{"id":615797,"date":"2026-08-04T20:00:02","date_gmt":"2026-08-05T00:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=615797"},"modified":"2026-08-04T20:00:02","modified_gmt":"2026-08-05T00:00:02","slug":"onda-chinesa-reduz-precos-de-carros-a-combustao-e-muda-estrategia-das-montadoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=615797","title":{"rendered":"Onda chinesa reduz pre\u00e7os de carros a combust\u00e3o e muda estrat\u00e9gia das montadoras"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>O Brasil se tornou, pela primeira vez, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/automoveis\/brasil-ultrapassa-a-russia-e-se-torna-o-maior-importador-de-carros-chineses-do-mundo\/\">o maior comprador de carros chineses do mundo<\/a>, superando mercados como R\u00fassia e B\u00e9lgica. O avan\u00e7o das montadoras do pa\u00eds asi\u00e1tico, impulsionado principalmente pelos ve\u00edculos el\u00e9tricos e h\u00edbridos, j\u00e1 provoca uma transforma\u00e7\u00e3o profunda no mercado automotivo nacional.<\/p>\n<p>Se, por um lado, a concorr\u00eancia ampliou a oferta de ve\u00edculos mais equipados e pressionou fabricantes tradicionais a rever pre\u00e7os, equipamentos e estrat\u00e9gias comerciais, por outro, come\u00e7a a produzir um efeito menos percept\u00edvel para o consumidor: a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos seminovos, especialmente daqueles acima de R$ 100 mil.<\/p>\n<p>&#8220;Durante a pandemia, o seminovo ficou muito caro, e o consumidor passou a pagar caro por um carro nacional que entregava pouca tecnologia. As marcas chinesas chegaram oferecendo mais equipamentos por um pre\u00e7o menor&#8221;, afirma Claudenir Pires, propriet\u00e1rio de tr\u00eas lojas de ve\u00edculos em Santa Catarina.<\/p>\n<p>Segundo o empres\u00e1rio, a mudan\u00e7a j\u00e1 alterou o perfil de quem compra autom\u00f3veis no Brasil. Os n\u00fameros ajudam a explicar esse movimento: as fabricantes chinesas j\u00e1 alcan\u00e7aram 23% de participa\u00e7\u00e3o no mercado brasileiro de ve\u00edculos leves na primeira quinzena de julho, segundo levantamento da Bright Consulting, consolidando uma trajet\u00f3ria de crescimento iniciada h\u00e1 poucos anos.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o tamb\u00e9m aparece nas importa\u00e7\u00f5es. Levantamento da Fecom\u00e9rcio Paran\u00e1, elaborado a pedido da <strong>Gazeta do Povo<\/strong> com base em dados do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (MDIC), mostra que o valor das importa\u00e7\u00f5es brasileiras de ve\u00edculos el\u00e9tricos e h\u00edbridos chineses quadruplicou em apenas um ano. O volume saltou de US$ 637,8 milh\u00f5es no primeiro semestre de 2025 para US$ 2,56 bilh\u00f5es no mesmo per\u00edodo de 2026 \u2013 um crescimento de 301,5%.<\/p>\n<p>E um dos efeitos da chegada de modelos como BYD Dolphin Mini, BYD Yuan Pro e GWM Ora 03 \u2013 ve\u00edculos mais equipados e a pre\u00e7os agressivos \u2013 foi levar as montadoras tradicionais a ampliar descontos, oferecer b\u00f4nus de f\u00e1brica e condi\u00e7\u00f5es especiais de financiamento para preservar participa\u00e7\u00e3o de mercado.<\/p>\n<p>A Renault, por exemplo, tem oferecido b\u00f4nus de trade-in entre R$ 25 mil e R$ 30 mil na compra do Duster. J\u00e1 a Volkswagen reduziu o pre\u00e7o do Nivus Highline em at\u00e9 R$ 30 mil, al\u00e9m de oferecer taxa zero de f\u00e1brica e ampliar os incentivos para valoriza\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo usado na troca.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Guerra de pre\u00e7os deve continuar, diz economista<\/h2>\n<p>Para o economista Jackson Bittencourt, professor da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUCPR), o consumidor est\u00e1 diante de uma transforma\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m das campanhas promocionais lan\u00e7adas para atrair compradores.