e7oso, sabendo que caminhamos na dire\u00e7\u00e3o do nosso Pai Criador e atravessaremos o que for preciso atravessar.<\/p>\n<blockquote>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o seguir esperan\u00e7oso, sabendo que caminhamos na dire\u00e7\u00e3o do nosso Pai Criador e atravessaremos o que for preciso atravessar<\/p>\n<p><cite>Carlos Maltz<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Paulo Briguet: Um dos discos mais importantes dos Engenheiros, \u201cA Revolta dos D\u00e2ndis\u201d, tem um t\u00edtulo inspirado na obra de Albert Camus. Ap\u00f3s a Segunda Guerra, Camus sofreu um linchamento moral por parte da esquerda francesa ao denunciar o totalitarismo sovi\u00e9tico. Voc\u00ea se identifica com ele?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Maltz:<\/strong> \u00c9 uma enorme coincid\u00eancia voc\u00ea perguntar isso, pois estou relendo \u201cO Homem Revoltado\u201d agora. O protagonista do romance que estou escrevendo \u00e9 um f\u00e3 dos Engenheiros que tenta entender o impacto daquele disco de 1987 ao longo da vida.\u00a0<\/p>\n<p>Camus era um fil\u00f3sofo de verdade, um intelectual que n\u00e3o trapaceava a si mesmo para ficar bem na foto ou agradar a turminha. Em 1951, ao publicar \u201cO Homem Revoltado\u201d, ele foi execrado pela intelectualidade francesa \u2014 encabe\u00e7ada por Sartre \u2014 porque teve a coragem de denunciar os crimes de Stalin. Um intelectual honesto n\u00e3o desculpa atrocidades, e Camus defendeu o ser humano antes de defender sistemas te\u00f3ricos abstratos. Por isso, o pensamento dele foi reduzido, de forma simplista, a uma \u201ctese de direita\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Acho que a coisa mais parecida que temos hoje \u00e9 o pr\u00f3prio Olavo de Carvalho: a coragem de confrontar a verdade, doa a quem doer. Guardadas as propor\u00e7\u00f5es, vivemos no Brasil atual algo muito parecido com a Fran\u00e7a daquela \u00e9poca: uma classe art\u00edstica e intelectual que faz vista grossa a graves arb\u00edtrios em nome de uma ideologia. Nesse sentido, a coragem e a sinceridade de Camus continuam mais necess\u00e1rias do que nunca.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/t.me\/briguetsemmedo\"><strong>Canal Briguet Sem Medo: Acesse a comunidade no Telegram e receba conte\u00fados exclusivos.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conheci as m\u00fasicas de Carlos Maltz nos anos 90, nos tempos da Rep\u00fablica da Humait\u00e1, quando \u00e9ramos todos militantes de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":618567,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-618566","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/618566","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=618566"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/618566\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/618567"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=618566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=618566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=618566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}