<\/p>\n<p>Segundo ele, existe, de fato, uma estrat\u00e9gia agressiva de entrada no mercado brasileiro. Algumas fabricantes chinesas trabalham com margens menores, oferecem descontos, b\u00f4nus de troca, taxas subsidiadas e ve\u00edculos mais completos para conquistar rapidamente consumidores. No entanto, essa \u00e9 apenas parte da explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;No primeiro semestre de 2026, aproximadamente metade dos 280,6 mil ve\u00edculos importados emplacados no pa\u00eds veio da China, e o volume praticamente dobrou em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. Mesmo que algumas promo\u00e7\u00f5es sejam retiradas, dificilmente o mercado retornar\u00e1 ao padr\u00e3o anterior de precifica\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do economista, a vantagem competitiva dos carros chineses resulta da combina\u00e7\u00e3o entre escala de produ\u00e7\u00e3o, integra\u00e7\u00e3o da cadeia industrial, dom\u00ednio tecnol\u00f3gico e velocidade de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A principal mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 simplesmente a chegada de carros mais baratos, mas a redefini\u00e7\u00e3o do que o consumidor considera aceit\u00e1vel receber em tecnologia, desempenho, seguran\u00e7a e equipamentos por determinada faixa de pre\u00e7o.&#8221;<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Competitividade constru\u00edda ao longo de d\u00e9cadas<\/h2>\n<p>Para o especialista em mercado automotivo Milad Kalume Neto, o avan\u00e7o dos carros chineses pelo mundo n\u00e3o \u00e9 resultado apenas de uma pol\u00edtica de pre\u00e7os agressiva, mas de um planejamento industrial iniciado h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A competitividade chinesa, explica ele, resulta de d\u00e9cadas de investimentos em infraestrutura, tecnologia, eletrifica\u00e7\u00e3o e desenvolvimento industrial. &#8220;A China est\u00e1 simplesmente colhendo os frutos do que planta h\u00e1 mais de 40 anos&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Segundo Kalume, esse conjunto de fatores permite que empresas como BYD, GWM, Omoda, Jaecoo, GAC, Geely e MG cheguem ao Brasil oferecendo ve\u00edculos com elevado n\u00edvel tecnol\u00f3gico e pre\u00e7os competitivos, colocando press\u00e3o in\u00e9dita sobre as montadoras tradicionais.<\/p>\n<p>&#8220;As fabricantes tradicionais est\u00e3o em um momento de forte press\u00e3o porque n\u00e3o conseguir\u00e3o atingir esse grau de desenvolvimento no curto prazo, mesmo com vultosos investimentos.&#8221;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/23140728\/Montadoras-chinesas-BYD-reacao-tradicionais-1-960x540.jpeg.webp\" \/><i>Montadora chinesa BYD iniciou a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos eletrificados em Cama\u00e7ari (BA) em 2025. (Foto: Eduardo Andrade \/ Ascom SDE-BA )<\/i><\/p>\n<h2>Ve\u00edculos novos mais baratos pressiona mercado de seminovos<\/h2>\n<p>A concorr\u00eancia provocada pelos carros chineses n\u00e3o ficou restrita \u00e0s concession\u00e1rias de ve\u00edculos zero-quil\u00f4metro. O movimento tamb\u00e9m come\u00e7ou a alterar a din\u00e2mica do mercado de usados, especialmente entre modelos de maior valor.<\/p>\n<p>Segundo Bittencourt, o pre\u00e7o do carro novo funciona como refer\u00eancia para toda a cadeia automotiva. &#8220;Quando uma montadora reduz significativamente o pre\u00e7o de um autom\u00f3vel novo, o ve\u00edculo usado equivalente tamb\u00e9m precisa cair. Caso contr\u00e1rio, o consumidor preferir\u00e1 adquirir o modelo zero-quil\u00f4metro&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dele, quem pretende comprar um carro tende a ser beneficiado pela maior concorr\u00eancia e pela amplia\u00e7\u00e3o da oferta de ve\u00edculos. J\u00e1 quem comprou um autom\u00f3vel h\u00e1 poucos anos pode enfrentar uma desvaloriza\u00e7\u00e3o maior do patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>&#8220;O principal beneficiado tende a ser o consumidor que est\u00e1 entrando agora no mercado. Ele passa a ter acesso a ve\u00edculos mais equipados, maior variedade de tecnologias e maior press\u00e3o competitiva sobre os pre\u00e7os&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Para Claudenir, esse movimento j\u00e1 \u00e9 percebido diariamente nas lojas. &#8220;O mercado de seminovos vai cair. Quem trabalha com carros acima de R$ 100 mil vai sofrer mais, com uma previs\u00e3o de queda de pelo menos 20%&#8221;, estima.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje o consumidor olha um carro chin\u00eas e v\u00ea tecnologia, autonomia e um pre\u00e7o competitivo. Muitas vezes ele prefere aumentar um pouco o or\u00e7amento e sair com um carro zero-quil\u00f4metro do que comprar um seminovo&#8221;, diz o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Mercado s\u00f3 ter\u00e1 avalia\u00e7\u00e3o completa de el\u00e9tricos daqui a dez anos<\/h2>\n<p>Apesar da r\u00e1pida expans\u00e3o dos ve\u00edculos eletrificados, especialistas alertam que ainda existem incertezas sobre o comportamento desse mercado no longo prazo. Para Kalume, o consumidor deve olhar al\u00e9m do pre\u00e7o e considerar fatores como a estrutura de p\u00f3s-venda, disponibilidade de pe\u00e7as e comprometimento das fabricantes com o mercado brasileiro.<\/p>\n<p>&#8220;Os consumidores t\u00eam que prestar aten\u00e7\u00e3o na atua\u00e7\u00e3o das marcas no Brasil. Marcas comprometidas, com p\u00f3s-venda de verdade, pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o, atendimento de qualidade ao consumidor e respeito \u00e0s nossas leis ser\u00e3o fundamentais para construir confian\u00e7a e reduzir a deprecia\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos.&#8221;<\/p>\n<p>Nos modelos 2026\/2027 vendidos no Brasil, a BYD, por exemplo, oferece garantia de seis anos ou 200 mil quil\u00f4metros para o ve\u00edculo e de oito anos ou 200 mil quil\u00f4metros para a bateria Blade, prevalecendo o que ocorrer primeiro.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o comportamento desses ve\u00edculos ap\u00f3s muitos anos de uso ainda desperta d\u00favidas. &#8220;O carro el\u00e9trico ainda \u00e9 uma aposta. O consumidor ter\u00e1 uma avalia\u00e7\u00e3o melhor daqui a dez anos, quando esses carros come\u00e7arem a envelhecer. Se a manuten\u00e7\u00e3o ficar muito cara depois desse per\u00edodo, eles podem perder espa\u00e7o no mercado. Essa ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita&#8221;, afirma o jornalista especializado em autom\u00f3veis Vinicius Fabr\u00edcio Ludwig.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Buscas na internet revelam interesse sobre carros el\u00e9tricos e a combust\u00e3o<\/h2>\n<p>Dados do <em>Google Trends<\/em>, que ilustra o volume de buscas por determinados termos, confirmam o crescimento robusto no interesse em carros el\u00e9tricos novos e usados.<\/p>\n<p>Entre janeiro e julho, as buscas por carros el\u00e9tricos novos <a href=\"https:\/\/trends.google.com.br\/explore?geo=BR&amp;hl=pt-BR&amp;q=carro%2520el%25C3%25A9trico%2520novo\">aumentaram 500% na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2025<\/a>. O interesse no mercado de el\u00e9tricos usados tamb\u00e9m segue aquecido, com <a href=\"https:\/\/trends.google.com.br\/explore?geo=BR&amp;hl=pt-BR&amp;q=carro%2520el%25C3%25A9trico%2520usado\">acr\u00e9scimo de 400%<\/a> nas buscas pelo termo no Google.<\/p>\n<p>J\u00e1 o volume de buscas por ve\u00edculos a combust\u00e3o novos registrou 30% de crescimento nos primeiros sete meses de 2026 na compara\u00e7\u00e3o com 2025, enquanto o interesse por carros a combust\u00e3o usados cresceu apenas 10%.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/04212518\/carros-eletricos-960x540.jpg.webp\" \/><\/p>\n<p><em>** Esta reportagem faz parte de uma parceria com o Google, que apoia projetos jornal\u00edsticos baseados em dados do Google Trends. A apura\u00e7\u00e3o \u00e9 de responsabilidade exclusiva da Gazeta do Povo, sem qualquer interfer\u00eancia editorial do Google.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil se tornou, pela primeira vez, o maior comprador de carros chineses do mundo, superando mercados como R\u00fassia e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":615798,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-615797","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/615797","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=615797"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/615797\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/615798"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=615797"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=615797"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=615797"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}